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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - Ressuscitação

Anunciaram anteontem na internet que eu morri.

O Nílson Souza me telefonou aflito: “Que coisa boa te ouvir. A internet está bombando, estão dizendo que morreste. Acho melhor tu falares na Gaúcha para desmentir”.

As pessoas telefonavam para a rádio e ficavam sabendo que eu ainda não morrera.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - Um papa jovem

O que se verifica com a renúncia do Papa não passa de uma singela aposentadoria.

O direito à aposentadoria é universal e humanitarista.

Verifica-se agora um defeito no Direito Canônico por não ter previsto a aposentadoria dos papas.

Muitos papas terminaram seus mandatos caindo aos pedaços.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - O lugar dos bêbados

Não se pode esperar de quem é rasteiro outra coisa que não seja baixeza.

Não se pode esperar erudição de quem é analfabeto.

Do mau-caráter só se pode esperar maus-caratismos.

Grandeza só se pode esperar de quem é grande, erudição só se pode esperar de quem é culto.

Por isso é que se criou o ditado de que “ali de onde menos se espera é que nunca sai nada mesmo”.

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - O chato missivista

Quando topo com um sujeito muito chato, insuportavelmente chato, sempre penso no seguinte: pobre coitada da mulher dele.

Se eu me encontro com um chato uma vez por semana ou por quinzena – e ele sistematicamente me chateia –, calculem então o que deve chatear à sua mulher, com quem ele mora, com quem ele dorme, almoça e janta todos os dias há muitos anos!

Toda mulher de chato é uma heroína. O que devem sofrer os filhos de um chato...


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - Quarentena

Fiquei sabendo por Zero Hora que havia em Santa Maria pelo menos uma empresa privada de segurança contra incêndio cujo proprietário é integrante do Corpo de Bombeiros.

E a reportagem também disse que os proprietários de casas noturnas em Santa Maria, quando eram fiscalizados, eram aconselhados pela fiscalização a procurar essa empresa para regularizarem suas lacunas.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - Ainda o desarmamento

O governo de São Paulo, encabeçado por Geraldo Alckmin, fez uma intensa campanha dirigida aos cidadãos.

O lema da campanha: “Proteja sua família. Desarme-se”.

O governador pensa, pois, que, quanto menos armas portarem os paulistas, menos eles serão atingidos pela criminalidade.

É um curioso raciocínio. Porque não está provado que as armas usadas pelos bandidos sejam arrecadadas através de furtos e roubos sobre os cidadãos.

Pelo contrário, o que se sabe é que a maioria das armas usadas pelos bandidos é contrabandeada.


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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - O grilo e a abelha

Tenho ressaltado nos últimos dias a importância da fatalidade ao redor dos fatos humanos.

Notem bem o caso da jovem Mariana Lucher, com 23 anos, que sábado passado dirigia seu carro pela estrada, em Rosário do Sul, quando o veículo saiu da pista e foi se chocar contra um barranco.

Ocorre que havia uma colmeia de abelhas no barranco, que foi atingida pelo carro.

Não sei se a jovem estava dentro do carro ou foi despejada dele pelo choque quando as abelhas a atacaram.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - Férias dos jornalistas

Escrevi aqui que o gaiteiro do conjunto que atuava na boate em Santa Maria onde ocorreu a tragédia conseguiu escapar da fumaça e das chamas mas esqueceu sua gaita lá dentro do inferno. E que, retornando para recuperar seu instrumento, encontrou a morte.

O gaiteiro mais famoso e conhecido do Rio Grande, Renato Borghetti, mandou-me a seguinte mensagem a esse respeito: “Só hoje li tua coluna sobre o gaiteiro e sua gaita. Emocionante, parabéns”.

Jornalista não tem folga, é que nem policial: está sempre em serviço.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PAULO SANT’ANA - O perigo de viver

Escrevi inúmeras vezes neste espaço que era perigosíssimo ser jornalista e que quem exercia esta profissão corria todos os dias grandes riscos. 

Vejo só agora que foi uma bobagem o que escrevi: não é perigoso ser jornalista, perigoso é viver. 

Vou dar um exemplo: quem calcularia que os mais de 230 jovens que morreram na boate em Santa Maria, quando se dirigiram para a festa, estavam correndo risco? Rigorosamente, ninguém imaginava que era perigoso ir a uma festa. 


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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PAULO SANT’ANA - Eu é que entendo de goleiro

Meus amigos, peço que não discutam mais futebol comigo. Quando eu disser que um jogador não joga nada, é porque ele não joga nada.

Quando eu disser que um goleiro é frangueiro, baixem a cabeça e silenciem. Não me contestem, quem entende de goleiro sou eu. Eu não sei mais futebol do que os outros por ser mais inteligente do que eles, eu sei mais futebol do que os outros todos porque sou mais velho do que eles, tenho mais experiência.

E de goleiro eu entendo. Peço que não discutam mais goleiro comigo porque eu sou soberano nesse aspecto.

O mensalão foi coisa de R$ 500 milhões. Ocorre, no entanto, que paralelamente ao mensalão correm um processo e uma CPI contra Carlos Cachoeira. E um deputado que é membro da CPI declarou anteontem que os negócios ilícitos que rondam as atividades em torno de Cachoeira andam no montante de R$ 82 bilhões.

É muito dinheiro. Por isso Carlos Cachoeira tinha até a seu serviço o ex-senador Demóstenes Torres, cassado depois de deixar o DEM.

Já a Justiça recusou vários habeas corpus que visavam a libertar Cachoeira.

E a empreiteira que estava por trás de Carlos Cachoeira é a Delta, uma das mais bem aquinhoadas com verbas do governo.

É muito dinheiro público empregado em corrupção. É um oceano de dinheiro e um mar de corrupção.

A gente vive intensamente sob pressão. Atualmente estou sofrendo duas cargas de pressão muito grandes.

Em primeiro lugar, é o número infindável de leitores que me pedem, me imploram para que eu pare de fumar.

E eu não tenho forças para atendê-los. Podem até dizer, que eu não fico brabo: não tenho coragem para atendê-los e deixar de fumar. Sou um covarde, bem sei.

A segunda grande carga de pressão que tenho sofrido é de muitos que me pedem para optar publicamente por candidaturas à presidência do Grêmio.

Os solicitantes dizem que, se eu optar publicamente nesta coluna por uma candidatura, ela será a vencedora. Eu sei disso, talvez seja por isso até que eu não opto, achando que não seria justo e se tornaria altamente desequilibrador que eu me tornasse cabo eleitoral de um dos candidatos: a campanha perderia a alteridade.

Há adeptos de uma candidatura que se constituem em 70% dos que me fazem esse apelo. Portanto, os partidários da outra candidatura se constituem em 30%.

Quero crer que os 70% são os que estão desesperados, achando que vão perder a eleição.

Que posso fazer? Gostaria de meter meu bedelho, mas não posso.

Seja Odone o eleito, seja Koff, o que eu imploraria a ele é que faça o Grêmio voltar aos títulos nos campeonatos.

Que o eleito torne imediatamente o Grêmio grande como já o foi no passado.

A torcida já não suporta mais a ausência de títulos. Já não dá mais para aguentar.

ZERO HORA
18/10/2012 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PAULO SANT’ANA - Necrológio

Solicitei ao Ibsen Pinheiro que me escrevesse um texto imaginando o meu enterro, os discursos dos pósteros, os elogios, a multidão.

Ele escreveu o seguinte e eu transcrevo:

“Não esqueci a encomenda para escrever teu necrológio. Vou fazer do modo combinado, antes da tua morte e, naturalmente, da minha.

A ideia é de gênio, pois é tua. Consideras uma injustiça que alguém não possa assistir ao segundo ato mais relevante da sua vida (opa!), depois de ter perdido por desatenção o primeiro.

Difícil apontar sensação mais gratificante do que escutar elogios, especialmente os exagerados, sem falar nos melhores, os imerecidos, e ver os amigos emocionados e os inimigos calados.

No seu famoso elogio aos mortos, Péricles analisou o chavão e concluiu que, ao contrário da aparência, esse é o maior momento da sinceridade humana, pois não se move pela inveja e não corre o perigo de ser desmentido pelos atos futuros do elogiado.

Gostei muito da ideia e passei a achar que ela deve ser compartilhada. Vamos todos trocar necrológios. Condição: uma certa idade. Ou incerta, sempre de difícil confissão/comprovação. Que tal 70 anos? Setentões já estão no lucro. Provaram que ao menos uma morte não é inevitável, a precoce.

Quanto ao formato, é melhor fazê-lo ao vivo, enquanto é tempo. E via oral, uma especialidade que se adquire com os anos. Reuniríamos os setentões de uma patota, a nossa, não a dos colorados, pois tu ficarias de fora, nem a dos gremistas, que, como se sabe, são imortais, e trocaríamos necrológios discursados. A patota da Rua da Praia, que inclui a todos, até os passageiros.

Na falta do Capri ou do Café América, deve existir por lá, ainda, um bar ou restaurante, mesmo sem porta para a calçada. Mas tem que ser logo, não queremos desfalques de última hora.

Fica a ideia. Já estou rabiscando tuas últimas palavras. Abraço setentão do (ass.) Ibsen Pinheiro”.

O campeonato brasileiro está imerso num escândalo. Nas quatro últimas partidas (sucessivas) do Fluminense, o tricolor carioca foi premiado por vários e decisivos erros de arbitragem que lhe deram os 12 pontos. Eram pênaltis que não havia a favor do Fluminense, pênaltis que o Fluminense cometia e os árbitros ignoravam, faltas invertidas que redundavam em gols do Fluminense, uma roubalheira escancarada que vai acabar manchando o título do Fluminense, praticamente já assegurado.

E o Atlético ganhou de presente um pênalti inventado para poder vencer o Sport e assim tirar na marra, na desonestidade, no escândalo, o segundo lugar do Grêmio.

Uma máfia está montada na CBF para dar o título ao Fluminense: a prova está no que o Cacalo constatou ontem: nos últimos 10 jogos do Fluminense, não apitou sequer um árbitro da Fifa, isto é um indicativo de que a máfia escolheu juízes sem futuro e sem responsabilidade para brindar o Fluminense com verdadeiros roubos, vergonhosos favorecimentos.

Só não vê quem não quer, é um campeonato de botequim, arranjado, viciado, mexido, roubado.

Roubado!

E vocês se lembram de que há 18 dias comecei a perceber a mutreta e botei a boca no trombone no Sala de Redação?

Agora já está todo mundo denunciando o escândalo.

17/10/2012
ZERO HORA 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

PAULO SANT’ANA - As aeromoças

Quando eu fui jovem, fogoso, impetuoso, era apaixonado por pés de mulheres.

Hoje, que perdi o viço e o desejo, sou apaixonado por sapatos de mulheres.

Sendo assim, meu presuntivo e inofensivo fetiche de hoje são essas sapatilhas que as mulheres estão usando, uma modelagem de calçados que conseguiu o milagre de fazer as mulheres ficarem belas e elegantes com sapatos baixos, quando isso só era possível, antes, quando trafegavam de saltos altos.

Essas sapatilhas são prometedoras e transmitem-nos fantasias sobre a sensualidade dos pés que escondem, mostrando-lhes apenas as alvíssaras.

É preciso que, imediatamente, os proprietários das empresas de aviação de passageiros tenham consciência de que, no geral, suas aeromoças tratam rudemente os passageiros de aviões.

Elas não agridem os passageiros, mas sua rudeza se demonstra pela indiferença que dedicam a eles.

Passam depressa pelos passageiros nos corredores, como que a transmitir que seriam molestadas se alguns deles lhes solicitassem algo.

Toda a aparência das atuais comissárias de bordo tem um ar ameaçador de que qualquer solicitação de um passageiro perturbaria completamente sua mobilidade, como se esta se destinasse somente às outras providências de serviço que não impliquem contato com os clientes sentados espremidamente nas poltronas.

Foi-se o tempo em que as comissárias de bordo eram verdadeiras divindades para os passageiros durante o voo.

Hoje elas não dedicam mais aos passageiros aquela amabilidade de antigamente, quando eram devocionais no tratamento aos passageiros, verdadeiros anjos de bondade e cortesia.

Será que o treinamento de hoje inclui esse distanciamento frio e calculado das aeromoças? Será que seus instrutores transmitem a elas a ideia de que o passageiro é um chato e de que elas, se o forem atender com gentil dedicação perderão tempo precioso para as outras tarefas importantes que têm na organização da viagem?

Será que essa rudeza é das moças ou é das empresas de aviação, que as conduzem a essa brutal indiferença com os passageiros?

Será que seus instrutores as ensinam a tornar difícil o atendimento para que elas não sejam constantemente chamadas e assim percam seu tempo precioso com a chatice exigencial dos passageiros?

O fato é que as comissárias de bordo perderam no conceito do público aquela imagem de enfermeiras da alma e do espírito que detinham entre todos os que viajavam de avião.

Algo aconteceu. E a impressão que eu tenho é de que uma categoria tão importante como a delas não iria ter modificado assim de repente o seu caráter de serviço atencioso para esta severidade que se verifica hoje em todos os voos, com raríssimas exceções.

Não foram elas que decidiram tornar-se rudes e indiferentes, algumas veladamente agressivas. É certo que foi algum tecnocrata diabólico que bolou que elas modificassem o seu modo tradicional de ser para pior, com a intenção de fazê-las mais úteis ao funcionamento de bordo nas outras tarefas todas que não dizem respeito ao atendimento direto do passageiro.

O fato é que entre nós, os passageiros, as comissárias de bordo perderam aquela imagem de solicitude angelical que possuíam.

E com isso perdeu o público um tesouro de memória precioso que foi construído por milhares de aeromoças que trataram bem seus passageiros durante quase um século.

As aeromoças, hoje, não passam de uma categoria qualquer, honrada, mas sem distinção. Uma profissão singela, igual a todas as outras.

Quando antigamente elas eram na nossa memória um sacrário de sociabilidade.

ZERO HORA
16/10/2012