quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PAULO SANT’ANA - Eu é que entendo de goleiro

Meus amigos, peço que não discutam mais futebol comigo. Quando eu disser que um jogador não joga nada, é porque ele não joga nada.

Quando eu disser que um goleiro é frangueiro, baixem a cabeça e silenciem. Não me contestem, quem entende de goleiro sou eu. Eu não sei mais futebol do que os outros por ser mais inteligente do que eles, eu sei mais futebol do que os outros todos porque sou mais velho do que eles, tenho mais experiência.

E de goleiro eu entendo. Peço que não discutam mais goleiro comigo porque eu sou soberano nesse aspecto.

O mensalão foi coisa de R$ 500 milhões. Ocorre, no entanto, que paralelamente ao mensalão correm um processo e uma CPI contra Carlos Cachoeira. E um deputado que é membro da CPI declarou anteontem que os negócios ilícitos que rondam as atividades em torno de Cachoeira andam no montante de R$ 82 bilhões.

É muito dinheiro. Por isso Carlos Cachoeira tinha até a seu serviço o ex-senador Demóstenes Torres, cassado depois de deixar o DEM.

Já a Justiça recusou vários habeas corpus que visavam a libertar Cachoeira.

E a empreiteira que estava por trás de Carlos Cachoeira é a Delta, uma das mais bem aquinhoadas com verbas do governo.

É muito dinheiro público empregado em corrupção. É um oceano de dinheiro e um mar de corrupção.

A gente vive intensamente sob pressão. Atualmente estou sofrendo duas cargas de pressão muito grandes.

Em primeiro lugar, é o número infindável de leitores que me pedem, me imploram para que eu pare de fumar.

E eu não tenho forças para atendê-los. Podem até dizer, que eu não fico brabo: não tenho coragem para atendê-los e deixar de fumar. Sou um covarde, bem sei.

A segunda grande carga de pressão que tenho sofrido é de muitos que me pedem para optar publicamente por candidaturas à presidência do Grêmio.

Os solicitantes dizem que, se eu optar publicamente nesta coluna por uma candidatura, ela será a vencedora. Eu sei disso, talvez seja por isso até que eu não opto, achando que não seria justo e se tornaria altamente desequilibrador que eu me tornasse cabo eleitoral de um dos candidatos: a campanha perderia a alteridade.

Há adeptos de uma candidatura que se constituem em 70% dos que me fazem esse apelo. Portanto, os partidários da outra candidatura se constituem em 30%.

Quero crer que os 70% são os que estão desesperados, achando que vão perder a eleição.

Que posso fazer? Gostaria de meter meu bedelho, mas não posso.

Seja Odone o eleito, seja Koff, o que eu imploraria a ele é que faça o Grêmio voltar aos títulos nos campeonatos.

Que o eleito torne imediatamente o Grêmio grande como já o foi no passado.

A torcida já não suporta mais a ausência de títulos. Já não dá mais para aguentar.

ZERO HORA
18/10/2012 

Na feira, entre paixão e mangás - Marina Colasanti‏




Frankfurt – Atravessando a ponte de ferro que cruza o Rio Meno, um modismo chama a minha atenção. São centenas de cadeados, com e sem corrente, solitários ou em cachos, presos nos balaustres de ferro. Todos os cadeados têm nomes gravados. São namorados ou amigos ou grupos de trabalho que testam sua ligação prendendo-a dessa maneira simbólica. A graça será voltar e verificar se amor e amizade sobreviveram em liberdade, ou se apenas se mantêm juntos quando retidos por uma chave.

Na Feira de Frankfurt, não precisamos de teste, estamos todos presos ao livro por uma paixão que nada desata. Não é uma feira aberta ao público. Durante toda a semana, somente profissionais circulam neste elegante mercado persa de leitura feito de espaços enormes, escadas rolantes e esteiras, onde, ao redor de mesinhas discretas, nos estandes e nos pavilhões, se negocia a palavra impressa e agora também a virtual. É uma multidão aparentemente silenciosa essa que se movimenta apressada, levando pastas e bolsas cheias de livros, com passos abafados pelos carpetes. De tantos encontros, tantas conversas, quase nada se ouve. De vez em quando, uma aglomeração em frente a algum estande ou pavilhão, é um coquetel ou uma leitura, é uma filmagem ou entrevista para a televisão, um pulsar de trabalho que ainda assim se mantém discreto. 

Mas essa discrição toda desaparece ao fim da semana profissional, quando os editores já se foram e a feira é aberta ao público. O silêncio de que os alemães tanto gostam dá lugar a uma espécie de Japão delirante, pois já há alguns anos tornou-se moda entre os jovens ir fantasiado de personagem de mangá. Cruzei com uma moça pálida que carregava nos braços um falso cadáver, me vi espremida entre três jovens vestidas de bonecas e um homem com asas abertas feitas de facas luminosas, quase pisei na cauda de um dragão, esbarrei em vários samurais. Como em uma festa à fantasia, vai-se para ver e ser visto, para fotografar e ser fotografado, para comer nas inúmeras lanchonetes e nas barracas ao ar livre, e, se possível, para surpreender. Os livros diante dos quais as pessoas se apinham não estão à venda.

Desse universo múltiplo, o Brasil será rei no próximo ano. Como um cetro, o cilindro transparente que contém o compromisso nos foi passado pela Nova Zelândia durante a comovente cerimônia de encerramento. Na escuridão de um espaço sem limites, em que espelhos de água refletiam as luzes salpicadas no alto como estrelas, os maori despediram-se com cantos indígenas. E o Brasil assumiu, com um tocar de violão.

Deveremos nos sentir bem, nessa Frankfurt que pretendemos invadir culturalmente. Centro financeiro mais importante do país, ninho dos grandes bancos, não parece exibi-lo. O Rio Meno a atravessa com a mesma serenidade com que fluía no século 1, quando a cidade foi fundada pelos romanos. Os espigões modernos são pontos de exclamação na paisagem urbana, os plátanos sombreiam as ciclovias e avenidas. 

Do lado de fora da feira há uma enorme escultura, um homem de ferro que levanta o braço direito e martela, e torna a levantá-lo e martela, em interminável repetição do mesmo gesto. É o Trabalhador. Olhando para ele, imaginei-o no ano que vem, folheando um livro repetidamente. Um livro brasileiro.
 
ESTADO DE MINAS
18/10/2012 

Tereza Cruvinel - A batalha do setor elétrico

Todos queremos a redução das tarifas de energia, mas essa proposta foi apresentada às vésperas das eleições, com oportunismo 



Está começando mais uma disputa entre o PT e o PSDB, agora na arena parlamentar, em torno da Medida Provisória nº 579, a chamada MP do Setor Elétrico, editada pela presidente Dilma há um mês, com a promessa de redução das tarifas de energia em 16% para os consumidores residenciais e de até 28% para as empresas. A comissão mista foi instalada ontem, tendo como presidente o líder petista Jilmar Tatto (SP) e como relator o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Começará efetivamente a trabalhar no dia 31. Mas num sinal do baixo consenso existente no Congresso sobre o assunto, 431 emendas já haviam sido apresentadas ontem, indicando que sua aprovação será um parto difícil, exigindo negociações e talvez concessões do governo para fazer valer sua vasta maioria. O PSDB já deixou claro que esticará a corda o quanto puder, e os petistas que vão topar a briga. Além de colocarem o próprio líder na presidência da comissão, escalaram para integrá-la dois soldados da artilharia, Weliton Prado (MG) e Fernando Ferro (PE), que é engenheiro. O PSDB também indicou um especialista, Antonio Imbassahy (BA).

A consequência mais grave da oposição tucana à medida traduz-se na resistência das três usinas da Cemig em aceitar a renovação das concessões nos termos propostos pela MP: com a supressão das amortizações de investimentos, que para o governo já teriam ocorrido (resíduos seriam quitados antecipadamente), e a adoção da nova regra tarifária.

“Não vamos admitir que uma medida fundamental para o crescimento e de interesse da população seja inviabilizada ou desfigurada pelos propósitos políticos do PSDB”, diz Prado, apontando algumas das emendas tucanas apresentadas.

Uma delas, a 287, do deputado Alfredo Kaiser (PR), na prática inviabilizaria a existência da tarifa social para os mais pobres, na medida em que destina ao ressarcimento das perdas do estados com ICMS os recursos da conta que hoje banca esse subsídio.

Imbassahy, pelo PSDB, diz que o governo está na direção certa mas que a MP foi fechada de modo apressado, deixando de ouvir segmentos importantes, como os chamados consumidores livres, entre os quais as grandes indústrias de consumo variável. Tanto é que, diz ele, teria havido divergências entre a Aneel e o Ministério das Minas e Energia sobre a edição. “Achamos que faltou debate e sobrou rigidez. Todos queremos a redução das tarifas mas essa proposta foi apresentada às vésperas das eleições, com oportunismo. Existe incerteza e insegurança dos investidores. A redução das tarifas pode não acontecer da maneira como a presidente anunciou”, diz ele.

O prazo para as concessionárias entregarem a documentação aceitando a renovação dos contratos em novas bases terminou na terça-feira, mas 14 de 123 usinas não apresentaram a documentação. “O governo fará novas licitações para aquelas que não aceitarem a renovação. E vamos mobilizar a população em defesa desta medida de interesse popular”, diz Weliton Prado.

O cabo de guerra está armado. E nós, consumidores, estamos no meio. Nem Dilma, nem Joaquim

Integrantes de um movimento da sociedade civil pela reforma política estiveram na Câmara pedindo aos senhores deputados que coloquem o assunto em pauta. São ecos do julgamento do STF. O presidente da Câmara, Marco Maia, assegura que, depois do segundo turno, a comissão mista encarregada do assunto voltará a debater a proposta do relator Henrique Fontana (PT-RS).

“Vi o ministro Joaquim Barbosa dizer que vai procurar a presidente Dilma para tratar do assunto. Talvez ele não saiba, mas isso não compete nem a ele nem à presidente. É tarefa nossa, e temos aprovado reformas políticas pontuais com frequência. Depois do segundo turno, talvez possamos aprovar pontos mais complexos, como o financiamento público de campanhas e a coincidência das eleições”, disse Maia ontem. 
Guardanapo e iogurte

A disputa da presidência da Câmara vai se armando. Além de Julio Delgado, do PSB mineiro, outro que tem anunciado disposição para ser candidato avulso contra Henrique Eduardo Alves, do PMDB, é Inocêncio Oliveira, do PR. Mas todo mundo na Casa acha que ele busca cacife para negociar um outro cargo na Mesa. Há algumas décadas Inocêncio está sempre na Mesa. “Por isso é que o apelidaram de guardanapo”, conta Marco Maia. No PT, começa uma disputa entre Paulo Teixeira (SP) e André Vargas (PR) pela vice-presidência. “Vocês sabem. No PT, nada é natural. Nem iogurte”, diz ainda o sardônico Maia.

ESTADO DE MINAS
18/10/2012 

CIÊNCIA » Lua, um pedaço da Terra‏

Cientistas do Reino Unido e dos EUA concluem que o satélite natural é uma parte que se desprendeu de nosso planeta, depois do choque com um asteroide. Estudo derruba teoria de cinco décadas 
 

Max Milliano Melo



A Lua, nosso vizinho mais próximo, é motivo de culto em algumas culturas, influencia as marés e simboliza o amor romântico. O fascínio do homem pelo único satélite natural da Terra vem fazendo com que a origem da bola rochosa seja um dos principais enigmas da astronomia. Em um conjunto de artigos publicados nas edições de hoje das duas principais revistas científicas do mundo, a Nature e a Science, um grupo de pesquisadores britânicos e norte-americanos anunciou uma reviravolta na principal teoria sobre o surgimento do astro. Segundo as novas pesquisas, a Lua é um pedaço da Terra, desprendido depois de uma colisão gigante há bilhões de anos.

Os pesquisadores já sabiam que a Lua teria sido formada depois da queda de algum astro na Terra. No entanto, de acordo com a principal teoria vigente desde a década de 1960, uma rocha derretida do asteroide Theia teria dado origem ao satélite. “O objeto que colidiu com o pVlaneta teria sido gigantesco, do tamanho de Marte e com uma massa equivalente a 10% da Terra”, explica Frederic Moynier, cientista da Universidade de Washington e um dos líderes do estudo. A proposta se tornou a mais aceita pela comunidade científica desde a invenção dos computadores modernos. Capazes de cálculos complexos, eles mostraram que, matematicamente, seria possível que o choque criasse a Lua. Tal teoria passou a ser chamada de Big Splash (veja arte).

Esse modelo, no entanto, passou a ser colocado em xeque já no início da década de 1970, quando as primeiras amostras da Lua chegaram à Terra, trazida pelas cápsulas das missões Apollo, que visitaram o satélite, entre 1969 e 1971. Análises químicas feitas nas rochas lunares mostraram que a composição química do satélite era parecida com a da Terra. O impasse permaneceu durante quase quatro décadas. Até que, mais uma vez, o desenvolvimento de instrumentos de análises mais detalhadas permitiu aos cientistas compreenderem a estrutura química lunar. “Nós ainda trabalhamos em rochas coletadas pelas missões Apollo, porém, hoje, temos os tipos mais modernos de instrumento para medir a abundância química com uma precisão muito elevada”, explica Moynier.

Foi o elemento zinco, farto tanto na Terra quanto na Lua, que serviu de guia para os pesquisadores. “Usamos um instrumento chamado espectrômetro de massa com fonte de plasma para medir a abundância de diferentes formas do elemento zinco”, conta o especialista norte-americano. Os isótopos do elemento encontrados na Lua são de um tipo semelhante ao existente na Terra, o que reforçaria a ideia de que o satélite é um pedaço desgarrado de nosso planeta. “ O zinco lunar que encontramos é diferente do zinco terrestre. Essa diferença deve ter se originado em um evento evaporativo gigantesco, muito provavelmente o imenso impacto que deu origem à Lua”, explica.

Condensação No momento do choque, uma grande quantidade de rocha terrestre derretida teria sido lançada para fora da Terra, não se distanciando do planeta graças à força da gravidade. Segundo a nova tese, os isótopos mais densos de zinco se condensaram mais rapidamente, em comparação com as variantes mais leves do elemento. Assim, ao contrário do que se imaginava, não teria sido um processo de vulcanismo o responsável pela presença do zinco lunar, mas uma grande evaporação, ocorrida durante o resfriamento do material terrestre.

Mas o que teria ocorrido com o grande corpo que se chocou com a Terra e causou a explosão? Os cientistas também têm uma teoria para isso: a energia liberada no choque entre o nosso planeta e o asteroide foi capaz de derreter o material que o compunha, depositando a maioria dos resíduos no planeta. Apenas os silicatos mais leves teriam entrado em órbita. Mais tarde, foram acrescidos de outras substâncias vaporizadas, atuando no processo de formação do satélite natural terrestre.

Descoberto um “astro irmão” 


Um grupo de astrônomos da Universidade do Porto, em Portugal, anunciou na edição de hoje da revista Nature, ter encontrado um planeta bastante especial. Na constelação Alpha Centauri B, localizada a apenas 4,3 anos-luz da Terra — um distância bastante pequena, se considerada a escala espacial —, existe um planeta de massa muito similar à da Terra. 

As semelhanças com nosso planeta não param por aí. O astro orbitaria uma estrela com dimensões e idade parecidas às do nosso Sol. Trata-se da primeira vez que uma dupla tão parecida com o Sol e com a Terra são localizados juntos. A proximidade e as característica dele permitem, que no futuro, sondas espaciais possam ser enviadas ao planeta, até agora o mais parecido com o nosso a ser localizado em regiões próximas.

Os especialistas do Observatório de Genebra, na Suíça, e do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, em Portugal, utilizaram um instrumento chamado Harps para visualizar o corpo. O equipamento está instalado no complexo do Observatório Europeu do Sul (ESO), no norte do Chile, o mais potente observatório espacial já construído.

Antes de os entusiastas da vida alienígena começarem a tentar contato com a “nova Terra”, os cientistas mandam um aviso. O planeta está fora da chamada zona habitável — a região distante da estrela onde a temperatura é alta o suficiente para que exista água sob a forma líquida, mas não tão grande para que ela evapore completamente, impedindo o estabelecimento de alguma forma viva. Em resumo: o planeta é um grande deserto rochoso.
 
ESTADO DE MINAS
18/10/2012 

Memória perdida pelo AVC volta com malhação - Marcela Ulhoa‏

Treinos aeróbicos e de resistência muscular podem, em seis meses, reduzir problemas cognitivos de pacientes que sofreram derrame cerebral 
 

Marcela Ulhoa



O derrame cerebral, nome popular do acidente vascular cerebral (AVC), ocorre subitamente em qualquer idade, sexo ou classe social. Ele é a segunda causa de morte no mundo, responsável por 6 milhões de óbitos a cada ano, e a principal causa de incapacitação devido às sequelas. Problemas cognitivos, como perda de memória e dificuldade de concentração, estão entres as consequências do mal. Desconfortos que, segundo pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, podem ser amenizados pela prática de exercícios físicos. 
 
Seis meses de treino aeróbico aliado a atividades de resistência podem melhorar em até 50% dos casos os problemas cognitivos depois do derrame. A atividade física já era conhecida como uma importante aliada na recuperação das funções motoras, também comprometidas pelo AVC, mas é a primeira vez que são estudados os benefícios para o cérebro. De acordo com a médica Susan Marzolin, autora do artigo, o comprometimento cognitivo leve ocorre em até 64% das pessoas que sofrem um derrame e pode aumentar em três vezes o risco de mortalidade depois do problema vascular. “Ele também é associado ao aumento das taxas de institucionalização dos pacientes e à diminuição das atividades funcionais diárias. Além disso, o comprometimento cognitivo aumenta o risco do desenvolvimento de demência”, explica Susan.
 
O que a pesquisadora defende é que levantar peso não só melhora a força muscular, assim como caminhar não ajuda apenas no condicionamento cardiorrespiratório. As duas atividades, quando realizadas em conjunto e com frequência, podem também incentivar a neurogênese dos pacientes que sofreram um AVC. Além disso, ela acrescenta que evidências recentes relacionam a atrofia cerebral e o pobre desempenho cognitivo ao aumento da massa gorda em pessoas com início de Alzheimer. 
 
De acordo com a neurologista Letícia Costa Rebello, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o estudo canadense traz uma nova e importante perspectiva, já que as pesquisas com foco na relação entre exercício e a melhora cognitiva ainda são muito novas e experimentais. “São teorias, hipóteses. Acredita-se que o exercício melhora a oxigenação cerebral e facilita a neurogênese, mas nada é muito tachado.” 
 
A neurologista explica que, quando uma pessoa sofre um AVC, algumas áreas do cérebro ficam inativas. “Aquele pedaço em que ocorreu o derrame fica morto e perde as funções. A partir do momento em que isso ocorre, surge a necessidade de ativar áreas próximas e que possam dar conta das funções do tecido perdido”, ressalta. Os exercícios físicos, nesse sentido, funcionariam como estímulos nessas outras regiões, pois seriam capazes de facilitar o surgimento de novos neurônios.

Campanha Neste ano, a importância da reabilitação de pacientes que sofreram um derrame ganhou destaque especial. O Congresso Internacional de AVC, organizado pela World Stroke Organization (WSO), ocorrido esta semana, teve como lema Eu me importo. Além de focar na educação sobre fatores de risco, sinais de alerta e a urgência do tratamento do AVC, a campanha de 2012 enfatiza a importância do cuidado, depois do derrame, por parte da família, dos cuidadores e das associações de suporte aos pacientes.
 
“A pessoa que tem um AVC vai apresentar um déficit específico, pode ser visual, na fala, motor ou cognitivo. Ela está em uma idade produtiva, trabalhando, mantendo uma família e, de uma hora para outra, fica incapaz de realizar essas mesmas tarefas. Isso é um impacto absurdo na vida dela e na da família”, enfatiza Letícia Rebello.
 
Maria da Graça Silveira e seu marido, Francisco de Assis Linhares, conhecem bem as dificuldades da adaptação. A dona de casa de 62 anos se tratava contra um câncer descoberto no ano passado, quando teve um AVC. “Ela estava respondendo bem à quimioterapia, mas teve um derrame durante esse período. Depois, me aposentei para cuidar dela”, conta Francisco, de 64, que trabalhava como médico intensivista.
 
Atencioso, Francisco acompanha a mulher todos os dias na clínica de reabilitação e comemora a rápida melhora. Depois de dois meses de tratamento, Maria da Graça já consegue movimentar a perna esquerda e, em pouco tempo, deve sair da cadeira de rodas. Os exercícios aeróbicos começaram a ser feitos. No futuro, virão os de resistência muscular. A meta da equipe médica que atende Maria da Graça é fazer com ela esteja caminhando livremente dentro de duas semanas. Depois disso, o foco será a recuperação do movimento de seu braço esquerdo.

Momento certo
 Membro da equipe de médicos responsável pela reabilitação de Maria da Graça, Carlos Gropen, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), ressalta a importância de definir o momento certo para a realização de exercícios em pacientes com AVC em processo de reabilitação. “Se você coloca o paciente antes do tempo para fazer um exercício muito pesado, pode forçar as articulações do joelho dele, por exemplo. Ele começa a andar, mas logo vai parar de novo porque estará lesionado. Precisamos trabalhar juntos, com um grupo formado por fisioterapeutas, médicos, fonoaudiólogos, psicólogos.” 
 
Gropen reforça ainda que é importante desmistificar a ideia de que há o tempo máximo de um ano para que as funções perdidas pelo AVC possam ser recuperadas. “Já existem casos comprovados na literatura de pessoas que recuperaram movimento depois de sete, oito anos”, diz. O médico reforça a importância de incentivar os pacientes e mostrar a eles que é possível ter qualidade de vida mesmo após um AVC.

Marido e marido. Mulher e mulher - Flávia Ayer e Paula Sarapu‏

Novos dados do IBGE mostram que minas, conhecida por ser tradicional, é o terceiro estado com mais homossexuais vivendo juntos. Tiradentes e duas cidades da Zona da Mata estão entre as cinco do país com maior percentual de gays sob o mesmo teto 
 

Flávia Ayer e Paula Sarapu


Apesar da fama de tradicional, Minas Gerais é o terceiro estado onde há maior concentração de casais gays morando sob o mesmo teto, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. A constatação vem de dados do Censo 2010, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela primeira vez, o órgão investigou a fundo famílias formadas por homossexuais e identificou que, do total de 67,4 mil casais gays que vivem juntos no país, 4,9 mil (7,3%) moram em Minas, que ainda figura no topo de outro ranking: Tiradentes, nos Campos das Vertentes, e Rodeiro e Pequeri, na Zona da Mata, estão entre as cinco cidades brasileiras onde há, proporcionalmente, mais gays que decidiram juntar as escovas de dente. 

O Censo 2010 mostrou também que a maioria quase absoluta dessa população vivia em união consensual. Mais da metade desses casais se encontrava na Região Sudeste e que um quarto dos casados com pessoas do mesmo sexo tem nível superior completo. A maioria dos homossexuais entrevistados se declarou católica (47,4%), seguida por pessoas sem religião (20,4%). 

Apesar da vida a dois assumida por homossexuais, Minas mantém comportamentos conservadores e, 10 anos depois do último Censo, continua com o menor percentual do país de casais vivendo em união consensual, 25,9%. O número, entretanto, representa um salto significativo, se considerado que, em 2000, apenas 18,8% dos casados em Minas viviam em união consensual, mas está longe de alcançar os 36,4% no Brasil em 2010.

De acordo com a demógrafa do IBGE Luciene Longo, Minas é um estado onde a força da religião e dos costumes se mantém, mas, por ser o segundo estado mais populoso, acaba tendo peso maior na ruptura dessas tradições, caso das uniões homoafetivas. “Como Minas tem uma população grande, com mais de 19 milhões de habitantes, é natural que tenha número maior de casais de homossexuais”, afirma Luciene.

Traços mais liberais estão presentes em municípios do interior, figuram no topo do ranking das cidades com maior concentração de casais homossexuais vivendo sob o mesmo teto, em relação ao total da população. Com 6,9 mil habitantes, Tiradentes, a 190 quilômetros da capital, é a terceira na lista, atrás apenas de Águas de São Pedro e São João de Iracema, ambas em São Paulo. A cidade histórica é seguida por Pequeri, com 3,1 mil moradores, e Rodeiro, com 6,8 mil pessoas. 

Enquanto a média nacional é de 0,03% dos cônjuges morando com pessoas do mesmo sexo, Tiradentes, Pequeri e Rodeiro têm percentual de 0,14%, 0,13% e 0,12%, respectivamente. “Primeiramente, há de se considerar que tratamos de números pequenos. Apesar disso, observamos que todas as cidades estão próximas do Rio de Janeiro, um estado mais liberal”, avalia Luciene.

O jovem tiradentino Rodrigo Giovani dos Santos, de 27 anos, ilustra bem essa estatística. Ele mantém união estável com o contador Igor Vanucci Gonçalvez Jacques, de 26, que há dois anos se mudou para a cidade histórica, onde os dois vivem juntos. Rodrigo trabalha numa pousada e acredita que a diversidade de frequentadores de Tiradentes estimula um perfil mais liberal. “Apesar de ser uma cidade religiosa, não há preconceito. Minha família também tem princípios bem mineiros, do interior mesmo, mas recebeu o Igor muito bem”, conta Rodrigo, que é católico e quer passar a união estável para casamento, para adotar uma criança. 

Segundo o rapaz, Tiradentes recebe bem os casais homoafetivos. “Nossa cidade é muito tranquila e o número de gays vem aumentando nos últimos anos. Creio que eles se sentem bem por aqui”, diz. “Vamos juntos ao bares, andamos de mãos dadas quando queremos e não percebo olhar torto para a gente. Só vi isso uma vez, mas nem partiu de morador, foi um turista que falou bobagem”, conta Igor, que é budista. “Nós dividimos as despesas e tudo o que compramos para a casa. A gente curte ficar em casa juntos e aproveitamos bastante a companhia um do outro nos eventos da cidade”, acrescenta.



ESCOLHA SEM MEDO

Juntas há 18 anos, as professoras Celeste Libania, de 43 anos, e Rosane de Almeida Pires, de 47, de Belo Horizonte, veem uma realidade diferente da qual enfrentavam e já começam a expor sua opção sexual numa sociedade mais receptiva e respeitosa, acredita Celeste. “As mulheres já andam de mãos dadas nas ruas e isso era impossível para a gente”, conta ela, que ainda se sente desconfortável em demonstrar esse tipo de carinho em determinados lugares. 

Celeste lembra que os homossexuais da sua geração levavam mais tempo para assumir a escolha. No caso dela, isso ocorreu aos 25 anos, depois até de se relacionar com homens. Ela diz que a sociedade passou a discutir mais o assunto, deixando de acreditar nos estereótipos. “No passado, a gente se descobria ou se revelava bem mais tarde. Mas acho que essa tranquilidade crescente que a gente percebe nas ruas com os homoafetivos está ligada à forma como nos colocamos diante da sociedade. Na minha época, a sociedade era mais preconceituosa e a ideia que se fazia era de promiscuidade. No país, 53,8% dos casais homossexuais que moram juntos são mulheres, segundo o Censo 2010.

Para o coordenador geral do Movimento Gay de São João del-Rei e Região das Vertentes, Carlos Bem, Tiradentes é uma cidade gay friendly. “Os eventos que movimentam a cidade sempre recebem muita gente de fora, inclusive homossexuais. Vem muita gente de outros estados e outros países até para abrir restaurantes e pousadas. Essa pode ser uma das hipóteses para a cidade estar se destacando dessa forma.” 

Raça predomina na escolha de parceiro 
Publicação: 18/10/2012 04:00
Brasília – A pesquisa do IBGE comprova que a raça é fator predominante na escolha de parceiros conjugais. Dados do Censo 2010 mostram que 70% dos casamentos no país ocorrem entre pessoas de mesma cor e que as mulheres pretas (7% da população) são as que menos se casam. Entre os fatores que levados em conta na escolha de um parceiro estão a renda, a educação e a cor ou raça. São esses quesitos que influenciam a miscigenação e a mobilidade social, explica o pesquisador José Luis Petruccelli.

Nos últimos 10 anos, as uniões em função da cor ou raça praticamente não se alteraram. Em 2010, 69,3% das pessoas se uniram a outras de mesma cor ou raça, sendo que, em 2000, eram 70,9%. Se os casamentos não fossem influenciadas por questões raciais, o índice deveria ser em torno de 50%, embora já tenha sido de 80% em 1980.

“Isso desconstrói o mito da altíssima miscigenação e da harmonia racial. Há uma seletividade, há um viés pela escolha do parceiro por cor ou raça”, disse Petruccelli. Como os pretos e pardos (negros) estão entre os grupos com menor rendimento e nível de instrução, o pesquisador lembra que há uma “justaposição” de fatores que indicam uma “racialização” na escolha do parceiros.

O casamento entre pessoas de mesma cor ou raça é maior entre os brancos (74,5%), pardos (68,5%) e índios (65%), neste caso, relacionado à preservação dos povos. Entre homens e mulheres, chama a atenção a maior possibilidade de mulheres pretas ficarem solteiras. Entre as brasileiras com mais de 50 anos, elas são maioria na categoria “celibato definitivo”, que nunca viveram com cônjuge.

Atualmente, 68,2% da população se casaram com pessoas do mesmo nível de instrução. As mulheres são mais exigentes, nesse critério. Do total de profissionais com ensino superior completo, 51% delas escolheram homens desse grupo. Entre eles, 47% fizeram escolha semelhante.

NÚMERO DE CASAIS SEM FILHOS AUMENTOU 
Publicação: 18/10/2012 04:00

Filhos estão perdendo espaço na família brasileira. De acordo com o Censo 2010, mais de um quinto (20,2%) das famílias era formado por casais sem filhos, enquanto em 2000 esse percentual era de 14,9%. Minas, apesar de uma diferença mais pequena,  apresentou também acréscimo no número de casais sem filhos (de 11% para 13,4% das famílias).

De acordo com a demógrafa  Luciene Longo, o aumento está ligado tanto à opção por não ter herdeiros, mas também ao fato de casais estarem postergando a paternidade. “Há também influência de maior expectativa de vida, os filhos se casam e os pais continuam morando sozinhos”, comenta. O Censo também mostrou que 13,1% das famílias em Minas são formadas por mulheres sem marido e com filhos, enquanto o contrário, quando o marido vive sozinho com os filhos, representa apenas 1,9%.

O Censo mostrou um aumento das famílias sob responsabilidade das mulheres, que passou de 22,2% em 2000 para 37,3% em 2010. Uma novidade foi a investigação sobre a responsabilidade compartilhada entre o casal. Nos domicílios ocupados por apenas uma família, 34,5% estavam nessa condição, o que soma 15,8 milhões de casas.

De acordo com o técnico do IBGE Gilson Mattos, nas famílias secundárias, que convivem com a principal, foi verificado que 53,5% são chefiadas só por mulheres. “Provavelmente, por conta de um divórcio, uma filha volta para a casa dos pais ou a filha tem um filho, mas não contrai matrimônio, continua na casa dos pais.”

Outro dado divulgado foi o aumento na proporção de unidades domésticas unipessoais (com apenas um morador), que passaram de 9,2%, em 2001, para 12,1% em 2010. A coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Saboia, explica que, em muitos casos, são idosos cujos filhos já saíram de casa e perderam seus cônjuges. 

FAMÍLIAS RECONSTITUÍDAS


Pela primeira vez, o Censo 2010 incluiu no questionário aplicado a todos os domicílios a pergunta sobre a situação dos filhos nas famílias. Foi verificado se o filho é do casal, apenas do responsável ou apenas do cônjuge, além de outras configurações. A coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Sabóia, chama a atenção para essa nova classificação, chamada pelo IBGE de famílias reconstituídas, que somam em torno de 16% do total.

“Até então, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) e pelo Censo, o Brasil era um mar de tranquilidade, todo mundo era casal com filho, mas você não sabia filhos de quem eles eram. Esse perfil mudou um pouco, tem a ver com o senso comum, de que hoje está havendo mais divórcios, as pessoas se juntam em configurações que não são as tradicionais. Você ouve falar do casal: o meu filho, o seu filho e os nossos filhos”, explicou.

O Censo 2010 registrou 57 milhões de unidades domésticas. Desse total, quase 50 milhões eram habitadas por duas pessoas ou mais com parentesco. Mas a pesquisa mostrou que existem 4 milhões de unidades domésticas com famílias conviventes, proporção que subiu de 13,9%, em 2001, para 15,4%. Além disso, 91% dessas têm apenas dois núcleos familiares, mas 3,6 mil casas tinha cinco ou mais famílias.

Gilson Mattos ressalta que a maioria das famílias é do tipo mais tradicional.  (FA e agências)


EMIGRAÇÃO
Minas Gerais é o estado com maior população morando fora, de acordo com o dados do Censo 2010. São mais de 3,6 milhões de mineiros, o equivalente a 13,6% da população, residindo para além das divisas estaduais. A maior parte teve como destino o estado de São Paulo, onde moravam, em 2010, 1,6 milhão de mineiros. Entre chegadas e partidas, Minas perde mais população do que ganha e, apesar de contabilizar mais de 21 milhões de pessoas naturais do estado, tem 19,8 milhões de habitantes. Depois de Minas, Bahia (3,1 milhões), São Paulo (2,4 milhões) e Paraná (2,2 milhões) foram os estados com os maiores volumes de população natural residindo em outras unidades da federação. A maior parcela dos não naturais residentes no Rio de Janeiro nasceu em Minas, Paraíba e Ceará, que, juntos, alcançaram 45,9% do total de não naturais.

Evangélicos se casam mais 
Segmento é o que registrou o maior percentual de uniões formais entre todas as religiões, de acordo com o Censo 2010. Maior quantidade de divórcios ocorre entre os espíritas 
Flávia Ayer e Paula Sarapu
 “Se os evangélicos se casam mais, é porque essa é a orientação da Bíblia”, diz o pastor Sérgio Ricardo Carvalho de Oliveira, de 38 anos, casado há 13 anos com Aline Pereira de Oliveira, de 32. É dessa forma que o líder religioso justifica o fato de haver maior concentração de casados entre os evangélicos do que em qualquer outra religião, de acordo com dados do Censo 2010, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo em Minas conta com 43% de casados e apenas 19,9% de uniões consensuais.

Com dois filhos, Sérgio Ricardo e a mulher se conheceram na igreja, no grupo de jovens do qual também participava o irmão dela. O namoro durou três anos e meio e, então, eles assinaram os papéis e ganharam a bênção de Deus. Sérgio diz que casar e constituir família são objetivos de vida dos evangélicos, que passam pela importância da castidade, símbolo pregado à juventude. “Normalmente, os evangélicos se casam com pessoas da mesma religião por questão de afinidade, por convivência mais próxima e por buscarem as mesmas diretrizes para cuidar da família”, explica o pastor.

O levantamento do IBGE, que faz o cruzamento de dados de nupcialidade com religião e grau de instrução, aponta ainda maior percentual de divorciados entre espíritas e de uniões consensuais entre aqueles que se declararam sem religião. Enquanto a média de divorciados gira em torno dos 3% entre católicos e evangélicos, no grupo de espíritas, esse percentual chega a 6,9%. Já em relação às uniões consensuais, enquanto nas demais crenças os números não ultrapassam os 30%, entre o grupo dos sem religião, as uniões sem papel passado chegam a 47,7% do total.

De acordo com a analista do IBGE, a demógrafa Luciene Longo, os dados do Censo 2010 reforçam que o casamento formal está vinculado também com o perfil socioeconômico. “Casar formalmente é caro e, por isso, muitos casais com renda mais baixa optam por morar juntos e dispensam formalidades. Enquanto entre mineiros de 30 a 34 anos, com renda superior a 20 salários mínimos, o casamento no civil e no religioso chega a 64% das uniões, entre pessoas da mesma faixa etária e renda que vai de dois a três salários mínimos, 44% das uniões são firmadas no cartório e abençoadas na igreja. 

UNIÃO FORMAL
 A demógrafa Ana Paula de Andrade Verona, do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)/Cedeplar, reforça que a religião é apenas um dos aspectos que pode influenciar o casamento. No caso dos evangélicos, por exemplo, ela diz que algumas igrejas pentecostais assumem claramente a preferência pela união formal, mas lembra que a renda e a escolaridade contam também muito na decisão dos casais.

“Em geral, as igrejas pentecostais, que em grande parte são protestantes, falam sobre a preferência do casamento formal, como a melhor saída. Não se pode garantir só a influência da religião porque há outros aspectos que também se relacionam, como a renda e a escolaridade. Sabe-se que quem tem renda mais alta costuma formalizar mais a união também. Por isso, os espíritas poderiam estar mais expostos ao divórcio, uma vez que pertencem a uma das religiões com número de seguidores de renda mais alta e escolaridade maior", explica.

Segundo ela, os dados do IBGE são informações de momento porque, no caso da religião, permite-se mudança. “Intuitivamente, poderíamos dizer que o ateu não se casa formalmente porque não acredita em normas de comportamento, já que não tem uma crença religiosa nem frequenta a igreja. Mas não sabemos o passado dessa pessoa e por isso não dá para avaliar completamente essa relação", explica Ana Paula.
ESTADO DE MINAS
18/10/2012

Fui!!! - Tomaz de Alvarenga‏

Fãs de bandas internacionais viajam para o exterior para ver os ídolos no palco. Sai mais em conta ir à Argentina ou ao Chile do que curtir o mesmo show na capital paulista 
 

Tomaz de Alvarenga


FILAS No Brasil, muitos fãs enfrentam problemas no momento de comprar ingressos, além de longas filas e da logística complicada para chegar ao local do show. Nem sempre o transporte público e o planejamento de trânsito funcionam a contento, sobretudo em dia de megaevento. Esse é outro motivo que pesa a favor do exterior.

A designer gráfica Carolina de Sá, de 28, preferiu o Lollapalooza chileno, pois não ficou satisfeita com a edição brasileira deste ano. “Não achei bom, principalmente pelo preço que paguei. Havia muitas filas: para entrar, comer, ir ao banheiro... O festival é caro, mas os outros também são. Fiquei me questionando sobre o fato de o brasileiro se empolgar facilmente e sempre pagar o preço que for, sem exigir bons serviços. Vou ao Chile em protesto pelos serviços caros e ruins aqui no Brasil”, afirma Carolina.

Pela segunda vez, a arquiteta Gabriela Pires Machado, de 29, vai bater ponto na edição chilena do Lollapalooza. “No exterior, a infraestrutura é muito bem pensada em prol do conforto das pessoas. O público é um pouco mais pacato que o brasileiro, pois o pessoal aqui é insano. Lá fora você pode ficar perto da grade sem correr o risco de ser pisoteado”, compara.

 Mas o Chile tem lá suas desvantagens: “A única coisa ruim é o fato de não poder beber. Mas até isso assimilei de uma forma positiva. Lá a lei proíbe bebida em áreas públicas, mas as pessoas se divertem. Então, a ideia é aprender a se divertir do jeito deles”, conclui a arquiteta.
(Colaborou Letícia Orlandi)

NA PONTA DO LÁPIS


O Brasil é a bola da vez no mercado globalizado de megashows. Paul McCartney, Roger Waters, Pearl Jam e Rage Against the Machine são apenas alguns dos astros que já se apresentaram por aqui. Este ano, são aguardados Kiss, Madonna e Robert Plant, que desembarca em BH no fim de semana.

A economia aquecida facitou o acesso do brasileiro a eventos culturais. Prova disso é a considerável presença do público em megashows. Muita gente reclama dos preços salgados, mas paga. Outros viajam para o exterior atrás dos ídolos. Acredite se quiser: pode ficar mais em conta, com a vantagem dos passeios e do contato com outro povo.

Fã da banda Foo Fighters, Heleno de Lima Marques, de 31 anos, mora em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Ano passado, ao fazer as contas de quanto ele e a namorada gastariam para ir a São Paulo assistir ao show dos americanos, no festival Lollapalooza Brasil, o funcionário público não pensou duas vezes: comprou passagem para Buenos Aires.

“O ingresso é mais barato, o transporte fica um pouco mais caro. Mas nada que um bom planejamento não consiga compensar se a gente ficar atento às promoções. Os custos de hospedagem são semelhantes, porém o câmbio continua vantajoso. Detalhe: na Argentina não tem meia-entrada, o preço é único”, afirma Heleno. O ingresso mais barato para o show portenho do Foo Fighters, no projeto Quilmes rock, custava a partir de R$ 85.

O programador Fábio Galdo, de 27, mora em São Paulo. Apesar da boa oferta de shows internacionais em sua cidade, ele também foi para Buenos Aires atrás do Metallica, em janeiro de 2010. “Gastei cerca de R$ 90 com ingressos de pista. Não tinha área vip, eu poderia ficar até perto do palco. A passagem São Paulo/Buenos Aires custou R$ 380”, conta. A mesma turnê chegou ao paulistano Morumbi com entradas variando de R$ 150 (arquibancada mais distante) a R$ 500 (pista vip).

Ano que vem, Fábio vai fazer as malas novamente – desta vez rumo ao Chile. Ele e a namorada querem conferir o festival Lollapalooza, em Santiago. Enquanto a edição brasileira do evento (marcada para 29 a 31 de março) oferecia passaporte para três dias por R$ 1.080 (R$ 900 mais 20% de taxa de conveniência), o evento chileno ocorrerá apenas em 6 e 7 de abril, na semana seguinte. Somando o valor do ingresso para os dois dias, impostos, taxas de cartão de crédito e taxa de conveniência local, o passaporte chileno saiu por cerca de R$ 380.

A matemática seduz: no caso dos mineiros, há passagens aéreas a valores atraentes. O bilhete Belo Horizonte-Santiago, ida e volta, sem taxas, custa a partir de R$ 500. Além do show mais em conta, a oportunidade de conhecer outra cidade é tentadora. “Vou aproveitar e ficar uma semana no Chile com minha namorada. Quero conhecer Santiago”, diz Fábio Galdo.

A superstar Madonna vem aí e pode também estimular um passeio à Argentina. Em dezembro, ela vai cantar em São Paulo e em Buenos Aires. Dependendo do local em que o fã quiser se sentar, ele pagará menos pelas passagens e pela entrada se viajar para a terra dos hermanos.

Madonna vem aí...

>> Lollapalooza Chile
6 e 7 de abril de 2013, em Santiago
 
. Passagem BH/Santiago/BH 
(saída: 6/4; volta: 8/4) – R$ 670 
(R$ 500 + R$ 170, taxas), na TAM
. Passaporte Lollapalooza Chile  
US$ 199 (cerca de R$ 405). Ingressos para os dois dias, somadas taxas de conveniência e impostos 
. Hospedagem no Chile  
R$ 53 por pessoa/dia, em média (albergue, quarto para duas ou três pessoas com banheiro). Dois pernoites custam R$ 106

TOTAL: R$ 1.181

>> Lollapalooza Brasil
29 a 31 de março de 2013, em São Paulo
 
. Passagem BH/São Paulo/BH (saída:29/3; volta 1º/4) – R$ 412 
(R$ 369 R$ 43, taxas), na TAM
. Passaporte Lollapalooza Brasil  
R$ 1.080/inteira (três dias, com taxas de conveniência). A meia-entrada sai por R$ 540.
. Hospedagem em SP 
R$ 55 por pessoa, por dia (albergue, quarto duplo com banheiro próprio). 
Três pernoites custam R$ 165.
 
TOTAL: R$ 1.657 
(inteira)
TOTAL: R$ 1.117 
(com meia-entrada)

>> São Paulo
4 de dezembro
 
. Ingressos
De R$ 85 a R$ 850. Taxa de conveniência no valor de 8% do ingresso. Taxa de entrega varia de acordo com o local.
. Passagens
BH-SP-BH (saída 4/12, volta 5/12)
R$ 554 R$ 43,14 (taxas) = 
R$ 597,14 (TAM)
 
TOTAL: de R$ 688,94 a 
R$ 1.515,14 (sem hospedagem)

>> Buenos Aires
13 de dezembro
 
. Ingressos
De R$ 107 a R$ 690 taxa de entrega de 8%
. Passagens
BH-Buenos Aires-BH (saída 13/12, volta 16/12)
R$ 559,65 R$ 210,75 (taxas) = 
R$ 770,40 (TAM)
 
TOTAL: de R$ 905,58 a 
R$ 1.488,58
 (sem hospedagem)




Agenda animada 
Produtores chilenos estão de olho nos fãs brasileiros. Megashows se espalham por países sul-americanos
 

Tomaz de Alvarenga e Eduardo Tristão Girão
Publicação: 18/10/2012 04:00
Maximiliano Del Río, um dos diretores do Lollapalooza Chile, afirma que a migração de fãs para Santiago é condizente com a cultura do festival, que espera receber mais brasileiros no ano que vem. “A mistura de culturas é um de nossos propósitos. Ano passado, cerca de 10% do nosso público era formado por estrangeiros. Esperamos que esse percentual aumente em 2013”, afirma.

Por sua vez, Marcelo Frazão, diretor executivo da Geo Eventos, que organiza o Lollapalooza Brasil, diz que não há discrepância nos valores dos ingressos brasileiros e estrangeiros.

Na opinião dele, é “um grande equívoco” considerar, a título de comparação, o valor de inteira de qualquer show ou festival no Brasil, pois essa entrada se destina, no máximo, a 15% a 20% do público. “Em dólar, o ingresso chileno tem aproximadamente o mesmo valor do ingresso médio do Lollapalooza Brasil, considerando 85% das vendas com meia-entrada”, argumenta.

Frazão afirma que, no fim de semana do festival, há grande fluxo turístico para a capital paulista. Mas admite: poucos fãs de outros países vêm conferir o Lollapalooza Brasil. 

MÉXICO Se a ideia é aproveitar o preço vantajoso do ingresso no exterior para conhecer países vizinhos, opção de passeio é o que não falta. A maioria dos artistas estrangeiros que se apresentam no Brasil nos próximos meses também tem na agenda outras datas na América do Sul. Argentina e Chile são os principais destinos, mas há casos de turnês programadas para até cinco países do continente. Se a disposição e o dinheiro forem um pouco maiores, dá para conferir shows até em Porto Rico e no México.

Simple Plan e Lady Gaga lideram as opções. A banda canadense, que faz hoje seu último show no Brasil (São Paulo), toca sábado na Argentina e, de lá, segue para o Chile (dia 22), Peru (24), Colômbia (26) e Equador (30). Já a cantora norte-americana, com três datas agendadas no país mês que vem (Rio de Janeiro, dia 9; São Paulo, dia 11; Porto Alegre, dia 13), passará pela Colômbia (6), Argentina (16), Chile (20), Peru (23) e Paraguai (26).

Como de costume, muitos desses artistas passarão por Porto Alegre (RS), entre outras capitais brasileiras, deixando Belo Horizonte de fora. Por esse motivo, vale ficar atento em relação ao Uruguai (Montevidéu fica a cerca de 800 quilômetros da capital gaúcha), que receberá shows do guitarrista Slash (13 do mês que vem) e da cantora Norah Jones (7 de dezembro). A pouco mais de 900 quilômetros de Curitiba (PR), Assunção (Paraguai), por sua vez, terá Kiss (12 do mês que vem), além de Lady Gaga. (Com Letícia Orlandi)


ESTADO DE MINAS
18/10/2012