Se iluminarmos quem pergunta, a reunião das entrevistas concedidas a Clarice Lispector por notáveis figuras da cultura brasileira apresentam um traço pessoal e instigante da personalidade da romancista. Clarice quer saber dos artistas populares quais são as benesses e as sequelas causadas pela "fama". Ao ler os diálogos travados, descobre-se que o traço vira hipótese de trabalho, que ela testa em cobaias humanas, no laboratório da Vida.
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sábado, 2 de março de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
ESTAR VIVO, AQUI E AGORA - SILVIANO SANTIAGO
Distantes no espaço e afastadas no tempo, três manifestações da arte de
esculpir em cera merecem ser associadas hoje por uma leitura que eu
diria pop e artesanal. Proporei como contexto o retorno do
hiper-realismo à produção nossa contemporânea. Essa é a proposta da
coluna deste sábado, decorrente da anterior em que, com marco inicial
nos primórdios da Renascença florentina, fizemos um levantamento do uso
da cera de abelha como material escultórico identificado - até no uso
metafórico da palavra - com a tonalidade da pele e o aspecto do
semblante humano. A não esquecer que a expressão "estar fazendo cera"
significa fingir: que se joga futebol de verdade ou se namora para
casar. O potencial de verossimilhança da "cera" a favoreceu para se
chegar ao naturalismo ilusório em escultura.
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
Maravilhas em cera de abelha - Silviano Santiago
Os que amam a história da Renascença florentina estão a par dos
acontecimentos que cercam o atentado contra Lourenço de Médici, em abril
de 1478. Durante missa na Catedral metropolitana, os dois irmãos Médici
são apunhalados. Juliano, seu colaborador no governo, é assassinado por
Francisco Pazzi. Refugiando-se na sacristia, Lourenço sai apenas
ferido. No atentado, os banqueiros da família Pazzi, inimigos dos
Médici, contaram com a cumplicidade do arcebispo de Florença e até do
papa Sisto IV, figura já suspeita por ter formalizado tanto a Inquisição
espanhola quanto as descobertas de terra pelos portugueses. Também
estão a par da repressão levada a cabo pelos aliados dos Médici, que
fecha o conflito sangrento entre banqueiros rivais pelo poder em
Florença.
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