domingo, 29 de novembro de 2020

O amanhã de cada um - Dorrit Harazim

 Henry Miller, diante do precipício de se tornar octogenário, considerou meio caminho andado quem consegue escapar do amargor

- O Globo

A entrevista não é recente. Conduzida pela jornalista Natacha Cortêz e publicada na revista “Marie Claire” de setembro passado, começa com uma pergunta sobre os reiterados comentários em torno da idade da entrevistada — não seria hora de se aposentar, de ceder espaço? Pergunta pertinente por se tratar de Luiza Erundina, que, aos 85 anos, disputa o cargo de vice-prefeita da pantagruélica São Paulo. A resposta veio igualmente pertinente, ao estilo da paraibana: “Que se danem! Estou vivendo meu tempo, minha saúde e inteligência, minha experiência. Estou fazendo mal para alguém? Não estou... Não preciso de cuidadora, não sou dependente...”. Lamenta apenas as limitações impostas pela Covid-19 a sua faixa etária.

domingo, 22 de novembro de 2020

O Brasil tem caráter? - Dorrit Harazim

 De início, Carrefour decretou o fechamento da unidade por um dia em respeito ao morto. Não parece ter entendido o tamanho do estrago

- O Globo

De início, Carrefour decretou o fechamento da unidade por um dia em respeito ao morto. Não parece ter entendido o tamanho do estrago

sábado, 21 de novembro de 2020

Pé na cova - Sérgio Augusto

 O necrológio que fiz do imperador Hirohito mofou 24 anos no arquivo do jornal


O Estado São Paulo


Vocês souberam da morte de Brigitte Bardot?

Nem eu.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Por que o horizonte de Bolsonaro turvou - Maria Cristina Fernandes -

 Partidos vitoriosos nas urnas estarão mais propensos a uma pauta que limita o voo do presidente mas os consolida na condição de eixo para 2022

- Valor Econômico

As eleições municipais devolveram o bolsonarismo ao tamanho que o fenômeno tinha antes da facada. A definição, dada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi a melhor da temporada. Pelo cargo que ocupa, o presidente da República é maior do que o fenômeno que o elegeu, mas seu fraco desempenho como cabo eleitoral tem consequências para além da carreira frustrada de Val do Açaí na Câmara de Vereadores de Angra dos Reis.

De Trumpiniquim a maricocéfalo - Eugênio Bucci

 Maricas é quem só usa palavras dóceis, como as de Bolsonaro para Trump: ‘Love’

- O Estado de S. Paulo

Pertencente à grande nação tupi, o povo tupiniquim foi o primeiro desta terra a descobrir os portugueses. Quando caravelas lusitanas aportaram no litoral do continente que agora habitamos, os navegantes deram de cara com os tupiniquins. Não se sabe bem que histórias contaram os índios, de geração em geração, sobre o dia em que descobriram Pedro Álvares Cabral, mas o nome deles virou um sinônimo “brasileiro”. Com razão.

domingo, 15 de novembro de 2020

As disputas eleitorais imaginárias na literatura e no cinema - Sérgio Augusto

 Pleitos em romances de Sinclair Lewis, Nathanael West e Philip Roth ilustraram e anteciparam aspectos da realidade


O Estado de São Paulo / Aliás 

Quando diabos peguei Um Som de Trovão para reler, ainda me lembrava das cores da borboleta (verde, dourada e preta) esmigalhada por uma das botas que Eckels, protagonista da história, usara numa caçada na pré-história. Esse conto de Ray Bradbury, que muito me marcou na adolescência, foi minha escolha instantânea numa enquete da internet sobre “o que ler para acompanhar a eleição presidencial americana” da semana passada.

À exaustão - Dorrit Harazim

 Segundo assessores, Trump não tem qualquer estratégia além de se agarrar às chaves do poder até 20 de janeiro

O Globo

Joe Biden derrotou Donald Trump por uma diferença que pode chegar perto de 7 milhões de votos populares. Um mundaréu. Biden também ultrapassou com folga os 270 votos eleitorais necessários para merecer a Casa Branca — o placar foi de 306 a 232. Mas festão de arromba dá ressaca. E a aldeia democrata que sacolejou como não fazia desde 2016 despertou para a realidade. Trump continua entrincheirado no Twitter, mantém quase intacto seu monopólio midiático, e o núcleo duro do Partido Republicano ainda o teme como líder de mais de 72 milhões de eleitores. Outro mundaréu.

domingo, 8 de novembro de 2020

O despejo - Dorrit Harazim

 É quase humilhante constatar que, por quatro anos, mundo civilizado conviveu com um delinquente na Presidência dos EUA

O Globo

sábado, 7 de novembro de 2020

Urnas proustianas - Sérgio Augusto

 “Vote em Brigadeiro, é bonito e é solteiro”, um slogan da eleição de 1950 que gravei na memória

O Estado de S. Paulo 


Tinha em mente comentar a eleição na matriz e suas consequências, mas como a contagem de votos não se definiu dentro do meu prazo regulamentar, por obra de Trumpzilla (que ao tentar melar o jogo não imitou, como disseram, Bolsonaro em 2018, e sim Aécio Neves quatro anos antes), e da constrangedora incompetência do sistema eleitoral americano, resolvi falar das eleições que eu vivi.

Fósseis de mulheres caçadoras sugerem que divisão de tarefas por gênero é recente na história humana - Fernando Reinach

 Até recentemente mulheres criavam os filhos enquanto os homens sustentavam a família. 

O Estado de São Paulo


O fato de essa divisão de tarefas ser observado em sociedades primitivas é um dos argumentos usados ​​para defender ou ponto de vista de que esse é o arranjo que sempre existe entre os Homo sapiens. Os defensores dessa ideia argumentam que essa divisão de tarefas é algo tão básico como o fato de caminharmos sobre dois pés.

Adriana Fernandes - A indiferença com o apagão no Amapá

 Demorou simplesmente três dias para o Brasil começar a acordar para o risco do caos social no Estado

- O Estado de S.Paulo

Demorou simplesmente três dias para o Brasil começar a acordar para o risco do caos social no Estado

Enquanto o Brasil assiste há quatro dias ao eletrizante desfecho das eleições dos Estados Unidos, um apagão parou o Amapá e jogou um Estado inteiro no escuro e caos provocado pela corte do fornecimento de luz.

domingo, 1 de novembro de 2020

Tirania Voltam os Espectros da Ditadura Latina - Sérgio Augusto

 Romance de Mario Vargas Llosa e peça de Reinhard Lettau examinam ditadores da América Latina

'Tempos Ásperos' mostra o golpe patrocinado pela C.I.A. na Guatemala em 1954 e 'Breakfast Conversation in Miami' é uma sátira aos déspotas cucarachas

Sérgio Augusto / O Estado de S. Paulo/ Álias

Um mal já está feito - Dorrit Harazim

 Nada indica que instituições suportariam mais quatro anos destrutivos com Trump na Casa Branca


O Globo 


O futuro sempre impulsionou o imaginário humano, e é bom que continue assim. Mas, como aconselhou Antoine de Saint-Exupéry em “Cidadela”, não se trata de prevê-lo, apenas de torná-lo possível. É mais ou menos disso que trata a eleição presidencial desta terça-feira, 3 de novembro. Abundam superlativos para sublinhar o peso dessa escolha em ano de crise nos EUA e no mundo. Mas seriam desnecessários. Basta constatar que, muito além das diferenças entre Donald Trump e Joe Biden, é o próprio funcionamento da democracia representativa americana que está sendo votado.

sábado, 31 de outubro de 2020

Incompetência e a barreira dos 100% - Adriana Fernandes

Com a perspectiva de recorde negativo, País pode enfrentar em 2021 uma crise da dívida

 O Estado de S.Paulo

Em dezembro de 2017, o governo anunciava que um dos principais indicadores da sustentabilidade das contas públicas estava perto de atingir um limite perigoso. O Banco Central tinha acabado de projetar que a dívida bruta do País fecharia em valor bem perto de 80% do PIB no ano seguinte.

domingo, 25 de outubro de 2020

Ombudsman - O patrimônio de R$ 579 de Boulos - Flavia Lima

Jornal parece subestimar capacidade do leitor de avaliar informações


Folha de SP


Um clássico entre os anúncios do tipo "caça-clique" é a promessa, jamais cumprida, de uma revelação muito atraente, como os “segredos para transformar gordura em músculos em pouquíssimo tempo”. É clicar e percorrer um longo labirinto de frases até a frustração.

Dorrit Harazim - Uma eternidade de nove dias

 Não existe superlativo capaz de traduzir tudo o que está em jogo neste 3 de novembro de 2020

- O Globo

Os murmúrios se adensam, a respiração mundial acelera, mas ninguém ousa se fazer ouvir a plenos pulmões. Até porque ainda é cedo — falta uma eternidade de 9 dias até o 3 de novembro. A insensatez arrogante que levou o Partido Democrata e Hillary Clinton à implosão em 2016 ainda sangra. Melhor represar o otimismo e concluir o aprendizado de como não menosprezar o poder feroz de Donald Trump.

Bernardo Mello Franco - Cheque em branco

- O Globo


O Senado assinou um cheque em branco para Kassio Nunes Marques, que substituirá Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal. Na quarta-feira, o desembargador passou dez horas na Comissão de Constituição e Justiça. Poderia ter passado dez minutos, e o resultado seria o mesmo. Culpa dos senadores, que abriram mão de escrutinar as credenciais e as ideias do futuro ministro.

sábado, 24 de outubro de 2020

Vacina não é 'santinho' para ser distribuído antes da eleição - Fernando Reinach

Estamos entrando numa nova fase do combate ao Sars-CoV-2


O Estado de S.Paulo 


Estamos entrando numa nova fase do combate ao Sars-CoV-2 . Os resultados da Fase 3 de teste das diversas vacinas começarão a ser divulgados. (veja “Como Funciona um Estudo Fase 3 de uma Vacina” publicado no Estadão em 22 de julho)

Sérgio Augusto - Tempos ásperos

Sérgio Augusto - Tempos ásperos

Vargas Llosa candidata-se a ser, com todas as honras, o Balzac das ditaduras cucarachas


O Estado de S.Paulo

Saudei aqui, em 2006, a eleição de Evo Morales, a grande esperança chola de um país que, até então, sofrera cerca de 200 golpes de Estado em 175 anos de história. Cholos são os índios aculturados da Bolívia. Morales não os decepcionou: a desigualdade social diminuiu bastante, o PIB subiu de forma surpreendente. Muitos criollos (brancos descendentes de colonos europeus), donos seculares daquelas terras e riquezas, desdobraram-se na manutenção de seus privilégios e do recorde golpista boliviano, fazendo Morales pagar bem caro pela teimosia de um mandato a mais – o quarto. 

Adriana Fernandes - Coragem para cortar

Adriana Fernandes - Coragem para cortar


Há quatro anos, o corte de renúncias fiscais vai e volta do debate econômico, absolutamente sem sucesso


 Estado de S.Paulo

O corte linear das renúncias fiscais concedidas pelo governo voltou à mesa na discussão das medidas de ajuste fiscal para 2021. Com o pouco tempo até o final do ano para decisões difíceis e impopulares, não se fala mais em mexer em apenas um ou outro grupo de isenções e benefícios tributários, mas passar a tesoura em todas elas ao mesmo tempo e na mesma proporção: algo em torno de 12% a 15%.