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segunda-feira, 11 de março de 2013

Um bolo sem fatias - Lúcia Guimarães

Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
 
O que têm em comum a Cadeira DRM e a canção Happy Birthday To You (Parabéns a Você)? Ambas ilustram o estranho mundo da posse de produtos e ideias neste século.

Um grupo de designers criou a DRM Chair - as iniciais se referem a Digital Rights Management - a tecnologia de códigos eletrônicos que limita o uso de produtos digitais. Por exemplo, um livro eletrônico com um código DRM, numa biblioteca, só poderia ser lido um número limitado de vezes pelo público. 


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sábado, 9 de março de 2013

Apenas os fatos; se possível, a verdade - Lúcia Guimarães

NOVA YORK - No começo da carreira de jornalista, depois de ter servido no Vietnã, o jovem Tracy Kidder recebeu a seguinte ordem do editor Richard Todd, na redação da veneranda revista Atlantic Monthly: "Você está proibido de ler John McPhee". Aos 68 anos, Kidder, um dos mais admirados representantes do gênero imprecisamente chamado de jornalismo literário, solta uma gargalhada quando se lembra do pito que levou. Ele atende o Estado em sua casa numa pequena cidade do Oeste de Massachusetts para falar do livro Good Prose, The Art of Nonfiction (Boa Prosa, A Arte da Não Ficção), que acaba de lançar em coautoria com seu antigo editor. Todd não tinha nada contra o grande escritor John McPhee, um dos pioneiros da não ficção criativa. Mas a paixão do seu protegido por McPhee estava contaminando seus textos. "Imitar é bom quando, no começo, você está tentando descobrir a própria voz", diz Kidder. "Mas a melhor maneira de encarar o temor da influência é ler livros que você realmente aprecia."

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De corpo presente, mas sem ser o foco - Lúcia Guimarães

Três anos e 4 meses numa favela indiana renderam à jornalista americana Katherine Boo um premiado livro, 'Em Busca de Um Final Feliz', exemplo vigoroso do que pode a escrita de não ficção comprometida com o outro

 

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Dia Internacional de Quem? - Lúcia Guimarães

Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
 
 
Dias dedicados a um sexo ou grupo étnico me inspiram desconfiança imediata, sem falar nos inventados pelo comércio como o dia dos pais, das mães e da criança.

O Dia Internacional da Mulher começou, de fato, nos Estados Unidos, em 1909, como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora e foi inspirado por socialistas, num tempo em que a Constituição ainda não concedia às americanas o direito ao voto.


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Despedida - Lúcia Guimarães

Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
 
NOVA YORK - Não existe altruísmo e sim o autointeresse iluminado - adágios como este eram cunhados com naturalidade por Anne Margolis, minha grande amiga e meu norte neste hemisfério. Há duas semanas, Anne decidiu nos deixar com a rapidez com que tomava outras decisões, como abandonar a cerâmica, a escultura ou a poesia. Digo decidiu porque ela não estava acometida por nenhum mal agudo. Anne expirou e deixou um rastro de perplexidade entre os que tiveram contato, mesmo o mais breve, com sua incandescência.

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Nova pornografia - Lúcia Guimarães

Cheguei a pensar que havia acordado na década errada. Seria fevereiro de 2003? Um documento obtido por um repórter atentava contra a Constituição e a língua inglesa, costurando um arrazoado para assassinar cidadãos americanos no exterior, se considerados um perigo iminente para a segurança americana. Definição de perigo iminente? Confie em nós, povo.

Grandes jornais confessaram que, há um ano, escondem dos leitores, a pedido da Casa Branca, o fato de que há uma base secreta na Arábia Saudita de onde decolam os drones, os aviões sem pilotos comandados por controle remoto. Os drones que matam não só os suspeitos de terrorismo no Paquistão, no Iêmen, na Somália, mas também civis transformados em dano colateral.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Tragédia pastelão - Lúcia Guimarães

Um bunker subterrâneo abriga, no começo do fim de semana, enquanto escrevo, um menino de 5 anos que chora pelos pais. O bunker foi construído por Jimmy Lee Dykes, de 65 anos, conhecido num município rural do Alabama por se trancar lá dentro por vários dias. Tem eletricidade, comida e TV. Por um tubo de ventilação, a policia passou remédios para o menino refém, que sofre de autismo. O garoto foi arrancado por Dykes do ônibus escolar, depois que seu captor executou o motorista do ônibus que se havia se recusado a entregar dois outros meninos.

O captor armado é possivelmente doente mental. Mas, na narrativa fronteiriça americana, pode se passar por um excêntrico com temperamento violento, exercitando seus direitos fantasiosos sob a segunda emenda da Constituição. Ele estava intimado a comparecer a um tribunal depois de ter feito disparos contra uma vizinha, o filho e o neto da mulher, aborrecido com uma disputa por um quebra-molas na estrada de terra batida onde vive.


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