domingo, 3 de março de 2013

O futuro em boas mãos - JOÃO UBALDO RIBEIRO

O GLOBO - 03/03/2013

O principal partido de esquerda, o PT, tem como figura principal um político que afirmou nem ser, nem nunca ter sido, de esquerda. O presidente do Senado é de esquerda, o ex-presidente, também. Aliás, o PMDB é de esquerda. Qualquer crítico do governo é de direita



Como estamos vendo nos noticiários, a campanha eleitoral já começou. Acho um pouco cedo, mas o pessoal fica nervoso com a disputa e a ansiedade parece ser geral. A política, o governo e a administração do Estado são das mais nobres atividades a que o cidadão pode entregar-se, pois se trata de um admirável exercício de altruísmo, amor à coletividade e ao semelhante, de nobre renúncia a interesses subalternos e vantagens indevidas e até mesmo a projetos pessoais. O homem público epitoma a virtude, não no sentido piegas que estamos acostumados a associar a esta palavra, mas na dedicação resoluta e firme ao bem público e às aspirações e direitos dos governados, numa vida cuja maior recompensa será o zeloso cumprimento dessa missão e nada mais. E o Brasil está coalhado de gente disposta a sacrifícios extremos para servir ao país e levá-lo a um futuro de prosperidade, justiça, segurança e felicidade.


O GLOBO

O novo já foi antigo - TOSTÃO

FOLHA DE SP - 03/03/2013

O retorno das duas linhas de quatro e da dupla de atacantes são as 'novidades' do futebol


As declarações do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ao jornal "O Estado de S. Paulo", de que é a favor da anistia das dívidas e da isenção fiscal dos clubes, alegando que eles não visam lucro, são absurdas e demagógicas, no momento em que o futebol é, cada vez mais, um grande negócio, com grandes negociatas.

Na Copa de 1966, a seleção inglesa, campeã do mundo, inovou ao jogar com duas linhas de quatro e dois atacantes. Um meia de cada lado voltava para marcar ao lado dos volantes. A única diferença desse antigo sistema tático para o atual, com três meias e um centroavante, é que havia uma dupla de atacantes, em vez de um meia de ligação e um centroavante.


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E o vencedor é... a CIA! - SÉRGIO AUGUSTO

O ESTADÃO -03/03/2013

 
Nat Silver, o mago da estatística que previu a reeleição de Barack Obama quando até este parecia descrer da vitória, acertou mais um palpite. Com equivalente antecedência, cantou a pedra que Argo levaria o Oscar de "melhor filme"; previsão arriscada, pois filme cujo diretor não concorre ao Oscar em sua categoria sempre perde a corrida (Conduzindo Miss Daisy, vencedor em 1989, foi uma exceção). Mais com base nessa lógica do que em qualquer outra variável, colunistas e blogueiros debocharam da avaliação de Silver e dobraram suas apostas em Lincoln.


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Dama de computador -LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 03/03/2013

Depois de saber que o Chico Buarque também fica jogando paciência no computador em vez de trabalhar, me senti desagravado. Eu não estou perdendo tempo ou protelando o momento de começar a escrever, quando jogo paciência. Estou, digamos assim, fazendo alongamento do músculo cerebral. Ou distraindo o cérebro enquanto a verdadeira criação se dá em outro nível, no in-consciente. E, se isso parecer conversa de vagabundo para se justificar, agora tenho um argumento irrespondível: o Chico Buarque faz a mesma coisa!

Há muitos jogos no meu computador, com vá-rios graus de complexidade, mas até agora só aderi à paciência, o mais fácil. Um dia tentei jogar dama no computador. Eu fui bom em dama quando era garoto. Nunca progredi da dama para o xadrez, talvez pela mesma razão que me impediu de gostar de matemática, entrar em labirintos e pensar muito profundamente sobre os buracos negros. (Dizem que dama é xadrez para as almas simples). Joga-se dama de computador não contra o computador, mas contra outro jogador que esteja na linha, movimentando-se uma peça no tabuleiro e esperando que o adversário, em alguma parte do mundo, movimente uma sua. Mas não consegui ir além de duas ou três peças movimentadas. Estava jogando bem, mas tive que parar. Até agora não sei explicar minha sensação diante daquele adversário que eu não via, que não sabia onde estava ou que cara tinha, embora estivéssemos, para todos os efeitos, cara a cara. Era como jogar com um fantasma. Mais do que isto: era como ter minha casa invadida por um membro daquela estranha seita, talvez escrava, cuja única função na vida é ficar esperando desafios anônimos no jogo de dama. Era isto: a sensação de uma cidadela invadida e de uma intimidade indesejada cada vez que o outro movimentava uma peça.

Abandonei o dama no meio do jogo e cliquei no paciência. Jogando paciência você às vezes se sente sacaneado pelo computador, que geral-mente permite uma vitória a cada cinco ou seis tentativas. Mas pode ao menos ter certeza de que não é nada pessoal.

CRONICA-VOVÔ

A Lucinda, que tem quatro anos e meio, frequentemente nos premia com abraços e beijos extemporâneos. Mas também tem seus dias rebeldes, quando a qualquer aproximação de avô ou avó a fim de agarramento ordena: "Me deixem em paz."

No outro dia cheguei perto dela pensando num abraço e, se tivesse sorte, alguns beijos e ouvi seu aviso:

-Não se atreva.

Não se atreva! É claro que obedeci. l

Estou distraindo o cérebro enquanto a verdadeira criação se dá em outro nível. E, se isso parecer conversa de vagabundo, agora tenho um argumento irrespondível:
o Chico Buarque faz a mesma coisa! 


FONTE 

Os pontos e as linhas - ALDIR BLANC

O GLOBO - 03/03/2013

O verdadeiro multiuniverso, falado pelos cosmólogos e físicos após o surgimento da Teoria das Cordas, é o bate-papo. O Big-Bang foi uma conversa singular que terminou em porrada. Os cientistas usam muitos nomes. Não pega bem um sábio dizer que tudo se resume a um bom papo. O bóson de Higgs, por exemplo. É uma hipótese sobre o encontro de personagens do imortal Chico Anysio: Bozó, Coalhada, Azambuja, todos sacudindo o rabo da cascavel, feito FHC I e II, meio de porre no Sambódromo, antes de um assessor tomar-lhe o copo. Deixa o Fernando biritar!


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Bolero - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

O ESTADÃO - 03/03/2013


“Dormir avec vous madame
Dormir avec vous
C´est um merveilleux programe
Demandant surtout
Um endroit discret madame”

Charles Aznavour

Enfim um bolero, nest pas madame? Fui eu que subornei a orquestra. Agora podemos dançar juntos, eu sentindo os seus seios contra o meu peito, você sentindo as minhas medalhas. O bolero favorece a minha perna mecânica, ao contrário do tango, que também cultivo, mas só em teoria, senão eu caio na primeira rabanada.

O bolero também nos permite falar um no ouvido do outro, ao contrário dessas danças modernas, nas quais a única comunicação possível entre os pares é o sinal metafórico. Nenhuma conversa é tão privada e discreta quanto a de um homem e uma mulher dançando um bolero, o homem cuidando para não engatar os lábios num brinco ao mordiscar o lóbulo, onde a mulher é mais tenra, a mulher se permitindo dizer baixinho tudo que jamais diria em público, principalmente ao alcance dos ouvidos do marido. Existe um marido, pois não, madame?

Deve haver um marido, senão nada disto este salão, este bolero, seus seios contra o meu peito e a minha ereção tem sentido. O essencial numa sedução não é o sedutor nem a seduzida, é o marido. Todo o drama, toda a aventura, toda a glória e o prazer de uma sedução está centralizada no marido enganado.

Um caso sem marido é como um merengue sem recheio, uma casca farofenta encobrindo o nada. Seu marido está nos vendo? Está seguindo nossos passos, salivando como um cão raivoso? Sinto seus olhos na minha nuca, talvez medindo-a para um golpe de cutelo, como o que mata os touros que se recusam a morrer pela espada. Sim, também já fui toureiro.

O que a gente não faz para impressioná-las, hein madame? Posso desafiar o marido para um duelo, se lhe convier. Sim, sou do tempo dos duelos, quando a honra se lavava com sangue, nem que fosse apenas o sangue de um arranhão. Madame já adivinhou que sou um homem antigo.

Para mim, nada é mais apropriado do que um bolero acabar num duelo. Posso mandar seu marido para um hospital. Assim nem ele ficaria sem sua honra nem nós ficaríamos sem um marido enganado vivo para apimentar nossa união.

Como eu perdi minha perna? Foi numa dessas guerras, não me lembro mais qual. Foi em Waterloo, foi no Somme, foi no desembarque em Omaha Beach, quem se lembra? E tudo para impressioná-la, madame. Eu ainda não a conhecia, nem sentira os seus seios contra o meu peito, e já estava matando e morrendo e construindo civilizações para impressioná-la. Esta sedução não começa aqui, madame, começou há milhares de anos, quando nós descemos das árvores para a savana e passamos a andar de pé, com a genitália exposta.

Como isto não as impressionou muito, recorremos a outros meios de sedução. Brigas, guerras, atos de bravura e audácia intelectual, boleros. Tudo para dormir com você, madame. Dormir com você. Fazermos um programa maravilhoso num lugar discreto. Champanhe, alguns canapês, cortinas de veludo cerradas, um disco de vinil na vitrola (sou um homem antigo). Não queremos outra coisa além de dormir com você. Nunca quisemos. E... glubz! Desculpe madame. Acho que engoli o seu brinco. 
 

Entreouvidos por aí - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 03/03/2013

“De todas as pessoas que eu conhecia, ela era a candidata menos provável de eu vir a ter uma história. Extremamente carola, cheia de nove horas, o oposto do meu estilo. Sou um cara moderno, livre, desimpedido em todos os sentidos.

Sempre gostei de mulheres bem resolvidas, e ela me parecia uma menininha à espera de um anjo salvador. No entanto, quando dei por mim, ela estava sob as minhas asas. Não era o que eu buscava na vida, não era mesmo. Não sei como chamar isso”.


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Assunto cabeludo - Humberto Werneck

HUMBERTO WERNECK - O Estado de S.Paulo
 
A prudência recomendaria pôr de molho as barbas que há muito não cultivo, mas devo admitir que de uns dias para cá estou emaranhado nesse felpudo assunto. O que pensaria disso a minha mãe, que tanto pelejou para que o filho, bacharel em Direito, passasse ao largo das irrelevâncias? Se viva estivesse, já estaria morta. Espero que me perdoe. A esta altura, sou o único limão de que disponho para fazer a minha limonada, no eterno afã de me espremer & me exprimir.

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Alguns filmes no ar - Caetano Veloso


“Argo” é um filme (eu ia escrevendo “um filmeco”) tão tipicamente americano que parece ter sido escrito nos anos 1950

É a Maria Amélia Mello que devo agradecimentos pela publicação da antologia da revista “Senhor”, não a Ana Maria. Peço desculpas pelo erro. Escrevi entre voos e voltas e terminei errando um nome que conhecia. Agora escrevo entre subidas e descidas às proximidades do Morro dos Prazeres, onde ensaio novo show. Muita música para definir, escolher, relembrar. Ficou rodando na memória a série de filmes que vi no avião, entre Paris e o Rio. O que me leva a filmes que vi em Salvador, antes de voar. Quase todos com indicações e/ou prêmios do Oscar. Vi a cerimônia (a palavra fica absurda quando a gente pensa nas piadas do Seth MacFarlane) pela televisão. Não entendo inglês falado com facilidade. Mas retirei a tradução simultânea, que faz a gente entender menos ainda. Perdi algumas piadas (que depois meu filho de 20 anos me contou) mas senti o ritmo. O gozado foi ver dois dos principais filmes no avião.

Dormi depois do jantar (coisa rara em voos). Acordei julgando que tinha dormido a viagem toda e que o comissário me responderia que já estávamos nos aproximando do Rio de Janeiro. Mas sua resposta à minha pergunta “Quanto tempo falta?” foi: “Sete horas”.

Liguei o vídeo e pus os fones de ouvido. Havia “comédias românticas”, “comédias”, “dramas”, “ação” e “lançamentos” para escolher. Entre estes estavam “Argo” e “Lincoln”.

Escolhi “Argo” porque julgava que veria “Lincoln” no cinema, quando voltasse, coisa que me parecia menos provável de fazer com o filme de Ben Affleck. Mal sabia eu que o sono não voltaria mais enquanto eu estivesse no avião e que, assim, eu veria “Lincoln” logo em seguida. Foi uma experiência hilária.

“Argo” é um filme (eu ia escrevendo “um filmeco”) tão tipicamente americano que parece ter sido escrito nos anos 1950. As sequências de montagem cruzada para intensificar o suspense são apertadíssimas, e os diálogos têm quick-wit, sem sombra de ironia. A gente, que está acostumado a Tarantino e Mauro Lima brincarem com isso, fica incrédulo de ver alguém fazê-lo candidamente. Affleck é um ator de má fama, certamente por sua cara inexpressiva. Ele surgiu como roteirista oscarizado, ao lado de Matt Damon, quando ainda os dois eram garotos. Depois atuou em comédias românticas com cara de envelope. Em “Argo” essa impassibilidade facial resulta, com a ajuda da barba, em convincente sobriedade de herói do mundo livre. Você torce pelo agente da CIA e é levado a aplaudir sua vitória juntamente com o elenco do filme. Como nos mais convencionais divertimentos hollywoodianos em que os bons vencem os maus (as plateias americanas são barulhentas e de fato batem palmas nas cenas em que aplausos são puxados pelos figurantes). Mas o suspense nesse filme funciona sempre. Seu lado mais infantil é convidado a torcer para que os do bem entrem no avião antes de os do mal conseguirem passar pelas barreiras. É um filme de entretenimento antiquado e eficaz. Acabei de ver o filme quase gargalhando sozinho na cadeira do avião. Mas faltavam ainda cinco horas de viagem. Botei “Lincoln”.

O contraste terminou sendo também bastante cômico. O filme de Spielberg era grave, escuro, sério. Sobretudo escuro. Parecia um americano escaldado de tanto fazer diversão tipo “Argo” decidindo provar que também pode ser grave. Tal como em “Argo”, tudo é conseguido a contento. Daniel Day- Lewis, cujo estilo britânico de atuar, fundado na composição milimétrica do personagem, parecendo que tudo começa pela roupa, pela barba, pela escolha do timbre de voz etc., até que um punk louro capaz de ter um caso de amor com um paquistanês que abre uma lavanderia, ou um homem capaz de mover apenas o pé esquerdo, ou um presidente que administra uma guerra e quer passar uma emenda constitucional abolindo a escravidão surja crível aos olhos do espectador, Daniel, eu dizia, está perfeito fazendo o oposto do que Marlon Brando faria (mas ninguém chamaria Brando para fazer Lincoln, embora ele tenha feito aquele indescritível Marco Antônio). Tommy Lee Jones é sensacional, e Sally Field também brilha. Mas o filme, embora informativo, ficou com cara de seriedade forçada.

Antes eu tinha visto “Django” e “Amour” na Bahia. Eu achava os comentários de Spike Lee chatos. Mas não me senti confortável com essa refação de “Bastardos Inglórios” com os negros no lugar dos judeus e Leonardo DiCaprio errando o francês como Brad Pitt errava o italiano — e o magnífico Christoph Waltz dando show de dicção e desembaraço. Hitler, todos sabemos que não morreu num cinema. Mas lutas de mandingos? E, no final, o mesmo fogo da vingança. Amei os sacos nas cabeças dos racistas. Ri. “Amour” parece que diminui o fascínio que Haneke exerce.

sábado, 2 de março de 2013

SABÁTICO

PÁGINAS POR TRÁS DOS FILMES

'Rebecca' e 'O Inquilino' ganham edições que convidam à comparação com adaptações para as telas

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O LIRISMO DO ARTISTA QUANDO JOVEM


Antes de se tornar um ficcionista de peso, o norte-americano Paul Auster traduziu e editou poetas franceses contemporâneos e publicou os próprios versos - que saem agora no País

 

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‘TRADUZIDO,O POEMA GRITA DOIS NOMES’

Caetano W. Galindo

 

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POÉTICA MOLDADA PELO OLHAR

O fotógrafo e o cineasta convivem no escritor; as imagens são como enigmas que ele imobiliza

 

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UMA VOZ QUE SAI DO NADA

Sérgio Medeiros
 
Em 2012 saiu no Brasil a elogiada tradução de Ulysses, de James Joyce, assinada por Caetano W. Galindo, que verteu agora todos os poemas de Paul Auster. O sóbrio prefácio do tradutor ao volume Todos os Poemas me surpreendeu, pois senti, ao lê-lo, a presença de um Galindo contido ou apolíneo que eu desconhecia e que me pareceu muito diferente do Galindo dionisíaco que traduziu Joyce com verve e destemor. Nenhum traço ali das divertidas e irreverentes declarações que ele escreveu ou deu à imprensa durante o lançamento de Ulysses. Então me dei conta de que a poesia de Auster não tem humor nem jogos de linguagem joycianos, e o nosso tradutor, para ser fiel à dicção do poeta norte-americano, teve de ser seco e simples desde o prefácio que escreveu para apresentar a faceta literária menos conhecida desse famoso ficcionista. O resultado da parceria Auster-Galindo, em termos de qualidade poética, é visível logo no início do livro, na leitura de um grande poema sem título que, ao falar de uma pedreira, conclui: "E as pedras, cingidas de abuso,/ Memorizaram a derrota".

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UM AUTOR DE CAUSAS A VENCER

Fiel a si próprio, o maduro John Dos Passos de 'O Brasil em Movimento', agora reeditado, é o mesmo escritor em ascensão que se aliou aos republicanos durante a Guerra Civil Espanhola

 

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Heranças - Sérgio Telles

 Há governantes que desmerecem
o legado recebido, como tem
feito o PT ao atacar o PSDB

A transmissão de bens materiais e valores imateriais entre a geração mais velha e a mais nova não acontece automaticamente e pode sofrer entraves. Para que a herança chegue a bom termo, é necessário que os mais velhos, imbuídos da consciência da finitude, cedam o centro do palco para os mais novos. Não é uma decisão fácil e alguns não conseguem concretizá-la. Outros, tomados pela ambivalência, o fazem pela metade ou de forma inadequada, criando inúmeras complicações.

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Cadê o PSB? - Antonio Risério


O que é cinema - Arnaldo Bloch


“O sono ao redor”, disse o comediante, como se (...) estivesse acrescentando à discussão algo que não fosse o aborrecente prazer de um trocadilho fácil

Dias atrás, numa dessas polêmicas polarizadas que tomaram conta de boa parte da comunicação atual, o “pessoal da comédia” brigou com “o pessoal do cinema de arte”. Da discussão emergiram aquelas bobagens do tipo “cinema é, sempre foi e vai ser entretenimento para grande público”. Ou a afirmação “oposta”, igualmente tola, de que “cinema para valer tem que ser de invenção”.

Um conceito inovador - SÉRGIO MAGALHÃES

O GLOBO - 02/03

Em geral, o desenvolvimento econômico e social é pensado dissociado da questão urbana; abstrai-se a dimensão territorial ou espacial da cidade



Meio ambiente, desigualdade social e mobilidade formam o conjunto de problemas urbanos mais significativo comum às grandes cidades, conforme Bernardo Secchi. Arquiteto e professor italiano, com produção urbanística em importantes cidades mundiais, considera que eles não podem ser enfrentados isoladamente, nem entre si, nem na equação espacial.


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Adversários e inimigos - ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA

Um grupo de pessoas, com a força da convicção sobre uma causa, é capaz de influenciar a sociedade. As minorias destrutivas têm o mesmo poder

No entorno dos estádios é comum ver grupos de garotos, radiantes, se preparando para assistir a um jogo de futebol. Deve ter sido assim que um menino boliviano saiu de casa para ver seu time enfrentar o Corinthians, lendário campeão brasileiro e mundial. Voltou morto, o rosto trespassado por um sinalizador náutico atirado da “torcida organizada”. A mesma que no ano passado acabou com a apuração do concurso das escolas de samba de São Paulo, estragando mais uma festa popular.

Ah, o meu 'Fakebook' - ZUENIR VENTURA

O GLOBO - 02/03/2013

Graças ao colega André Miranda, descobri que há meses tenho uma concorrida página no Facebook, onde já recebi 600 amigos, muitos novos, alguns velhos e outros desconhecidos, dei opiniões, fiz recomendações, deitei regras, disse coisas aceitáveis e muita bobagem. E, sobretudo, fiz muita propaganda da Editora Lecto, à qual deveria cobrar pelo merchandising involuntário. Cheguei a elogiar o novo logotipo e anunciar a contratação de "vendedores, pareceristas e diagramadores". Também recomendei uma nova rede social, uma certa Dotpipol, "muito melhor do que o Facebook" (uma seguidora chegou a dizer: "Com prazer vou lá para ler seus textos.")

Teria sido uma experiência interessante, se não se tratasse de um falso Facebook. Com perdão do trocadilho, é um Fakebook, pois não criei a página, não autorizei ninguém a criá-la e fico me perguntando se não há um filtro ou uma forma de controle para impedir uma fraude virtual como essa, tão fácil de ser perpetrada. Basta pegar fotos já publicadas em revistas ou jornais, recolher dados biográficos no Google ou na Wikipédia, inventar algumas histórias, e pronto: que venham os incautos. E qualquer um pode cair nesse conto do vigário moderno. Como adivinhar o que é fake em meio a algumas informações corretas e outras que poderiam ser? Tudo bem que, dizem, você reclama e a página é retirada do ar. Mas e se você não descobrir por conta própria ou através de um amigo? E se o estrago, se houver, já tiver sido feito? Como os leitores desta coluna não são necessariamente os daquela página, como avisar a todos? Não haveria um jeito de punir os autores por apropriação indébita de identidade?

Houve coisas engraçadas, como a descoberta de três raros homônimos - um jovem "Zuenir Ventura", "Zuenir Brito" e "Claudio Zuenir" - e outras tocantes, como pessoas me agradecendo por tê-las adicionado. O que mais me irritou foi ver gente de boa-fé sendo envolvida candidamente no golpe. Li mensagens generosas, como a de um leitor cujo nome não cito porque não pedi sua autorização: "Que mal fiz eu para não ter conhecido a obra deste escritor há mais tempo?" No lançamento do livro do Merval, Leiloca, a Astróloga, me comunica que entrou no meu Facebook. Só me restou pedir desculpas por ter-lhe causado a decepção de se ver enganada, ela, a quem os astros não costumam enganar.

De qualquer maneira, alguém deveria ter notado que, sem Alice uma vez sequer, tudo não passava de uma farsa.

PS - Acabo de saber que a página foi cancelada, ou, de acordo com o aviso, "não está mais disponível". Ainda bem. Leiloca, a Astróloga, me comunica que entrou no meu Facebook. Só me restou pedir desculpas por ter-lhe causado a decepção de se ver enganada
 
 

Clarice e suas cobaias - Silviano Santiago


Se iluminarmos quem pergunta, a reunião das entrevistas concedidas a Clarice Lispector por notáveis figuras da cultura brasileira apresentam um traço pessoal e instigante da personalidade da romancista. Clarice quer saber dos artistas populares quais são as benesses e as sequelas causadas pela "fama". Ao ler os diálogos travados, descobre-se que o traço vira hipótese de trabalho, que ela testa em cobaias humanas, no laboratório da Vida.

Verdade - José Miguel Wisnik


Elson Costa é um dos militantes de esquerda desaparecidos na ditadura

Acabo de chegar de uma sessão da Comissão da Verdade “Rubens Paiva”, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde fui, junto com outros familiares, dar um depoimento sobre meu tio Elson Costa, sequestrado, torturado e assassinado pelo aparato paramilitar da ditadura em 1975. Algumas comissões estaduais estão acontecendo, em contraponto com a Comissão Nacional da Verdade. Em São Paulo, a Comissão tem levantado, por exemplo, elementos importantes sobre a participação de empresários no esquema da Operação Bandeirantes. Já falei sobre Elson Costa em uma das minhas primeiras colunas aqui. Ainda é cedo para retornar ao assunto, enquanto aguardamos para saber a que verdades as Comissões chegarão ou não. Quero fazer isso para valer, e no momento certo. Mas ao mesmo tempo os nervos estão agitados, e é difícil para mim falar hoje de algum assunto que não seja este.

Elson Costa fez parte do grupo de dirigentes do Partido Comunista Brasileiro que foram mortos quando a guerrilha tinha sido vencida e a força repressiva correspondente passou a ser aplicada sobre grupos, como o PCB, que não tinham optado pela força armada, e que acreditavam ser possível isolar a ditadura entrando em todos os nichos que representassem vias democráticas. Meu tio editava um órgão de imprensa operária cuja gráfica funcionava numa caixa d’água. A desproporção entre essas ações políticas e o modo como seus agentes foram eliminados com requintes de perversidade (dos quais vou poupá-los agora) diz tudo sobre o caráter fascista da máquina repressiva da ditadura militar. Tratou-se de um rito de erradicação sumária que se realimentava pela tortura.

É possível elucubrar sobre a lógica que comandou essa “obra tardia” da repressão militar, quando esta não pareceria mais tão necessária militarmente. Cálculo frio do golpe final sobre o inimigo, “racionalidade” levada à última instância no exame das forças adversas, extensão “natural” da luta contra a luta armada? Ou gozo da violência em seu estado quimicamente “puro”, a máquina de tortura e morte replicando a si mesma, infinita enquanto dura, aspirante ao mal absoluto? O grupo que vivia disso quis mostrar serviço, como que a provar a necessidade de sua própria sobrevivência funcional? O sucesso subiu-lhe à cabeça?
Ou constatou que o PCB era o verdadeiro detentor da verdade histórica, que nele estava o fermento que levaria ao final da ditadura pela via não da luta armada mas da pressão das forças democráticas, como preferiu sustentar, hoje, uma militante partidária?

Só a arte consegue sondar a verdade das múltiplas versões, atravessar o seu entrelaçamento não acabado, dar-lhe a volta paradoxal, paródica, trágica, oxigenando a constatação perturbadora de que não há, a rigor, uma Verdade final sobre a verdade, sem nem por isso deixar de aplicar golpes certeiros. Felizmente li, faz pouco tempo, a novela “Estrela distante”, de Roberto Bolaño, depois de ouvir falar tanto dele. É uma narrativa alucinante, hilariante, contundente, terrível, sinistra, sobre os desaparecimentos de pessoas no Chile de Pinochet. Como se trata de um país letrado, tudo ali envolve o literário: oficinas de poesia cujos frequentadores e frequentadoras vão sumindo e reaparecendo ou não, sob formas que estão entre o rumor, o rebate falso, a controvérsia, o exílio presumido, o esconderijo, o assassinato político. A mudança de identidade obrigada assombra as relações, mas salta em meio a elas a do impostor infame, o artista fascista que se transmuta de falso poeta autodidata chavecando frequentadoras de oficinas de poesia em ícone espetaculoso da direita, e cuja “obra de arte total” é feita das acrobacias aéreas com que desenha no céu versos patéticos de fumaça, complementados com torturas, crimes seriais e fotografias. Num coquetel constrangedor entre seus pares, em que leva ao limite a sua poética radical de estetização do mal, expõe fotos de corpos mutilados assassinados pela ditadura e por ele mesmo, pegando-os de surpresa com a visão inominável daquilo que todos sabem que não devem admiti-lo. Uma espécie de Exposição da Verdade pela culatra.

Quase todos os países que passaram pelos crimes da ditadura passaram, em contexto democrático, por alguma maneira de admissão, elaboração e simbolização da verdade. O Brasil, para variar, vem na rabeira do processo. Porque o torturador é também uma forma grave de desaparecido político, com a diferença de que os mortos da ditadura sustentam a sua verdade, na sua ausência, enquanto que a ausência pública do torturador é uma mentira histórica. Sabemos que não há Verdade, com maiúscula. A não ser quando há mentira maiúscula.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Show obrigatório - Hermano Vianna


Café Tacvba tocará pela primeira vez no Rio na quinta-feira. Não vou medir as palavras: é a banda mais criativa da história do rock abaixo de El Paso e acima da Terra do Fogo

Café Tacvba tocará pela primeira vez no Rio na quinta-feira. Show obrigatório. Não vou medir as palavras: é a banda mais criativa da história do rock abaixo de El Paso e acima da Terra do Fogo. Recentemente, a revista “Rolling Stone” dos EUA elegeu “Re”, seu álbum de 1994, como o melhor lançamento de todos os tempos do rock latino. Concordo: o único outro disco que, em minha opinião, poderia ocupar tal posto seria o primeiro dos Mutantes. Ou “El objeto antes llamado disco” (“EOALD”), editado pelo Café Tacvba no final do ano passado. Todos os críticos, do “New York Times” ao “Página/12”, o declaram digno de comparação com “Re”, ou até mais conectado com o futuro.

A vingança do Grilo Falante - Nelson Motta

No clássico infantil de Carlo Collodi, o Grilo Falante é a consciência de Pinóquio, que o adverte, aconselha e incomoda, mas o boneco mentiroso não o ouve e prefere a companhia de raposas felpudas e gatos gatunos. Infantil? Parece mais uma profecia metafórica do tsunami que devastou os políticos e partidos mentirosos e gatunos nas eleições italianas, quando o Movimento Cinco Estrelas, fundado pelo comediante Beppe Grillo, conquistou 25% dos votos e fez 109 deputados e 54 senadores.

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Um inseto sentimental - Milton Hatoum

A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...

Mas basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zoa com insistência, uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la quatro ou sete vezes; talvez seja melhor espantá-lo com uma revista, ou esperar que ele se canse de girar e zumbir como um louco nesse espaço pequeno. 


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Michel Laub - Hollywood e moral


"O Voo" e "O Lado Bom da Vida" iluminam outro dos paradoxos hollywoodianos, no campo dos costumes


Alguns termos usados pela crítica de cinema são curiosos. Um deles é "hollywoodiano" como sinônimo de visão de mundo conservadora -a favor da ordem, do capitalismo, do sentimento patriótico, da família tradicional.

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Cristovam Buarque: A miséria da superação


Dilma corrompe o dicionário e cria a grave ilusão de que se pode erradicar a penúria sem garantir estruturas que impeçam o retrocesso 

A presidenta Dilma Rousseff anunciou que, nos últimos anos, cerca de 22 milhões de brasileiros superaram a miséria. Os números podem estar certos, mas o conceito de superação está errado. Superar é saltar, uma conotação muito diferente do que suspender provisoriamente uma condição.

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Leonardo Boff-A Igreja é "santa e pecadora" e deve ser "sempre reformada"

HÁ LUGAR PARA AS DENÚNCIAS DOS MALFEITOS ECLESIÁSTICOS 

Sempre se diz que a Igreja é "santa e pecadora" e deve ser "sempre reformada". Mas não é o que ocorreu durante séculos nem após o explícito desejo do Concílio Vaticano II e do atual papa Bento XVI. A instituição mais velha do Ocidente incorporou privilégios, hábitos, costumes políticos palacianos e principescos, de resistência e de oposição, que praticamente impediram ou distorceram todas as tentativas de reforma.

Só que, desta vez, se chegou a um ponto de altíssima desmoralização, com práticas até criminosas que não podem mais ser negadas e que demandam mudanças fundamentais. Caso contrário, esse tipo de institucionalidade tristemente envelhecida e crepuscular definhará até entrar em ocaso. Os atuais escândalos sempre houve na cúria vaticana, apenas não havia um providencial Vatileaks para trazê-los a público e indignar o papa e a maioria dos cristãos.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Não se preocupe, embaixador - DEMÉTRIO MAGNOLI

O GLOBO - 28/02/2013

Corre o rumor de que Havana pretende substituí-lo por de incompetência funcional.Eles lhe devem uma medalha



A Carlos Zamora Rodríguez, embaixador de Cuba no Brasil:

Circulam rumores de que a passagem da blogueira Yoani Sánchez pelo Brasil terá efeitos desastrosos para sua carreira diplomática. Escrevo para acalmá-lo. À luz dos critérios políticos normais, qualquer um dos quatro motivos mencionados como causas possíveis de sua queda seria suficiente para fulminar um diplomata. Contudo, os governos de Cuba e do Brasil não se movem por critérios normais.


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Os segredos de uma chaminé abandonada - Fernando Reinach

Fiquei pensando: o que faria se tivesse de limpar uma chaminé abandonada, repleta de lixo? Por sorte quem tinha de limpar não era eu, mas um dos 450 cientistas amadores da Kingston Field Naturalists, de Ontário, Canada. Amante dos pássaros, Christopher Grooms, técnico de laboratório, sabia que muitas espécies de pássaros fazem seus ninhos em chaminés e foi investigar a história da chaminé antes de limpar seu conteúdo.


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Slogans - Luis Fernando Veríssimo

Durante 15 anos trabalhei como redator na MPM Propaganda. No fim dos 15 anos sabia tanto sobre como funciona ou deixa de funcionar a publicidade quanto no meu primeiro dia. Amiúde (sempre quis usar a palavra "amiúde"!) me surpreendia com o resultado de uma campanha publicitária ou de marquetchim. Não entendia como, muitas vezes, boas campanhas não davam resultado enquanto outras, medíocres, tinham efeito imediato. Mas mesmo sem, literalmente, saber o que eu estava fazendo durante os 15 anos, foram 15 anos, e alguma coisa eu aprendi. 

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

E nós com isso? - Francisco Bosco


‘Todo ano observo com perplexidade a atenção imensa que se presta à premiação do Oscar’

Todo ano observo com perplexidade, misturada a algum tédio e uma dose de revolta, a atenção imensa e generalizada que se presta à premiação do Oscar. Entre, digamos, as instituições culturais mundiais, o Oscar é uma das mais anacrônicas. Trata-se de uma cerimônia de autocelebração do cinema estadunidense, onde se premia a cinematografia deles, mais exatamente, certa cinematografia deles — e a que não faltam a categoria de melhor filme estrangeiro e eventuais exceções inesperadas ocupadas por estrangeiros em outras categorias para confirmar a regra do provincianismo à americana, que é a autossuficiência.

O filho e a mãe-coragem - Zuenir Ventura

O estudante Stuart Angel, que esta semana deu nome a uma escola pública no bairro de Senador Camará, foi submetido em 1971 a um ritual atroz. Preso na Base Aérea do Galeão por atividade subversiva, não resistiu ao suplício: amarrado a um jipe, com a boca presa ao cano de descarga, passou a ser arrastado até que, com o corpo esfolado, morreu envenenado pelos gases tóxicos do carro. O também militante Alex Polari foi quem, tendo presenciado a tortura da janela de sua cela, relatou-a em carta à mãe de Stuart.

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MARTHA MEDEIROS - Infiltrações

Zero Hora - 27/02/2013

“Aqui tudo parece que é ainda construção, e já é ruína”.

Conversava com um amigo sobre o vexame que foi a abertura daquele buraco no conduto Álvares Chaves na semana passada, durante um dos temporais mais enérgicos ocorridos em Porto Alegre, e nos veio à lembrança essa parte da letra da música Fora da Ordem, do Caetano Veloso.

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Fantasmas - Roberto Damatta

Neste final de mês, lembrei-me de uma instituição bem conhecida e pouco estudada - a amizade -, que tanto nos ajuda nas agruras (e no saboreio) desta vida, ao passar virtualmente uma semana na Carolina do Sul, Estados Unidos, entre Atlanta, Charleston e Seabrooke Island.

Ao longo desses poucos dias frios e chuvosos, desfrutei de uma grata e ensolarada hospitalidade do casal Bete e Conrado Kottak, que nos recebeu e proporcionou raros e ilustradíssimos passeios pelos locais históricos dessas cidades sulistas tão densas de história e memória da guerra civil de 1861-65. Esse conflito, que fez o sul dos Estados Unidos, uma região tão parecida em concepção de vida e trabalho com o Brasil, perder parte de sua identidade, quando foi incorporada por meio da força das armas à "União", então presidida por Abraham Lincoln. 



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domingo, 24 de fevereiro de 2013

O duplo poder papal - FREI BETTO

Frei Beto 
Bento XVI, ao renunciar, não perde o nome pontifício nem o direito de continuar no Vaticano, em cujas dependências já optou por permanecer após a eleição de seu sucessor, em março próximo. Como Papa renunciante, Joseph Ratzinger poderia escolher, como sua nova residência, qualquer domicílio da Igreja Católica em um dos cinco continentes.
Alguns arcebispos aposentados recolhem-se a mosteiros, como dom Marcelo Carvalheira, arcebispo emérito da Paraíba, que vive com os beneditinos de Olinda (PE); ou em casa própria, afastado do burburinho urbano, como é o caso do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, que mora em Taboão da Serra (SP).

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Filhos de presos torturados carregam a dor do passado

Décadas depois, homens e mulheres não esquecem das imagens que viram nos porões da ditadura

Thiago Herdy 

Janaína não esquece o sofrimento dos pais no Doi-Codi; com 5 anos, ela e o irmão Edson, de 4, foram presos Foto: Eliaria Andrade / Agência O Globo

Janaína não esquece o sofrimento dos pais no Doi-Codi; com 5 anos, ela e o irmão Edson, de 4, foram presos 
SÃO PAULO - “Mãe, por que você está azul e o pai está verde?”, perguntou Janaína Teles à mãe Maria Amélia ao visitá-la na carceragem do Doi-Codi, órgão da repressão subordinado ao Exército, em São Paulo. Tinha apenas 5 anos e ficou presa junto com o irmão Edson, de 4, em uma sala trancada, de onde saíam apenas para ir ao banheiro, sob o comando do general Brilhante Ustra. Ernesto Nascimento, filho de Manoel Dias e Jovelina, já tinha sido entregue à adoção pelos agentes do regime quando os pais foram libertados para serem trocados pelo embaixador alemão.

O preço da reabilitação

Crack e cocaína já superam álcool como fator de afastamento do mercado de trabalho

GUSTAVO URIBE
gustavo.uribe@sp.oglobo.com.br

SÃO PAULO Há 13 anos como funcionário do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o advogado Maurício Bitencourte, de 40 anos, finalmente havia conseguido em 2006 uma promoção à coordenação do departamento jurídico da entidade sindical. A permanência no posto, contudo, durou apenas um ano. Em 2007, o profissional, pós-graduado em Direito do Trabalho, foi internado em uma clínica de reabilitação. Na época, misturava cocaína e maconha com bebidas alcoólicas. Em 2010, após mais duas internações, foi demitido e começou a consumir diariamente o crack, que era trocado por ternos, camisas, sapatos e um televisor. Com o irmão, Luiz Carlos Bitencourte, consumia o crack nos fundos da casa da mãe. Mês passado, os dois, agora desempregados, conseguiram acesso ao auxílio-doença, entrando numa assombrosa estatística do governo: o consumo de drogas no país cresce a cada ano, e, hoje, cocaína e crack já afastam, em relação ao álcool, mais que o dobro de trabalhadores do mercado profissional.

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Viciado, músico evita retomar carreira interrompida

 

 SÃO PAULO - Em posse do seu primeiro auxílio-doença, um salário mínimo — R$ 678 — obtido em janeiro, o baterista Fabrício Ramires, de 34 anos, está com receio de retornar ao mundo da música, no qual teve boa parte de suas recaídas para o vício das drogas. No auge profissional, o músico tocou em bandas famosas de reggae, como Planta e Raiz e Leões de Israel, fez turnê na Argentina e participou de entrevista ao “Programa do Jô”, da TV Globo.

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Atendimento a usuários cresceu 20% em um ano no SUS

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Leia a íntegra da pesquisa sobre crack no Brasil


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COLUNA SOCIAL » Mário Fontana


Estado de Minas: 24/02/2013 
 

. Pela sexta vez, o Inka Peruano participa do BH Restaurant Week, que será realizado de segunda-feira a 10 de março. Durante o festival, o almoço completo na casa custará R$ 34,90 e o jantar, R$ 47,90. A conta será acrescida de R$ 1, destinado ao Instituto Ayrton Senna.

EM FAMÍLIA
Clã Klink em BH

No mês passado, logo depois do lançamento do livro Antártica, a última fronteira, de Marina Bandeira Klink, em Port Lockroy, na Península Antártica, Afonso Borges teve uma ideia: trazer a BH não apenas a autora, mas todos os integrantes de sua família como convidados do projeto Sempre um Papo. “Conversa vai, conversa vem, sugeri o impossível: a reunião dos Klinks, pela primeira vez, em um evento”, conta o produtor mineiro.

***

Seguindo o exemplo da mãe, Marina Bandeira, e do pai, o escritor e velejador Amyr Klink, as gêmeas Tamara e Laura e a caçula Marina publicaram livros. Entre eles está Férias na Antártica. “Amyr é freguês antigo, fiz o lançamento de todas as suas obras”, relembra Afonso Borges. Entusiasmada com a ideia de se reunir no palco, a família prepara palestra especial sobre os segredos das jornadas pelo mundo e da navegação. O clã conversará com o público em 4 de maio, às 14h30, no Grande Teatro do Sesc Palladium.

NA EUROPA
De olho no mundo


Conceituado expert em óculos de Belo Horizonte, Régis Lobato viaja amanhã para a Alemanha. O convite veio da Rodenstock – a fabricante de produtos ópticos mais importante da Europa, que desenvolve sofisticada tecnologia para lentes de alta resolução. Nos laboratórios em Frankfurt, Régis fará curso de atualização em produtos avançados.

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Depois da “imersão” alemã, o dono da Perfect Óculos seguirá para Milão, na Itália, para participar da Mido 2013 – a maior feira mundial de moda e estilo do setor. Promete trazer novidades para a turma fashion da capital.

POSSE
Conselho de RP


Terça-feira, Washington Moreira Pinto assumirá o comando do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas/3ª Região. A solenidade será realizada no Teatro da Assembleia Legislativa, às 20h. Também tomarão posse Guilherme Tell Barbosa Silva (secretário), Paulo Henrique Rogêdo Moreira (tesoureiro) e os conselheiros Angelina Gonçalves de Faria Pereira, Antônio Luiz Alves Pereira, Erika Pessoa, Fabrício Soares de Souza, Joubert Caetano Amaral, Kátia Andrade Alves da Cunha, Marcelo Moreira de Oliveira, Marcelo Ramos Bastos, Myrna de Fátima Jerônimo, Rodrigo Souza Neves e Vinícius Guimarães Barbosa.

COMANDATUBA
Torneio de tênis

Mudou a agenda de um dos torneios de tênis promovidos em benefício do projeto Ler é Viver, do Instituto Gil Nogueira. O Mart Plus Beach Open deixará de ser realizado em setembro. A competição foi transferida para o período de 28 de maio a 2 de junho, com o objetivo de aproveitar o feriado de Corpus Christi. A sétima edição do Beach Open ocorrerá no hotel Transamérica, na Ilha de Comadatuba, na Bahia.

***

Os organizadores prometem manter a receita de sucesso do evento: lugar paradisíaco, tratamento vip aos participantes, descontração e programação especial para todos. A coordenação das atividades esportivas ficará a cargo de Flávio Casalecchi e Leila Abe. As inscrições foram abertas no mês passado e só restam 30% das vagas. O projeto Ler é Viver atende 5,1 mil crianças e se dedica a combater o analfabetismo funcional.

SETENTÃO
Iate sopra velinhas


Hoje é dia do aniversário do Iate Tênis Clube. Mas nada de festa para badalar os 70 anos. A assessoria da agremiação informa: “Uma equipe trabalha na programação, e a comemoração deverá ser feita com os pés no chão”. Definitivamente, estão longe os tempos de glamour... Nota publicada no Estado de Minas, em 28 de fevereiro de 1943, definia a inauguração do Iate Golfe Clube de Minas Gerais – “notável organização esportiva que tem como presidente o doutor Juscelino Kubitschek” – como um acontecimento elegante na vida da capital mineira.

***

Quando o Iate foi inaugurado, a badalação foi total. “Ônibus especiais e automóveis transportaram para a Pampulha os elementos mais destacados da nova sociedade e representantes das autoridades civis e militares”, anotou o repórter do EM. “O baile decorreu em ambiente requintado de animação e cordialidade, o que positiva a projeção que terá na vida da cidade o Iate Golfe Clube de Minas Gerais, cuja finalidade é incrementar os esportes náuticos em nosso meio”, registrou o jornal. O Iate foi criado para compor o revolucionário complexo arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer.

***

O “pai da Pampulha” deu um toque diferente ao Iate. Em vez de privilegiar as curvas que fizeram a fama do complexo modernista de BH – marca da igrejinha, do atual museu de arte (antigo cassino) e da Casa do Baile –, Niemeyer optou por um edifício de linhas duras. Criou, assim, o famoso telhado asa de borboleta para o Iate, cujas linhas contrastavam com o curvilíneo conjunto erguido na orla da lagoa.

COLETIVA
Jovem guarda


Quarta-feira tem vernissage no Salão Cultural da Aliança Francesa de Belo Horizonte, na Savassi, que vem abrindo espaço para talentos emergentes das artes visuais da capital mineira. A coletiva Infiltrações vai reunir 15 artistas plásticos de BH, São Paulo e Campinas. O público poderá conferir as obras dos coletivos Azucrina, 4 e 25 e Piolho Nababo, além dos trabalhos de Thiago Alvim, Dereco, Letícia Matos e Desirée Franco. Evoé, jovens criadores!

>> mario.fontana@uai.com.br

Marta Suplicy: O "soft power" brasileiro

O Brasil é um país sem poder bélico, mas está descobrindo uma outra forma de inserção no mundo, através das suas ideias, cultura e práticas 
Londres conseguiu, no período da Olimpíada, construir uma imagem bastante positiva da Inglaterra. Trabalha agora para manter e ampliar esta conquista. Foca nas parcerias e presença cultural que possam gerar este tipo de dividendo no mundo.

Assim como as pessoas desenvolvem -às vezes com muito esforço- uma forma de expressão e conexão com o mundo, os países também constroem imagem e cara.

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Diana Lichtenstein Corso - Sede de vingança


ZERO HORA - 24/02/2013

Não mais nos reunimos em praça pública para ver a cabeça dos culpados rolar ou pender. Mas, sempre que possível, fazemos isso no noticiário e, principalmente, nos cinemas. Nos antigos filmes de caubói, um catártico tiroteio garantia a punição dos bandidos e a saída incólume do herói. 

Duros de matar, esses homens a cavalo foram logo substituídos por policiais igualmente solitários. Final feliz requer o chão coberto de corpos dos maus. Em Django Livre, como já fizera em Bastardos Inglórios e em Kill Bill, o diretor Quentin Tarantino arma seu roteiro a partir da nossa sede de vingança contra escravocratas, nazistas e machistas violentos. 

MARTHA MEDEIROS - Afinados


ZERO HORA - 24/02/2013

Uma vez, em uma conversa entre amigos, alguém comentou que jamais conseguiria casar com quem ouvisse Celine Dion. Casar? Eu não conseguiria pegar uma carona com alguém que ouvisse Celine Dion, retruquei, exagerando. E foi nesse tom de brincadeira que continuamos falando sobre nossos eu nunca poderia me relacionar com alguém que.... 

Puro blábláblá, pois, na hora em que a paixão se apresenta, nossos gostos se adaptam rapidinho, e a gente se pega dançando forró quando queria mesmo era estar num show do Pearl Jam. Ainda assim, essa questão  de ter afinidade musical não é absolutamente tola. Gostar de gêneros musicais diferentes não impede um relacionamento, mas, quando há compatibilidade, dois amantes evoluem e transformam-se em dois cúmplices. 

GPS e redes sociais turbinam serviços de paquera

Serviços de paquera atraem empresários, que ainda buscam modelos de negócios eficientes

Com a ajuda das redes sociais e da geolocalização, empresários estão tentando mudar a forma como as pessoas, muitas vezes de nichos específicos, encontram amor, sexo casual ou relacionamentos "de fachada" pela internet. Os desafios, entretanto, são atrair mulheres e achar modelos de negócio eficientes.

Em menos de um mês, o aplicativo Pegava Fácil, que permite que usuários do Facebook indiquem com quais amigos virtuais gostariam de "ficar" e avisa aos internautas quando o interesse é mútuo, atraiu 28 mil usuários, sendo 65% homens -mais de 2.000 potenciais casais foram formados no período.


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Organização é essencial - TOSTÃO

FOLHA DE SP - 24/02/2013

Os técnicos europeus são melhores na organização, e os brasileiros, no posicionamento dos atletas


A absurda morte de um jovem boliviano, por causa de um sinalizador, jogado por um torcedor do Corinthians, retrata bem a falta de civilidade, a desorganização e a violência (na arquibancada, no gramado e fora do estádio) no futebol sul-americano. Não foi uma fatalidade, foi um assassinato, mesmo sem intenção de matar. Poderia ter acontecido com torcedores de todos os clubes e em todos os estádios, o que não exime o Corinthians de culpa. A punição dada é provisória, até o julgamento pela Conmebol.


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Brigadeiros - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Cena: festa de aniversário de criança. Dois pais lado a lado.

— Você é o pai da...

— Da Laura. Você?

— Do Miguel. Aquele ali com a espada, batendo na... Miguel! Não se bate assim nas pessoas. Pede desculpa!

— Nós não nos vimos no...?

— No aniversário da Luiza.

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Família Brasil - Luis Fernando Verisimo

O Estado de S.Paulo
 
Senhoras e senhores, obrigado. Antes de mais nada quero pedir desculpas pelo atraso. Tivemos um pequeno problema nos bastidores, um desentendimento, e o resultado é o que veem aqui no palco, um quarteto de cordas reduzido a dois. Nosso violoncelista não concordou com a mudança do programa de hoje, parte do meu projeto de popularização da música de câmara, com a substituição do quarteto número 8 em si menor, opus 59 de Beethoven por um arranjo para cordas de Ai Se Eu Te Pego e se recusou a entrar no palco.

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Tudo dentro da normalidade - JOÃO UBALDO RIBEIRO

O GLOBO - 24/02/2013

Futuros bafômetros detectarão o uso de maconha e de cocaína. Mais adiante, tabaco, a essa altura já proibido. E, finalmente, ninguém poderá cheirar rapé, ingerir ansiolíticos, beber chás estimulantes ou calmantes e assim por diante



O comecinho de tarde anunciava mais calor, no famoso boteco leblonino Tio Sam. Ainda mais agora que uma porta do meio, dessas corrediças de ferro, quebrou e resolveu ficar permanentemente fechada, bloqueando a ventilação. Segundo a opinião geral, a situação deverá perdurar mais alguns meses, enquanto Chico, o filosófico português da Beira Alta que é dono do estabelecimento, resolve se vai consertá-la. Chico pauta sua conduta pelo que chama de Filosofia da Normalidade, segundo a qual ele é normal e tudo o que é diferente dele não é normal. Ele não me falou, mas tenho certeza de que está ponderando sobre se é normal querer a reabertura da porta. Além disso, os calorentos contam com os ventiladores da casa, embora se avolumem as queixas de que a aragem deles esquenta o chope nos copos.


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Que fazer? - UGO GIORGETTI

UGO GIORGETTI - O Estado de S.Paulo
 
 Tristeza. É o sentimento que se acumula à medida em que chegam as informações sobre o episódio da Bolívia. Tristeza por uma sociedade que enlouquece. Há muito tempo se pressentia isso, não é de hoje que, poetas sobretudo, vem avisando sobre a insanidade generalizada. "Vi as melhores mentes da minha geração, etc, etc." 
 

O Pedrão, a Leo e a Melinha - Humberto Werneck

HUMBERTO WERNECK - O Estado de S.Paulo
 
Dona Alzira está passada desde que leu no jornal essa história da exumação de Dom Pedro I (furo de reportagem, lembro a ela, do Edison Veiga e do Vitor Hugo Brandalise aqui no Estadão). Não só de Dom Pedro mas também de Dona Leopoldina e Dona Amélia, com as quais, sabemos todos, ele subiu ao altar, uma de cada vez, é claro. Só faltou sacarem da cova uma terceira Dona, Domitília de Castro, a Marquesa de Santos, com a qual o imperador andou subindo, não ao altar, mas ao nirvana carnal.

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Yoani e a ‘Senhor’ - Caetano Veloso


Nossos esquerdistas mereceriam mais confiança se tratassem Yoani com respeito

É difícil aceitar como progressista a atitude dos que agrediram Yoani Sanchez em sua chegada ao Brasil. E logo em minhas duas terras, Bahia e Pernambuco (ganhei cidadania da Assembleia Legislativa Pernambucana, a Casa de Joaquim Nabuco). Se um indivíduo eleva voz dissidente num país que mantém presos políticos por décadas, deveria receber o apoio dos que lutam pela justiça. Quando Marighella ficou sabendo o que se passava na União Soviética sob Stalin (pelas revelações que Nikita Kruschev, num esboço de perestroica-glasnost, incentivou), ficou semanas a fio em pranto. Para ser sincero, não me surpreenderam as revelações kruschevianas: meu pai, apesar de ser simpatizante de esquerda, sempre comentava que a Rússia stalinista podia esconder opressões brutais. Mas o pasmo entre comunistas foi grande. O chororô de Marighella pareceu desproporcional a alguns de seus companheiros, mas diz algo de profundamente bom sobre ele.

Não desconheço a possibilidade de interpretar os fatos políticos a partir de uma perspectiva que submeta o sentido moral do caso Yoani à crítica do desequilíbrio mundial. A força americana pode ser sentida a ponto de neguinho pôr sua capacidade de solidariedade abaixo de uma visão geral da luta. Aí Fidel pode ser visto como o herói que enfrenta o Dragão da Maldade, qualquer relativização desse enfrentamento sendo suspeito. Por que Obama não acaba com o bloqueio a Cuba? Yoani pode aparecer nesse quadro como uma colaboracionista. Mas como, se ela própria declara repúdio ao embargo?

Tive a honra de ser atacado juntamente com Yoani por Fidel em pessoa. Fidel escreveu o prefácio a um livro sobre Evo Morales (que nome! Sempre paro quando ouço ou leio o nome de Eva no masculino) e, nesse prefácio, me desancou por eu ter dito em entrevista que minha canção “Base de Guantánamo” não significava apoio à política de Estado cubana. Ali, o herói caribenho me equiparava à blogueira de milhões. Éramos, os dois, agentes do imperialismo americano. Inocentes úteis da potência capitalista. Gosto dos textos de Yoani. Fui a Havana em 1999 e sinto a presença da vida cubana neles. Eu teria mais confiança em nossos esquerdistas se eles a tratassem com respeito.

Gente próxima e distante estranhou que eu escrevesse que estou triste. Minha mãe morreu. Senti a passagem do tempo com violência. Mas leio “Porventura”, de Antonio Cicero, e a força (qualidade) dos poemas me revigora. Filósofo e poeta, Cicero é um dos grandes.

Recebi de presente essa maravilha que é o livro-antologia da revista “Senhor”. Gracias Ana Maria Mello e Ruy Castro. Em 1959, um vendedor de enciclopédias bateu à nossa porta em Santo Amaro. Ele oferecia a assinatura de uma revista cujos primeiros números trazia consigo. Meu irmão Rodrigo, a quem devo tanto, ficou impressionado com o que via e me chamou para que eu tomasse conhecimento da novidade. Ele sabia que eu ia gostar. Fiquei extasiado com as capas e os títulos das matérias: contos de grandes autores conhecidos e desconhecidos, cartuns geniais, comentários inteligentes e cheios de humor sobre assuntos diversos. Suponho que contei longamente sobre o efeito que tiveram sobre mim o primeiro LP de João Gilberto (que saiu em 1959) e, já a partir de 1960, as atividades culturais da Universidade da Bahia sob o reitor Edgard Santos. Devo ter mencionado a “Senhor” também. Mas não creio que tenha dito com todas as letras que essa revista desempenhou papel no mínimo igualmente determinante em minha formação. E estou certo de tê-la conhecido antes de ouvir João. O impacto foi enorme. Tudo o que eu adivinhava nas páginas de Millôr em “O Cruzeiro” (que eu guardava numa caixa) e nos contos de William Saroyan — a modernidade — aparecia desenvolvido nessa publicação. É emocionante para mim rever os desenhos de Glauco Rodrigues, Bea Feitler, Carlos Scliar; os artigos de Paulo Francis; as charges elegantíssimas de Jaguar (que traço!, que ideias!); os contos de Clarice. Curioso ler o texto de Ivan Lessa sobre justamente a nascente bossa nova. Ele, informadíssimo, no calor da hora já falava em Chet Baker. Mas reagia à Rolleiflex do “Desafinado” (e à canção como um todo) com rejeição semelhante à sofrida por imagens e sons tropicalistas poucos anos depois. Eu, que dependia da elegância da Bossa e da “Senhor”, já aprovava a liberdade da menção à marca de câmera e o humor do jogo com o verbo “revelar”. Lessa (que tem um texto engraçadíssimo e muito bem escrito no livro paralelo “SR, uma senhora revista”) censurava. Revelava sua enorme ingratidão. Mas ele saúda o surgimento de Carlos Lyra e Roberto Menescal (embora, como Bob Dylan, por cima de Jobim!).

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SABÁTICO

Retrato do Brasil poético

Uma antologia recém-publicada na França reúne mais de cem brasileiros, ao longo de 1.500 páginas, num largo painel do País, que vai do século 16 ao 20 sublinhando as sutis afinidades entre os autores

 

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Templo do livro, modelo em xeque

 

A atual fase da era digital, marcada pela expansão do mercado de e-books, vem acentuando o debate sobre o destino das bibliotecas tradicionais - e o seu incontornável impacto na formação de leitores

 

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Polêmica na Quinta Avenida com Rua 42


Lúcia Guimarães 

  NOVA YORK - É difícil encontrar uma cidade norte-americana mais litigiosa do que Nova York. Prefeitos anunciam megaprojetos que nunca saem da maquete porque vereadores, associações de bairro e diversos grupos de interesse montam uma resistência tão ruidosa quanto eficaz. Quando lhe mostraram um vídeo de pontos de ônibus cariocas que havia projetado, o grande arquiteto modernista Richard Meier ficou admirado: "Fiz esse projeto para Nova York há dez anos", disse. "Tudo se obstrui nesta cidade." Quem sabe, Meier pode convidar o colega Norman Foster para desabafar mágoas em escala bem maior. Sir Norman Foster, o famoso arquiteto autor de várias adições a prédios históricos, como o British Museum, em Londres, e o Reichstag, de Berlim, não está sendo tratado em Nova York com a gentileza esperada por cavaleiros da Ordem Britânica. Ele é o responsável pelo plano de renovação de um dos mais queridos prédios históricos do país, a sede da Biblioteca Pública de Nova York, inaugurada em 1911. O prédio fica na esquina da Quinta da Avenida com a Rua 42.

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'Obras devem levar no mínimo dez anos'

Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, fala da reforma e modernização da instituição

 

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HISTÓRIAS DE CASAIS EM CRISE

Nos contos de Pulso, o inglês Julian Barnes explora com verve os tormentos do amor

 

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NOS CAMPOS DO ÓDIO

Livro escancara o drama dos refugiados da Segunda Guerra

 

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A CONDIÇÃO HUMANA EM PAPEL E LETRAS

 

Os bastidores, os truques e o sentido da arte da ficção dão corpo a Confissões de Um Jovem Romancista, do italiano Umberto Eco

 

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UM RAIO-X DAORDEM MUNDIAL

Declínio do poder dos EUA e ascensão do Brasil pontuam reflexões de Rubens Barbosa

 

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NOTAS TOCADAS PARA UM MESTRE

Em Reinventing Bach, o americano Paul Elie mistura a trajetória do gênio alemão à de quatro intérpretes - Albert Schweitzer, Pablo Casals, Leopold Stokowski e Glenn Gould - que recriaram sua obra na modernidade

 

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O PASTOR NAZISTA - GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER

 Historiadores revelam participação de luterano em matança de judeus e intensificam debate sobre religião e nazismo

Graça Magalhães-Ruether 

O pastor Walter Hoff, da igreja luterana, que apoiou o nazismo
Foto: Divulgação
O pastor Walter Hoff, da igreja luterana, que apoiou o nazismo 
BERLIM - Enquanto o Vaticano silenciou durante o regime nazista, os luteranos tiveram uma participação mais ativa na perseguição dos judeus. Adolf Hitler e Joseph Goebbels eram de origem católica, e Hitler proibiu que o seu ministro da propaganda se desligasse da Igreja, como planejava. Mas foi a igreja luterana, da qual cerca de 50% da população da Alemanha faziam parte já naquela época, a que mais colaborou com o regime.
Em um estudo que será publicado em abril na revista de História “Zeitschrift für Geschichte”, Dagmar Pöpping, da Universidade Ludwig Maximilian, de Munique, conta a história do pastor luterano nazista Walter Hoff, que participou pessoalmente do extermínio de judeus da Bielorrússia (algo entre 786 e mil pessoas) e confessou o crime aos seus superiores, mas nunca foi condenado por nenhum tribunal.
Segundo o historiador Manfred Gailus, autor do livro “Crença, Confissão e Religião no Nacional Socialismo”, Hoff não foi punido porque a igreja protestante abafou o caso.

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(A)corda, Caetano!

Walter Queiroz Jr.
Advogado, poeta, compositoe, membro da Confraria dos Saberes

waljunior44@hotmail.com



Oscar! Melhor DVD pirata! - José Simão

Três são os motivos do fracasso da Revolução Cubana: café da manhã, almoço e jantar!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E diz que o novo estádio do Palmeiras vai se chamar TORRESMÃO! E amanhã é dia de Oscar! Merece um Oscar quem conseguir assistir o Oscar até o fim!

Pra mim, o melhor filme é "Django Livre". Devia levar todas as estatuetas. A revista "Vanity Fair" contou quantas pessoas morreram nos filmes do Tarantino: 560! SÓ?!

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Golpe contra novos rumos - CACÁ DIEGUES

O GLOBO - 23/02/2013

Brasileiros sectários, supostamente em defesa de Cuba, provocam uma reação que só faz prejudicar o projeto de abertura daquele país



Não é muito fácil, para uma pessoa da minha idade, falar sobre Cuba. Para minha geração, Cuba foi um modelo de sonho, esperança de um inédito socialismo democrático, com liberdades individuais, direitos e oportunidades iguais para todos, liderado por rapazes como nós, com menos de 30 anos de idade, num país miscigenado como o nosso, ao som de rumba, mambo e bolero.

Nada poderia nos produzir mais euforia que a noite de Ano Novo em que Fidel Castro entrou em Havana e tomou o poder com seus guerrilheiros barbudos. Eu tinha 18 anos e estava nas ruas, com meus colegas da UNE e os companheiros do futuro Cinema Novo, celebrando a vitória da beleza e da justiça, como diria Paulo Martins em “Terra em transe”. Isso ninguém esquece. Mesmo que o sonho se transforme em pesadelo, permanece em nossos corações na sua forma original.


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O Papa e o meteoro - CRISTOVAM BUARQUE

Seria bom saber que todos os políticos eleitos usam os mesmos serviços públicos de seus eleitores

Ao mesmo tempo em que em Roma o Papa Benedito XVI renunciava ao seu pontificado, na Sibéria caía um meteoro. A renúncia foi um destes fatos que nos surpreendem com o passado. E a queda do meteoro desperta temor no futuro. São temores que nos fazem sonhar com notícias que nos surpreendam ao longo da vida futura.

Sonho ler notícia de que a economia é orientada para a redução da pobreza e a construção da igualdade social, com respeito ao equilíbrio ecológico; que o consumo está subordinado ao bem-estar, e este à felicidade das pessoas. Sonho ler a informação de que todas as crianças do mundo estão em escolas com a mesma alta qualidade, e nenhum pai ou mãe no analfabetismo; que a corrupção passou a ser tema limitado a estudo nos cursos de História; e que todos os políticos são comprometidos com utopias, propondo ações para todo o planeta e as próximas gerações. Gostaria de ver que os principais recursos da Terra passaram a ser regidos por normas do interesse de toda a humanidade e que a água do mar pode ser dessalinizada a baixo custo energético e com a mesma qualidade da água potável.


Quanto mais curto, melhor - Sérgio Augusto

Passei anos crente que fora James Dean quem nos aconselhara a partir desta sem rugas. Há dias descobri que o adágio "Morra jovem e seja um belo cadáver" foi afanado pelo ator de um filme de Nicholas Ray, O Crime Não Compensa (Knock On Any Door), e que Willard Motley, autor do romance que serviu de base ao filme, por sua vez o furtara de uma obscura peça encenada na Broadway nos anos 1920.

Devo essa a um sujeito chamado Garson O’Toole, criador e maestro do site Quoteinvestigator.com, tira-teima eletrônico cujo logo, uma silhueta de Sherlock Holmes, me dispensa de detalhar suas atividades. Há outros meios de esclarecer quem na verdade disse o quê, quando e em que circunstâncias, mas o site de O’Toole me parece o mais confiável porque o mais exaustivo em suas pesquisas.

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Doutor alegria - Arnaldo Bloch


A esteira iniciou sua marcha para o túmulo. Marcha lenta, para começar, até a primeira tomada de pressão. Na tela, os gráficos com as medições dos eletrodos impressionavam

Dia de teste ergométrico é sempre um dia muito tenso. Só perde para a próstata. O T.E., como é conhecido no jargão médico, para quem não sabe é aquele exame no qual o sujeito sobe numa esteira e tem que caminhar cada vez mais rápido, pelo maior tempo possível e num ângulo ascendente, ladeira acima, até não aguentar mais. Quando está, ou pelo menos pensa que está, prestes a morrer, a esteira é desacelerada.

Vira-ser - José Miguel Wisnik


A música da América Latina é discutida sob a neve carnavalesca de Nova York

Na quinta-feira da semana passada, como sempre nesses últimos três anos, eu escrevia minha coluna de sábado, sobre a nevasca em Nova York, onde estive no carnaval, quando caiu a tempestade sobre a zona Oeste de São Paulo, tempestade violenta, ciumenta, mais imprevisível e incontrolável do que a neve que eu vira lá. A energia elétrica do bairro foi para o espaço e só retornou de madrugada. Ilhado pela chuva, com o texto salvo mas perdido dentro do computador inacessível, eu fiquei sem ter como começá-lo todo de novo em algum outro lugar, e faltei ao meu lugar aqui. A chuva do meu bairro, o rio da minha aldeia, quis falar mais alto e calar, de alto a baixo, meus devaneios sobre a neve alheia.

Mas a neve não era tão alheia assim. Na verdade eu estava dizendo que a visão de um grupo de marinheiros brasileiros, mulatos e cafuzos, andando penosamente na neve em Nova York, nos anos 1920, percebidos angustiadamente como “caricaturas de homens”, estava entre os momentos originários de toda a obra de Gilberto Freyre. A interpretação é de Ricardo Benzaquen de Araújo na abertura de seu
“Guerra e paz: Casa grande & senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30”. Freyre se lembra com incômodo, a partir da visão, da frase de um viajante americano ou inglês que enxergara um aspecto de “vira-lata” na população brasileira. Todo o seu esforço ensaístico pode ser compreendido, segundo Ricardo Benzaquen, como a tarefa de refutação e reversão dessa imagem, que coincide aliás com a do famoso “complexo de vira-latas” de Nelson Rodrigues.

Eu não tinha me lembrado disso enquanto enfrentava nas calçadas a nevasca de carnaval em Nova York, embora me sentisse um polaco mulato e cafuzo diante da primeira neve real (as do inverno parisiense sempre me foram leves e passageiras). Fui para um colóquio na Universidade de Columbia, que se propunha a pensar a música e o som na América Latina e no Caribe. A coluna da semana retrasada, que eu deixei pronta quando viajei, cumpria a dupla função de ser uma crônica nostálgica de sábado de carnaval, literalmente de “saudades do Brasil”, ao mesmo tempo que um ensaio para o que ia fazer lá, isto é, falar sobre o “pequeno nada” rítmico, impossível de escrever, que Darius Milhaud sentiu nas músicas de Ernesto Nazareth quando executadas pelo autor, e que podia ser visto como um índice das transformações pelas quais passou a música europeia nas Américas, transformada pela presença da África.

O colóquio revelou-se uma imersão fascinante e pouco acadêmica (se tomarmos a palavra no mau sentido, o de formalidade estéril) no pensamento e nas experiências musicais das Américas, entre músicas eletrônicas e indígenas, salsa e jazz, poesia e canção, em meio às quais a ideia do “pequeno nada” encontrou múltiplas ressonâncias. O compositor equatoriano de origem indígena conta como trabalhou com Stockhausen e volta à música indígena, o crítico paraguaio confronta o som e o silêncio nos ritos guaranis com o pensamento ocidental, os porto-riquenhos (com os quais eu descubro cada vez mais afinidades pessoais e culturais) falam sobre batuques transpostos para a linguagem poética, sobre a “jíbara” camponesa na salsa e as relações desta com o jazz (a palestra entusiástica era feita instintivamente em ritmo de salsa) ou sobre Ruth Fernández, cantora porto-riquenha do tempo de Celia Cruz, Pedro Vargas e Libertad Lamarque. E ainda, a música latina no Harlem ou a música erudita argentina fazendo a paráfrase borgeana do museu sonoro europeu, com a proverbial desincompatibilização portenha da África. As cubanas foram impedidas de vir.
A reunião ia de manhã à noite no último andar do International Affairs Building de Columbia, de onde se via a neve cair, suave e contínua, sobre a cidade mais e mais branca em ritmo minimalista e em escala de land art. Acredito não estar delirando se disser que havia ali um cosmopolitismo concentrado e consciente do grande contraponto de diferenças que fez da América o continente do encontro dos continentes (“Que continente loco!”, me exclamou o venerando Mesías Maiguashca, o índio equatoriano de Stockhausen, enquanto ele saía e eu entrava no banheiro), e que tudo isso encontra seu corpo material e imaterial na música. Digo mais: a recente confirmação do poder de fogo do voto latino na eleição presidencial norte-americana, e o rumo apontando para a inevitável inclusão dos trabalhadores informais e irregulares na realidade dos Estados Unidos, dava às discussões uma nova, mesmo que difusa, sensação de autoridade.
O Brasil também desfruta dessa difusa nova sensação de autoridade. Nada como aquela que eu senti, intimamente, quando Claudia Neiva de Matos mostrou Geraldo Pereira cantando “A dama ideal”, com a entoação tão relaxada e o show de pequenos nadas na voz, sambando soberano sobre a neve de Nova York.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sou uma mistura de antigo e novo - Ignácio de Loyola Brandão

Não creio que Ruy Castro se irrite ao ver que entro de carona no seu barco. Esta semana, em sua crônica na Folha, ele se referiu à invasão tecnológica do mundo, concluindo: me incluam fora. Não tem medo de ser chamado de jurássico, assim como não tenho medo de ser considerado anacrônico, por compartilhar ideias. A verdade é que todo esse aparato não me tem feito mais feliz. Assim como não tem acrescentado tanto à vida dos que têm mil aplicativos no celular, os que possuem Instagram, os que acessam internet no meio da rua, no metrô, no táxi, no estádio. Falando em estádio, dia desses, estava no Pacaembu e vi um sujeito com um smartphone (ou o que seja) assistindo a um jogo. Quando percebi, ele estava vendo pela televisão o jogo que se desenrolava ao vivo à sua frente. Fiquei perplexo!

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Novela cubana - Nelson Motta

Nelson Motta - O Estado de S.Paulo
 
Se os eficientíssimos serviços de repressão cubanos, que há anos espionam Yoani Sanchez dia e noite, tivessem descoberto a menor prova de suborno, a "agente milionária da CIA" já estaria presa. É sintomático que, para eles, alguém só discorde do governo se levar dinheiro. Freud diria que estão falando deles mesmos.

Antigamente eles queriam ser mais realistas que o rei, hoje tentam ser mais tirânicos que os tiranos, como mostraram os protestos contra Yoani em Recife, Salvador e Feira de Santana, não só com gritos e faixas, mas esfregando dólares falsos no seu rosto e puxando os seus cabelos.


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Barbara Gancia - Escolha sua Yoani

Fala-se demais na blogueira por motivos dos mais variados. Qual o subtexto que mais lhe convém?
 
Impossível não se deixar cativar pela figura da blogueira Yoa­ni Sánchez. Não me lembro de latino-americana tão multiface­tada desde que minha tresloucada amiga Buci, digo, Cleide apresen­tou-me à Mercedes Sosa e ela can­tou choramingando na minha ore­lha: "Ai, la libertaaaaaad!". Isso foi, se bem me recordo, em um almoço na casa da Ruth Escobar, lá pelos idos de 1807, com a Independência do Brasil batendo à porta.
 

José Simão - Socuerro! A Dilma tá de Crocs!

Uma petista levantou e gritou: "Se a Dilma continuar a usar Crocs, eu mudo de partido"


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Festival de Piadas Prontas! Direto de Curitiba: "Ladrão de picanha tem carne até no nome". Um cara roubou cinco peças de picanha e duas de filé-mignon num supermercado, como é o nome dele? Augusto Malacarne Siqueira!

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Cidadãos digitais - Hermano Vianna


Colunista reflete sobre os cidadãos digitais que queremos formar

Em edições recentes, esta coluna foi abduzida pelo óvni que faz a ponte-aérea entre a abundância e o vazio. O assunto anterior era mais relevante: educação para o século XXI. Onde parei? Na recomendação megalomaníaca de que todos os estudantes completassem o Ensino Médio dominando a linguagem de computação C++. Isso seria passo para a criação de um Vale do Silício brasileiro. Minha meta: deixarmos de ser apenas — como já somos — campeões de consumo de internet; precisamos também inventar o futuro da rede global de informação. Meus leitores devem saber que sou como o cara da canção do Caetano: “Eu nunca quis pouco, falo de quantidade e intensidade”.