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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PMDB vê-se fortalecido com PSB no jogo de 2014

Raymundo Costa e Yvna Sousa
BRASÍLIA - Depois de ter conseguido o comando do Congresso, o PMDB quer mais. A cúpula do partido avalia que a eventual candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, fortalece o poder de barganha do partido para negociar mais cargos no governo. Interlocutores da presidente Dilma Rousseff, no entanto, informaram que o PMDB não precisa "esticar a corda", pois ela e o vice Michel Temer já concordaram que é preciso ampliar os espaços da sigla e as manutenção da aliança na eleição de 2014.
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Congresso exige mais negociação de Dilma - Raymundo Costa

A nova formatação das Mesas da Câmara e do Senado, definida no fim de semana, vai exigir da presidente Dilma Rousseff mais negociação com deputados e senadores. É certo que tanto Renan Calheiros quanto Henrique Eduardo Alves, respectivamente, assumem as presidências das duas Casas fracos em virtude das acusações de malfeitos feitas contra eles no período que antecedeu as eleições. Mas as pressões e interesses em jogo, no último biênio do mandato de Dilma Rousseff, vão muito além do PMDB, e podem ter reflexos sobre a economia e a atividade empresarial.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

PT vai outra vez com o PMDB em 2014 - Raymundo Costa

  "República dos Guardanapos" inibe candidatura Cabral
 
O primeiro turno da eleição municipal de 2012 representou a pá de cal na ideia de uma aliança de esquerda reunindo PT, PSB e PCdoB nas eleições presidenciais de 2014. Já agora, na campanha de 2º turno, o PT dá tratamento preferencial ao PMDB, ao negociar as coligações locais com a premissa de que o partido será o seu aliado na sucessão da presidente Dilma Rousseff.
O PT resolveu solidificar a relação com o PMDB. É uma decisão de "estado-maior". O 2º turno é a expressão dessa decisão. A presidente já havia assegurando aos pemedebistas seu aval ao acordo entre as siglas pelo qual o PMDB assumirá a presidência da Câmara e Senado em 2013.
Há problemas à vista no PMDB. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, lançou o nome do governador Sérgio Cabral para vice de Dilma, no lugar de Michel Temer. A reação se deu no tom gaiato de Geddel Vieira Lima, um dos vice-presidentes da Caixa e aliado de Michel: o que Paes estaria propondo, segundo Geddel, seria a instalação da "República dos Guardanapos" no governo - uma referência a celebrações feitas em Paris, em ambientes cinematográficos, pelo governador, alguns secretários e o empresário Fernando Cavendish, da construtora Delta. Cavendish e secretários foram fotografados com guardanapos amarrados à cabeça.
Outro pemedebista adverte que a CPI do Cachoeira, espécie de cativeiro onde a Delta e seus amigos são mantidos como reféns, ainda não acabou.
Certamente mais de um motivo jogou na lata de lixo a tal coligação de esquerda entre PT, PSB e PCdoB. Na prática, o primeiro turno demonstrou que a ideia não deu certo. Por que? O PT lançou candidato contra o PSB e o PCdoB, onde as duas siglas menores poderiam aspirar a cabeça de chapa, enquanto PSB e PCdoB lançaram candidatos onde o PT era competitivo. A concorrência com o PCdoB não se deu apenas em Porto Alegre (RS), mais visível por se tratar de uma grande capital, mas também em cidades médias e pequenas.
No caso do PSB, é visível para o PT que o partido do governador Eduardo Campos (PE) começou a fazer um jogo próprio com vistas à sucessão de 2014, em detrimento da aliança de esquerda. Essas são as razões alegadas para o PT fazer o próprio jogo, e nesse jogo dar prioridade para o PMDB.
O curioso é que a disputa interna do PMDB deve ser fortemente influenciada pelo futuro do PT, já em discussão, independentemente da eleição ou não do ex-ministro Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo.
Para onde vai o PT? A variável mais importante é o mensalão. Na reunião do Diretório Nacional, após a condenação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, foi unânime a manifestação de solidariedade aos três ex-dirigentes. De todas as tendências e até dos críticos da gestão de Delúbio como tesoureiro do PT. As propostas foram ousadas, de atos públicos a sessões de desagravo. Menos mal para o PT, agora, é que seus antigos dirigentes, sejam punidos com penas como prisão em regime aberto ou semi-aberto. Será mais fácil de administrar politicamente.
A segunda variável é o futuro de Lula no PT ou o futuro do PT em relação ao Lula. Se Haddad vencer a eleição em São Paulo, Lula será outra vez enaltecido como grande estrategista político e o partido cala o que tem atravessado na garganta: o viés intervencionista do ex-presidente da República. Afinal, ele inventou Dilma e Haddad e eles deram certo. Sem falar de Marcio Pochmann, ex-presidente do Ipea, outra invenção de Lula que passou para o segundo turno. Nesse cenário, os erros no Recife, Belo Horizonte e Fortaleza tendem a ser esquecidos. O ex-presidente passa a ter a unanimidade de um partido que hoje engole, mas não concorda com muitas das decisões do líder máximo.
O outro cenário é Haddad perder a eleição. Ganha corpo a crítica ao intervencionismo do ex-presidente. Lula será responsabilizado pelos "desastres" em São Paulo, Belo Horizonte e Recife. E será lembrado que onde ele deixou de apoiar o candidato do PT, caso de Fortaleza, a prefeita Luizianne Lins levou seu candidato para o segundo turno. Sozinha.
Em particular, o senador Humberto Costa (PT-PE) tem reclamado de que só entrou na disputa do Recife a pedido de Lula. "Nem o João da Costa nem o Maurício (Rands). É você", teria determinado Lula. Humberto foi. Ficou sozinho no Recife. O ex-presidente não passou nem perto da cidade. Os dirigentes petistas sonham com um núcleo maior de decisão, como foi até a eleição de 2002.
Fortalecido, Lula pode influir na escolha do PMDB para o candidato a vice de Dilma em 2014. É conhecida sua proximidade com Sérgio Cabral, assim como a antipatia que tem por Michel Temer. Ocorre que Temer efetivamente aproximou o PMDB de Dilma e do PT. Já na noite da eleição ele chamou o candidato Gabriel Chalita para conversar sobre o apoio a Haddad no segundo turno. O anúncio do apoio foi adiado por um dia porque Chalita tentou impor condições, contornadas com habilidade pelo vice e presidente licenciado do PMDB. É possível que Paes, ao sugerir a vice para Sérgio Cabral, na realidade tenha em vista um ministério com vínculos com o Rio. Mas já abriu uma guerra com o grupo que apoia Temer, como fica demonstrado pela declaração de Geddel.
Aescolha da campanha de Serra de explorar extensivamente o julgamento do mensalão remete a lembrança de alguns políticos, inclusive do PSDB, à campanha presidencial de Geraldo Alckmin em 2006. No primeiro debate, Alckmin foi agressivo, falou de corrupção, mensalão e surpreendeu Lula. O ex-presidente ficou intimidado. Além de não ser do estilo de Alckmin, ao ser muito agressivo, o atual governador de São Paulo exagerou e ao exagerar, perdeu. O mesmo fenômeno pode ocorrer na campanha de Serra: ao exagerar no mensalão, o candidato do PSDB passa a imagem de que disputa o terceiro turno contra Lula, quando deveria estar mais preocupado com assuntos relacionados à cidade de São Paulo. Para efeito de registro, o marqueteiro de Serra é o mesmo que tocou a campanha de Alckmin em 2006, o jornalista Luiz Gonzales.
 
VALOR ECONÕMICO
16/10/2012