domingo, 17 de fevereiro de 2013

Perfil: Tarcisio Bertone

Secretário de Estado é posto à prova na Santa Sé

  • Cardeal conservador tem seu caráter fortemente exaltado pelo Papa, mas opositores acusam-no de corrupção. E de manipular Bento XVI


Parceria irrestrita. Bertone passa pelo Papa na missa da Quarta-Feira de Cinzas
Foto: AFP/GABRIEL BOUYS
Parceria irrestrita. Bertone passa pelo Papa na missa da Quarta-Feira de Cinzas 
Antes mesmo de terminar a digitação de todos os caracteres de “Tarcisio Bertone”, o buscador Google sugere ao internauta três complementos. O primeiro, “Pedro, o Romano”, se refere à suposta designação do último Pontífice da Igreja Católica, conforme a profecia de São Malaquias. Em seguida, aparecem como sugestões “anticristo” e “próximo Papa”. A antítese da internet reflete a realidade exposta nesta semana pela renúncia de Bento XVI: dentro de uma Cúria fragmentada, o secretário de Estado e camerlengo do Vaticano parece ter defensores apaixonadamente fiéis. E inimigos igualmente ferozes.

LEIA AQUI

Uma Sé nada Santa

  • Cúria Romana é apontada como palco de intrigas que levaram Papa a abdicar
Deborah Berlinck

A cadeira do Papa Bento XVI aparece vaga na Basílica de São Pedro logo antes da missa da Quarta-Feira de Cinzas: disputa pelo novo ocupante do cargo expõe isolamento do Pontífice e brigas internas
Foto: AP/13-2-2013
A cadeira do Papa Bento XVI aparece vaga na Basílica de São Pedro logo antes da missa da Quarta-Feira de Cinzas: disputa pelo novo ocupante do cargo expõe isolamento do Pontífice e brigas internas 
ROMA — O Papa Bento XVI, ao anunciar sua renúncia, provocou um cataclismo no Vaticano. E agora? Seus detratores viram o gesto como a reação de um homem que não teve punho para governar uma Igreja tomada por disputas, carreirismo e escândalos. Mas outros viram um gesto revolucionário. Consciente de seu isolamento, e sentindo o peso da idade, Bento XVI deu o passo impensável para provocar justamente o que buscava: um choque de mudanças na Igreja e na Cúria Romana — o conjunto de órgãos e pessoas que o auxiliam e que, no fundo, governam o Vaticano e a Igreja. Vaticanistas têm apontado o centro de poder da Santa Sé como o palco onde se desenrolou o drama que levou a um desfecho há 600 anos não visto: a abdicação do Pontífice.

PERFIL Luiz Oscar Niemeyer

O cara do rock que colocou o Brasil na rota dos megashows



Astros no currículo. Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe estrelas como Elton John, Paul Simon, Bob Dylan e Stevie Wonder, planeja agora a turnê dos 30 anos do Paralamas do Sucesso
Foto: Ana Branco / O Globo
Astros no currículo. Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe estrelas como Elton John, Paul Simon, Bob Dylan e Stevie Wonder, planeja agora a turnê dos 30 anos do Paralamas do Sucesso 
RIO — Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe para o país grandes astros da música internacional, anuncia uma turnê para festejar os 30 anos do Paralamas do Sucesso, que começa dia 20 de abril em São Paulo.
Ele tinha tudo para se tornar um médico grifado, mas acabou se transformando num dos maiores nomes do showbusiness brasileiro. Filho do neurocirurgião Paulo Niemeyer e irmão do também neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, o empresário Luiz Oscar Niemeyer se convenceu cedo que a medicina é um sacerdócio e preferiu seguir outros caminhos. Ponto para a música. Foi ele quem colocou o Brasil na rota dos grandes astros internacionais. Em 1990, trouxe Paul McCartney ao país, uma turnê que marcou a carreira do ex-Beatles e bateu todos os recordes de público. Um dos shows, realizado no Maracanã, foi assistido por mais de 180 mil pessoas e entrou para o livro dos recordes como a maior audiência de todos os tempos de um único artista. Em 2011, ele trouxe Paul novamente para uma série de shows em Porto Alegre, São Paulo e Rio.

Cinzas do vício - Humberto Werneck

Humberto Werneck - O Estado de S.Paulo 
 
Ameacei contar, dois domingos atrás, como foi que cortei, sem um pingo de heroísmo, meus três maços diários de cigarro, no remoto ano 81 do século 20. Mas tiene muchas ramas el árbol de mi conversación (esta é do Pablo Neruda), tantas que, desgarrado, acabei não desembuchando um episódio que pode ser assim resumido: parei de fumar porque fumei demais. Enjoei. Nos últimos tempos, acendia um cigarro sem ver que outro ardia no cinzeiro. Como esses amores vencidos que por inércia vão remanescendo, aquilo já não tinha gosto. De manhã, adiava o instante de acender o primeiro, por conhecer de sobra o mal-estar que me traria; a vontade era começar pelo segundo. 
 

Volta das férias - João Ubaldo Ribeiro

Como alguns - ou muitos, quem sabe - de vocês temiam, não foi ainda desta vez que desapareci em Itaparica, para nunca mais ser visto. Houve a tentação e a oportunidade, mas resisti, desconfiado do que queriam dizer os sorrisos dos interlocutores, quando se inteiravam dessa possibilidade. E aí eis-me de volta, naturalmente trazendo-lhes a narrativa de alguns dos empolgantes acontecimentos que marcaram minhas férias. Como todos os escolares de meu tempo, treinei para isso no colégio. A diferença está em que, nessa época, a maioria de nós contava as piores lorotas sobre as férias, ou com o objetivo de impressionar uma colega e talvez a professora (eu mesmo era suspirosamente apaixonado pela minha professora de português, no antigo ginásio), ou porque as férias de verdade não tinham sido das mais famosas. Mas o que se segue não são lorotas e está aí Itaparica inteira, que não me deixa mentir.

LEIA AQUI

Para a lua de Saturno - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O ESTADÃO - 17/02

A Natureza está finalmente reagindo e pretende nos varrer da face da Terra?

Há momentos na vida em que o Homem (aí subentendida a Mulher também) chega assim a um promontório filosófico, de onde avista o caminho que já percorreu e o caminho que ainda precisa andar ou, se ele tiver sorte e aparecer um táxi, rodar. São momentos de grave introspecção em que o Homem faz um inventário de si mesmo seus sonhos, suas desilusões, suas possibilidades, e onde diabo enfiei o antiácido? e se faz perguntas. Valeu a pena? Devo continuar? Aproveito o promontório e me atiro? Quem sou eu e por que estou aqui falando sozinho? 


 LEIA AQUI

Tostão - História, sorte e acaso

FOLHA DE SP - 17/02/2013

A história do futebol, do mundo e das pessoas costuma ser mal contada e/ou distorcida


No futebol, pelas inúmeras possibilidades de explicar os fatos, a história é, com frequência, mal contada e/ou distorcida. A versão que fica não costuma ser a mais correta, e sim a mais interessante, a que dá mais audiência. Além disso, nossas lembranças afetivas, das quais não temos nenhuma dúvida, estão mais próximas de nossas imaginações e desejos do que da realidade. O ser humano mente muito, com ou sem intenção.


LEIA AQUI

A igreja, o papa e a democracia - CLÓVIS ROSSI

A fé pode sobreviver por outros dois milênios e até mais, mas, sem se abrir, o papado perde força

ROMA - Suzana Singer, a competentíssima jornalista e ombudsman desta Folha, cobrou, na quinta-feira, em sua crítica interna: "Falta tentar mensurar o tamanho do poder do papa. Qual a sua real influência fora do mundo clerical?".

Coincidência, Suzana, mas eu vinha pensando nisso desde a segunda-feira em que aFolha me cortou as férias para cobrir a renúncia de Bento 16. Só sinto que minha soberba ainda não tenha chegado ao ponto de achar que posso responder.


LEIA AQUI

Deus hipotético - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 17/02/2013

Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição. A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas. Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão do comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo – o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma – seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição. 


LEIA AQUI

Elio Gaspari - Governos espetaculares fazem espetáculos

A seca nordestina exibe a opção dos governos pelas marquetagens para empulhar quem paga imposto
Desde o ano passado o semiárido nordestino atravessa uma grave seca. Na Bahia, Sergipe, Alagoas e Maranhão, 75% dos municípios estão em estado de emergência. No Ceará, são 177 em 184. Lá, as chuvas do ano passado ficaram em metade da média habitual e neste ano estão abaixo do terço (55,1 milímetros contra 161,8). Há 136 municípios dependendo de carros-pipa para atender perto de um milhão de pessoas. Em algumas cidades as escolas dependem do socorro de vizinhos.

LEIA AQUI

Janio de Freitas - Cair na rede

Movimento de Marina pode sistematizar a repulsa intuitiva do eleitor a tudo que leva o nome de partido
Dê no que der como resultado eleitoral, o movimento que Marina Silva começa para constituir um partido seu na disputa pela Presidência tende a cumprir um papel político e social de muita utilidade. A ideia de denominá-lo Rede já é sugestiva, nem tanto por sugerir internet, mas pela identificação com a repulsa tão difundida a tudo que leve o nome de partido.

LEIA AQUI

Ferreira Gullar - Esculhambação

Todos usam o poder que detêm para tirar vantagens. O interesse público é sua moeda de troca
A tragédia de Santa Maria impactou o país pela quantidade de mortes que ocasionou mas também pelo que significa no quadro da realidade brasileira: a denúncia da irresponsabilidade que tomou conta do país.

LEIA AQUI

Corda e cor - Caetano Veloso


Estou longe agora, mas me orgulho de que se precise golpear tanto o carnaval da Bahia

Li com interesse e carinho a entrevista de João Jorge, o fundador e presidente do Olodum e meu amigo, à “Folha de S.Paulo”. A chamada de primeira página dava um gosto tipicamente “Folha” à matéria: Ivete Sangalo seria a única artista do carnaval baiano. Ser esse um carnaval de uma artista só, completava o corpo da reportagem amparado em falas de João, tinha um motivo: a artista era branca. Para um baiano que vive e observa o carnaval de Salvador desde 1960, essas declarações parecem absurdas. Passei uma noite na rua em Ondina, onde culmina o circuito Barra-Ondina do carnaval soteropolitano. Brinquei na pipoca ao som e à luz do Psirico, de Daniela, do 8794 e de um outro cujo nome não lembro mas que tinha a ver com música sertaneja. Psirico e Daniela são estrelas das ruas carnavalescas da Bahia pelo menos tão grandes quanto Ivete.

LEIA EM:

FALA CAETANO

O GLOBO

sábado, 16 de fevereiro de 2013

SABÁTICO

GUERRA E PAZ NA HISTÓRIA AFRICANA

Mayombe e A Geração da Utopia, do angolano Pepetela, radiografam os impasses de um país em busca de identidade

LEIA AQUI

CONFLITO, CHOQUE E FRACASSO

Tema da corrupção conduz a trama de romance do nigeriano Chinua Achebe

LEIA AQUI

À VONTADE ENTRE O ERUDITO E O POPULAR

Toda Poesia, de Paulo Leminski (1944-89), reafirma o legado revolucionário da obra do curitibano – uma mistura de lirismo e rigor que ainda hoje, mais de duas décadas depois de sua morte, desafia a crítica

LEIA AQUI

EXPRESSÕES DO OCIDENTE E ORIENTE

Autor publicou também ensaios, traduções, biografias e ficção, num esforço para assenhorar-se das tradições do fazer literário

LEIA AQUI

PÁGINAS DA MEMÓRIA E DO INCONSCIENTE

Reedição de O Tempo Redescoberto, que encerra o clássico ciclo de romances do francês Marcel Proust, convida à reflexão sobre o original olhar do autor a respeito do homem e da literatura

LEIA AQUI


Poesia transcedental

Tiganá Santana mescla filosofia, candomblé e um violão misterioso em novo álbum
Tiganá usa afinação personalizada em violão de apenas cinco cordas, e não seis - Divulgação
Tiganá usa afinação personalizada em violão de apenas cinco cordas, e não seis
 
Emanuel Bomfim - O Estado de S.Paulo
 
Eis o nó: onde colocar Tiganá Santana? Seria um trovador folk de linguagens afro-brasileiras? Na Escandinávia, onde seu nome já virou manchete de jornal, as comparações o situaram ao lado da melancolia acústica do britânico Nick Drake. No Brasil, do pouco que se disse, há uma evocação a Milton Nascimento, em grande medida, pela ternura da voz médio-grave e o refinamento jazzístico. O discurso do próprio, de apelo existencial-filosófico, corrobora com a falta de rótulos precisos: "Aí está o sentido de criar: provocar alguns setores dentro do outro, e também da gente mesmo, com algo que não pertence à determinada corrente. É sair do comportamento de rebanho", provoca.

LEIA AQUI

A hora de dizer não - Ruth de Aquino

"Chega um momento na nossa vida em que devemos renunciar”, disse na semana passada o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, com vigor e lucidez aos 91 anos. Renunciar a uma ou mais coisas que pareciam essenciais antes. Renunciar a um cargo, a uma paixão, um desamor, uma obsessão, uma disputa, uma vaidade, ao sol a pino, à carne vermelha no jantar, seja lá o que for. Saber dizer não com serenidade pode ser um ato revolucionário e de liberdade individual.


LEIA AQUI

DIOGO OLIVIER - A Copa do Mundo é nossa

Toda vez que o secretário-geral da Fifa cobra agilidade nas obras para a Copa de 2014, um espírito nacionalista ultrapassado e velho brota dos rincões mais profundos. O papel de Jérôme Valcke é este mesmo, o de xerife da organização do Mundial. Se ele não puder exigir tudo dentro dos conformes em um evento patrocinado pela entidade que gerencia, então o melhor a fazer é pedir para sair, como diria o Capitão Nascimento.

LEIA AQUI

ESTAR VIVO, AQUI E AGORA - SILVIANO SANTIAGO

Distantes no espaço e afastadas no tempo, três manifestações da arte de esculpir em cera merecem ser associadas hoje por uma leitura que eu diria pop e artesanal. Proporei como contexto o retorno do hiper-realismo à produção nossa contemporânea. Essa é a proposta da coluna deste sábado, decorrente da anterior em que, com marco inicial nos primórdios da Renascença florentina, fizemos um levantamento do uso da cera de abelha como material escultórico identificado - até no uso metafórico da palavra - com a tonalidade da pele e o aspecto do semblante humano. A não esquecer que a expressão "estar fazendo cera" significa fingir: que se joga futebol de verdade ou se namora para casar. O potencial de verossimilhança da "cera" a favoreceu para se chegar ao naturalismo ilusório em escultura.

LEIA AQUI

A Origem do Mundo,de Courbet - SÉRGIO TELLES

O quadro A Origem do Mundo tem uma história curiosa à qual se acrescentou um novo capítulo semana passada. A tela foi pintada em 1866 por Courbet, a pedido de Khalil Bey, diplomata turco-egípcio e colecionador de quadros eróticos, que a possuiu até o momento em que, arruinado pelo jogo, teve sua coleção leiloada. Em 1889, o quadro foi encontrado num antiquário pelo escritor francês Edmond de Goncourt e, posteriormente, comprado por um nobre húngaro que o levou para Budapeste, onde escapou da pilhagem realizada pelas tropas russas no fim da 2.ª Guerra. Trazido de volta a Paris, foi comprado por Jacques Lacan, que o mantinha em sua casa de campo em Guitrancourt, na qual o exibia ritualisticamente aos seus convidados. Após a morte de Lacan, a família cedeu o quadro ao Museu d'Orsay dentro das negociações com o Estado francês em torno de impostos referentes à transmissão de herança.

LEIA AQUI

2014 à vista - Luiz Werneck Viana

Há algo de estranho no ar, pois essa aceleração do tempo político que presenciamos não é normal. Ainda estamos nos prelúdios de 2013, sem saber o que o resto dos seus dias nos promete, se boa safra ou tempos aziagos. Contudo, bem longe do porto, ainda em alto oceano, já se ouvem vozes anunciando terra à vista e de preparação de desembarque próximo. De um salto estaríamos chegando a 2014, o ano da sucessão presidencial. A tripulação que nos dirige, velha de guerra de dez anos na função, estaria procurando atalhos para encurtar o tempo como manobra para evitar a aproximação de temíveis naves inimigas ou teme motim a bordo na sua coalizão?

A oposição mal começa a reunir forças, não conhece um comando único, nem sequer são enunciadas as linhas gerais do seu diagnóstico sobre o estado social da Nação, sobretudo o seu programa alternativo de governo ao que aí está. Sabe-se, de certo, do seu empenho em elucubrações em matéria de análise econômica, trincheira em que é agente passivo, mera observadora dos fatos que, mantidos na toada atual, principalmente quanto à inflação, poderiam fazer a roda da fortuna girar a seu favor.

LEIA AQUI