domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Pedrão, a Leo e a Melinha - Humberto Werneck

HUMBERTO WERNECK - O Estado de S.Paulo
 
Dona Alzira está passada desde que leu no jornal essa história da exumação de Dom Pedro I (furo de reportagem, lembro a ela, do Edison Veiga e do Vitor Hugo Brandalise aqui no Estadão). Não só de Dom Pedro mas também de Dona Leopoldina e Dona Amélia, com as quais, sabemos todos, ele subiu ao altar, uma de cada vez, é claro. Só faltou sacarem da cova uma terceira Dona, Domitília de Castro, a Marquesa de Santos, com a qual o imperador andou subindo, não ao altar, mas ao nirvana carnal.

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Yoani e a ‘Senhor’ - Caetano Veloso


Nossos esquerdistas mereceriam mais confiança se tratassem Yoani com respeito

É difícil aceitar como progressista a atitude dos que agrediram Yoani Sanchez em sua chegada ao Brasil. E logo em minhas duas terras, Bahia e Pernambuco (ganhei cidadania da Assembleia Legislativa Pernambucana, a Casa de Joaquim Nabuco). Se um indivíduo eleva voz dissidente num país que mantém presos políticos por décadas, deveria receber o apoio dos que lutam pela justiça. Quando Marighella ficou sabendo o que se passava na União Soviética sob Stalin (pelas revelações que Nikita Kruschev, num esboço de perestroica-glasnost, incentivou), ficou semanas a fio em pranto. Para ser sincero, não me surpreenderam as revelações kruschevianas: meu pai, apesar de ser simpatizante de esquerda, sempre comentava que a Rússia stalinista podia esconder opressões brutais. Mas o pasmo entre comunistas foi grande. O chororô de Marighella pareceu desproporcional a alguns de seus companheiros, mas diz algo de profundamente bom sobre ele.

Não desconheço a possibilidade de interpretar os fatos políticos a partir de uma perspectiva que submeta o sentido moral do caso Yoani à crítica do desequilíbrio mundial. A força americana pode ser sentida a ponto de neguinho pôr sua capacidade de solidariedade abaixo de uma visão geral da luta. Aí Fidel pode ser visto como o herói que enfrenta o Dragão da Maldade, qualquer relativização desse enfrentamento sendo suspeito. Por que Obama não acaba com o bloqueio a Cuba? Yoani pode aparecer nesse quadro como uma colaboracionista. Mas como, se ela própria declara repúdio ao embargo?

Tive a honra de ser atacado juntamente com Yoani por Fidel em pessoa. Fidel escreveu o prefácio a um livro sobre Evo Morales (que nome! Sempre paro quando ouço ou leio o nome de Eva no masculino) e, nesse prefácio, me desancou por eu ter dito em entrevista que minha canção “Base de Guantánamo” não significava apoio à política de Estado cubana. Ali, o herói caribenho me equiparava à blogueira de milhões. Éramos, os dois, agentes do imperialismo americano. Inocentes úteis da potência capitalista. Gosto dos textos de Yoani. Fui a Havana em 1999 e sinto a presença da vida cubana neles. Eu teria mais confiança em nossos esquerdistas se eles a tratassem com respeito.

Gente próxima e distante estranhou que eu escrevesse que estou triste. Minha mãe morreu. Senti a passagem do tempo com violência. Mas leio “Porventura”, de Antonio Cicero, e a força (qualidade) dos poemas me revigora. Filósofo e poeta, Cicero é um dos grandes.

Recebi de presente essa maravilha que é o livro-antologia da revista “Senhor”. Gracias Ana Maria Mello e Ruy Castro. Em 1959, um vendedor de enciclopédias bateu à nossa porta em Santo Amaro. Ele oferecia a assinatura de uma revista cujos primeiros números trazia consigo. Meu irmão Rodrigo, a quem devo tanto, ficou impressionado com o que via e me chamou para que eu tomasse conhecimento da novidade. Ele sabia que eu ia gostar. Fiquei extasiado com as capas e os títulos das matérias: contos de grandes autores conhecidos e desconhecidos, cartuns geniais, comentários inteligentes e cheios de humor sobre assuntos diversos. Suponho que contei longamente sobre o efeito que tiveram sobre mim o primeiro LP de João Gilberto (que saiu em 1959) e, já a partir de 1960, as atividades culturais da Universidade da Bahia sob o reitor Edgard Santos. Devo ter mencionado a “Senhor” também. Mas não creio que tenha dito com todas as letras que essa revista desempenhou papel no mínimo igualmente determinante em minha formação. E estou certo de tê-la conhecido antes de ouvir João. O impacto foi enorme. Tudo o que eu adivinhava nas páginas de Millôr em “O Cruzeiro” (que eu guardava numa caixa) e nos contos de William Saroyan — a modernidade — aparecia desenvolvido nessa publicação. É emocionante para mim rever os desenhos de Glauco Rodrigues, Bea Feitler, Carlos Scliar; os artigos de Paulo Francis; as charges elegantíssimas de Jaguar (que traço!, que ideias!); os contos de Clarice. Curioso ler o texto de Ivan Lessa sobre justamente a nascente bossa nova. Ele, informadíssimo, no calor da hora já falava em Chet Baker. Mas reagia à Rolleiflex do “Desafinado” (e à canção como um todo) com rejeição semelhante à sofrida por imagens e sons tropicalistas poucos anos depois. Eu, que dependia da elegância da Bossa e da “Senhor”, já aprovava a liberdade da menção à marca de câmera e o humor do jogo com o verbo “revelar”. Lessa (que tem um texto engraçadíssimo e muito bem escrito no livro paralelo “SR, uma senhora revista”) censurava. Revelava sua enorme ingratidão. Mas ele saúda o surgimento de Carlos Lyra e Roberto Menescal (embora, como Bob Dylan, por cima de Jobim!).

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SABÁTICO

Retrato do Brasil poético

Uma antologia recém-publicada na França reúne mais de cem brasileiros, ao longo de 1.500 páginas, num largo painel do País, que vai do século 16 ao 20 sublinhando as sutis afinidades entre os autores

 

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Templo do livro, modelo em xeque

 

A atual fase da era digital, marcada pela expansão do mercado de e-books, vem acentuando o debate sobre o destino das bibliotecas tradicionais - e o seu incontornável impacto na formação de leitores

 

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Polêmica na Quinta Avenida com Rua 42


Lúcia Guimarães 

  NOVA YORK - É difícil encontrar uma cidade norte-americana mais litigiosa do que Nova York. Prefeitos anunciam megaprojetos que nunca saem da maquete porque vereadores, associações de bairro e diversos grupos de interesse montam uma resistência tão ruidosa quanto eficaz. Quando lhe mostraram um vídeo de pontos de ônibus cariocas que havia projetado, o grande arquiteto modernista Richard Meier ficou admirado: "Fiz esse projeto para Nova York há dez anos", disse. "Tudo se obstrui nesta cidade." Quem sabe, Meier pode convidar o colega Norman Foster para desabafar mágoas em escala bem maior. Sir Norman Foster, o famoso arquiteto autor de várias adições a prédios históricos, como o British Museum, em Londres, e o Reichstag, de Berlim, não está sendo tratado em Nova York com a gentileza esperada por cavaleiros da Ordem Britânica. Ele é o responsável pelo plano de renovação de um dos mais queridos prédios históricos do país, a sede da Biblioteca Pública de Nova York, inaugurada em 1911. O prédio fica na esquina da Quinta da Avenida com a Rua 42.

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'Obras devem levar no mínimo dez anos'

Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, fala da reforma e modernização da instituição

 

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HISTÓRIAS DE CASAIS EM CRISE

Nos contos de Pulso, o inglês Julian Barnes explora com verve os tormentos do amor

 

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NOS CAMPOS DO ÓDIO

Livro escancara o drama dos refugiados da Segunda Guerra

 

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A CONDIÇÃO HUMANA EM PAPEL E LETRAS

 

Os bastidores, os truques e o sentido da arte da ficção dão corpo a Confissões de Um Jovem Romancista, do italiano Umberto Eco

 

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UM RAIO-X DAORDEM MUNDIAL

Declínio do poder dos EUA e ascensão do Brasil pontuam reflexões de Rubens Barbosa

 

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NOTAS TOCADAS PARA UM MESTRE

Em Reinventing Bach, o americano Paul Elie mistura a trajetória do gênio alemão à de quatro intérpretes - Albert Schweitzer, Pablo Casals, Leopold Stokowski e Glenn Gould - que recriaram sua obra na modernidade

 

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O PASTOR NAZISTA - GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER

 Historiadores revelam participação de luterano em matança de judeus e intensificam debate sobre religião e nazismo

Graça Magalhães-Ruether 

O pastor Walter Hoff, da igreja luterana, que apoiou o nazismo
Foto: Divulgação
O pastor Walter Hoff, da igreja luterana, que apoiou o nazismo 
BERLIM - Enquanto o Vaticano silenciou durante o regime nazista, os luteranos tiveram uma participação mais ativa na perseguição dos judeus. Adolf Hitler e Joseph Goebbels eram de origem católica, e Hitler proibiu que o seu ministro da propaganda se desligasse da Igreja, como planejava. Mas foi a igreja luterana, da qual cerca de 50% da população da Alemanha faziam parte já naquela época, a que mais colaborou com o regime.
Em um estudo que será publicado em abril na revista de História “Zeitschrift für Geschichte”, Dagmar Pöpping, da Universidade Ludwig Maximilian, de Munique, conta a história do pastor luterano nazista Walter Hoff, que participou pessoalmente do extermínio de judeus da Bielorrússia (algo entre 786 e mil pessoas) e confessou o crime aos seus superiores, mas nunca foi condenado por nenhum tribunal.
Segundo o historiador Manfred Gailus, autor do livro “Crença, Confissão e Religião no Nacional Socialismo”, Hoff não foi punido porque a igreja protestante abafou o caso.

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(A)corda, Caetano!

Walter Queiroz Jr.
Advogado, poeta, compositoe, membro da Confraria dos Saberes

waljunior44@hotmail.com



Oscar! Melhor DVD pirata! - José Simão

Três são os motivos do fracasso da Revolução Cubana: café da manhã, almoço e jantar!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E diz que o novo estádio do Palmeiras vai se chamar TORRESMÃO! E amanhã é dia de Oscar! Merece um Oscar quem conseguir assistir o Oscar até o fim!

Pra mim, o melhor filme é "Django Livre". Devia levar todas as estatuetas. A revista "Vanity Fair" contou quantas pessoas morreram nos filmes do Tarantino: 560! SÓ?!

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Golpe contra novos rumos - CACÁ DIEGUES

O GLOBO - 23/02/2013

Brasileiros sectários, supostamente em defesa de Cuba, provocam uma reação que só faz prejudicar o projeto de abertura daquele país



Não é muito fácil, para uma pessoa da minha idade, falar sobre Cuba. Para minha geração, Cuba foi um modelo de sonho, esperança de um inédito socialismo democrático, com liberdades individuais, direitos e oportunidades iguais para todos, liderado por rapazes como nós, com menos de 30 anos de idade, num país miscigenado como o nosso, ao som de rumba, mambo e bolero.

Nada poderia nos produzir mais euforia que a noite de Ano Novo em que Fidel Castro entrou em Havana e tomou o poder com seus guerrilheiros barbudos. Eu tinha 18 anos e estava nas ruas, com meus colegas da UNE e os companheiros do futuro Cinema Novo, celebrando a vitória da beleza e da justiça, como diria Paulo Martins em “Terra em transe”. Isso ninguém esquece. Mesmo que o sonho se transforme em pesadelo, permanece em nossos corações na sua forma original.


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O Papa e o meteoro - CRISTOVAM BUARQUE

Seria bom saber que todos os políticos eleitos usam os mesmos serviços públicos de seus eleitores

Ao mesmo tempo em que em Roma o Papa Benedito XVI renunciava ao seu pontificado, na Sibéria caía um meteoro. A renúncia foi um destes fatos que nos surpreendem com o passado. E a queda do meteoro desperta temor no futuro. São temores que nos fazem sonhar com notícias que nos surpreendam ao longo da vida futura.

Sonho ler notícia de que a economia é orientada para a redução da pobreza e a construção da igualdade social, com respeito ao equilíbrio ecológico; que o consumo está subordinado ao bem-estar, e este à felicidade das pessoas. Sonho ler a informação de que todas as crianças do mundo estão em escolas com a mesma alta qualidade, e nenhum pai ou mãe no analfabetismo; que a corrupção passou a ser tema limitado a estudo nos cursos de História; e que todos os políticos são comprometidos com utopias, propondo ações para todo o planeta e as próximas gerações. Gostaria de ver que os principais recursos da Terra passaram a ser regidos por normas do interesse de toda a humanidade e que a água do mar pode ser dessalinizada a baixo custo energético e com a mesma qualidade da água potável.


Quanto mais curto, melhor - Sérgio Augusto

Passei anos crente que fora James Dean quem nos aconselhara a partir desta sem rugas. Há dias descobri que o adágio "Morra jovem e seja um belo cadáver" foi afanado pelo ator de um filme de Nicholas Ray, O Crime Não Compensa (Knock On Any Door), e que Willard Motley, autor do romance que serviu de base ao filme, por sua vez o furtara de uma obscura peça encenada na Broadway nos anos 1920.

Devo essa a um sujeito chamado Garson O’Toole, criador e maestro do site Quoteinvestigator.com, tira-teima eletrônico cujo logo, uma silhueta de Sherlock Holmes, me dispensa de detalhar suas atividades. Há outros meios de esclarecer quem na verdade disse o quê, quando e em que circunstâncias, mas o site de O’Toole me parece o mais confiável porque o mais exaustivo em suas pesquisas.

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Doutor alegria - Arnaldo Bloch


A esteira iniciou sua marcha para o túmulo. Marcha lenta, para começar, até a primeira tomada de pressão. Na tela, os gráficos com as medições dos eletrodos impressionavam

Dia de teste ergométrico é sempre um dia muito tenso. Só perde para a próstata. O T.E., como é conhecido no jargão médico, para quem não sabe é aquele exame no qual o sujeito sobe numa esteira e tem que caminhar cada vez mais rápido, pelo maior tempo possível e num ângulo ascendente, ladeira acima, até não aguentar mais. Quando está, ou pelo menos pensa que está, prestes a morrer, a esteira é desacelerada.

Vira-ser - José Miguel Wisnik


A música da América Latina é discutida sob a neve carnavalesca de Nova York

Na quinta-feira da semana passada, como sempre nesses últimos três anos, eu escrevia minha coluna de sábado, sobre a nevasca em Nova York, onde estive no carnaval, quando caiu a tempestade sobre a zona Oeste de São Paulo, tempestade violenta, ciumenta, mais imprevisível e incontrolável do que a neve que eu vira lá. A energia elétrica do bairro foi para o espaço e só retornou de madrugada. Ilhado pela chuva, com o texto salvo mas perdido dentro do computador inacessível, eu fiquei sem ter como começá-lo todo de novo em algum outro lugar, e faltei ao meu lugar aqui. A chuva do meu bairro, o rio da minha aldeia, quis falar mais alto e calar, de alto a baixo, meus devaneios sobre a neve alheia.

Mas a neve não era tão alheia assim. Na verdade eu estava dizendo que a visão de um grupo de marinheiros brasileiros, mulatos e cafuzos, andando penosamente na neve em Nova York, nos anos 1920, percebidos angustiadamente como “caricaturas de homens”, estava entre os momentos originários de toda a obra de Gilberto Freyre. A interpretação é de Ricardo Benzaquen de Araújo na abertura de seu
“Guerra e paz: Casa grande & senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30”. Freyre se lembra com incômodo, a partir da visão, da frase de um viajante americano ou inglês que enxergara um aspecto de “vira-lata” na população brasileira. Todo o seu esforço ensaístico pode ser compreendido, segundo Ricardo Benzaquen, como a tarefa de refutação e reversão dessa imagem, que coincide aliás com a do famoso “complexo de vira-latas” de Nelson Rodrigues.

Eu não tinha me lembrado disso enquanto enfrentava nas calçadas a nevasca de carnaval em Nova York, embora me sentisse um polaco mulato e cafuzo diante da primeira neve real (as do inverno parisiense sempre me foram leves e passageiras). Fui para um colóquio na Universidade de Columbia, que se propunha a pensar a música e o som na América Latina e no Caribe. A coluna da semana retrasada, que eu deixei pronta quando viajei, cumpria a dupla função de ser uma crônica nostálgica de sábado de carnaval, literalmente de “saudades do Brasil”, ao mesmo tempo que um ensaio para o que ia fazer lá, isto é, falar sobre o “pequeno nada” rítmico, impossível de escrever, que Darius Milhaud sentiu nas músicas de Ernesto Nazareth quando executadas pelo autor, e que podia ser visto como um índice das transformações pelas quais passou a música europeia nas Américas, transformada pela presença da África.

O colóquio revelou-se uma imersão fascinante e pouco acadêmica (se tomarmos a palavra no mau sentido, o de formalidade estéril) no pensamento e nas experiências musicais das Américas, entre músicas eletrônicas e indígenas, salsa e jazz, poesia e canção, em meio às quais a ideia do “pequeno nada” encontrou múltiplas ressonâncias. O compositor equatoriano de origem indígena conta como trabalhou com Stockhausen e volta à música indígena, o crítico paraguaio confronta o som e o silêncio nos ritos guaranis com o pensamento ocidental, os porto-riquenhos (com os quais eu descubro cada vez mais afinidades pessoais e culturais) falam sobre batuques transpostos para a linguagem poética, sobre a “jíbara” camponesa na salsa e as relações desta com o jazz (a palestra entusiástica era feita instintivamente em ritmo de salsa) ou sobre Ruth Fernández, cantora porto-riquenha do tempo de Celia Cruz, Pedro Vargas e Libertad Lamarque. E ainda, a música latina no Harlem ou a música erudita argentina fazendo a paráfrase borgeana do museu sonoro europeu, com a proverbial desincompatibilização portenha da África. As cubanas foram impedidas de vir.
A reunião ia de manhã à noite no último andar do International Affairs Building de Columbia, de onde se via a neve cair, suave e contínua, sobre a cidade mais e mais branca em ritmo minimalista e em escala de land art. Acredito não estar delirando se disser que havia ali um cosmopolitismo concentrado e consciente do grande contraponto de diferenças que fez da América o continente do encontro dos continentes (“Que continente loco!”, me exclamou o venerando Mesías Maiguashca, o índio equatoriano de Stockhausen, enquanto ele saía e eu entrava no banheiro), e que tudo isso encontra seu corpo material e imaterial na música. Digo mais: a recente confirmação do poder de fogo do voto latino na eleição presidencial norte-americana, e o rumo apontando para a inevitável inclusão dos trabalhadores informais e irregulares na realidade dos Estados Unidos, dava às discussões uma nova, mesmo que difusa, sensação de autoridade.
O Brasil também desfruta dessa difusa nova sensação de autoridade. Nada como aquela que eu senti, intimamente, quando Claudia Neiva de Matos mostrou Geraldo Pereira cantando “A dama ideal”, com a entoação tão relaxada e o show de pequenos nadas na voz, sambando soberano sobre a neve de Nova York.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sou uma mistura de antigo e novo - Ignácio de Loyola Brandão

Não creio que Ruy Castro se irrite ao ver que entro de carona no seu barco. Esta semana, em sua crônica na Folha, ele se referiu à invasão tecnológica do mundo, concluindo: me incluam fora. Não tem medo de ser chamado de jurássico, assim como não tenho medo de ser considerado anacrônico, por compartilhar ideias. A verdade é que todo esse aparato não me tem feito mais feliz. Assim como não tem acrescentado tanto à vida dos que têm mil aplicativos no celular, os que possuem Instagram, os que acessam internet no meio da rua, no metrô, no táxi, no estádio. Falando em estádio, dia desses, estava no Pacaembu e vi um sujeito com um smartphone (ou o que seja) assistindo a um jogo. Quando percebi, ele estava vendo pela televisão o jogo que se desenrolava ao vivo à sua frente. Fiquei perplexo!

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Novela cubana - Nelson Motta

Nelson Motta - O Estado de S.Paulo
 
Se os eficientíssimos serviços de repressão cubanos, que há anos espionam Yoani Sanchez dia e noite, tivessem descoberto a menor prova de suborno, a "agente milionária da CIA" já estaria presa. É sintomático que, para eles, alguém só discorde do governo se levar dinheiro. Freud diria que estão falando deles mesmos.

Antigamente eles queriam ser mais realistas que o rei, hoje tentam ser mais tirânicos que os tiranos, como mostraram os protestos contra Yoani em Recife, Salvador e Feira de Santana, não só com gritos e faixas, mas esfregando dólares falsos no seu rosto e puxando os seus cabelos.


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Barbara Gancia - Escolha sua Yoani

Fala-se demais na blogueira por motivos dos mais variados. Qual o subtexto que mais lhe convém?
 
Impossível não se deixar cativar pela figura da blogueira Yoa­ni Sánchez. Não me lembro de latino-americana tão multiface­tada desde que minha tresloucada amiga Buci, digo, Cleide apresen­tou-me à Mercedes Sosa e ela can­tou choramingando na minha ore­lha: "Ai, la libertaaaaaad!". Isso foi, se bem me recordo, em um almoço na casa da Ruth Escobar, lá pelos idos de 1807, com a Independência do Brasil batendo à porta.
 

José Simão - Socuerro! A Dilma tá de Crocs!

Uma petista levantou e gritou: "Se a Dilma continuar a usar Crocs, eu mudo de partido"


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Festival de Piadas Prontas! Direto de Curitiba: "Ladrão de picanha tem carne até no nome". Um cara roubou cinco peças de picanha e duas de filé-mignon num supermercado, como é o nome dele? Augusto Malacarne Siqueira!

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Cidadãos digitais - Hermano Vianna


Colunista reflete sobre os cidadãos digitais que queremos formar

Em edições recentes, esta coluna foi abduzida pelo óvni que faz a ponte-aérea entre a abundância e o vazio. O assunto anterior era mais relevante: educação para o século XXI. Onde parei? Na recomendação megalomaníaca de que todos os estudantes completassem o Ensino Médio dominando a linguagem de computação C++. Isso seria passo para a criação de um Vale do Silício brasileiro. Minha meta: deixarmos de ser apenas — como já somos — campeões de consumo de internet; precisamos também inventar o futuro da rede global de informação. Meus leitores devem saber que sou como o cara da canção do Caetano: “Eu nunca quis pouco, falo de quantidade e intensidade”.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Vida de carioca - Cora Rónai


Não acredito mais quando me falam em legado disso ou daquilo. Poiso atual velódromo não era ‘legado do Pan’?

Terminei a coluna da semana passada pedindo explicações ao Comitê Olímpico sobre o velódromo e o centro de treinamento de ginástica artística, que foram desativados embora estivessem novinhos; não me entra pela cabeça que equipamentos construídos para o Pan, em 2007, agora sejam considerados inadequados. Pois Claudio Motta, gerente de comunicação do COB, prontamente me mandou um e-mail:

A eleição do sucessor de São Pedro - FREI BETTO


Após a renúncia de Bento XVI, o governo da Igreja passa automaticamente às mãos do Colégio dos Cardeais, segundo regras redefinidas por João Paulo II, em 1996, no documento “Universi Dominici Gregis”. Logo que os cardeais chegam a Roma, este documento é lido. Sob juramento, os prelados ficam obrigados ao sigilo.

Com a renúncia do Papa, todos os cardeais da Cúria Romana, inclusive o secretário de Estado, que equivale à função de primeiro-ministro, são compulsoriamente demitidos. Apenas três permanecem em suas atuais funções: o camerlengo, responsável pela transição e eleição do novo Pontífice; o penitenciário-mor, pois deve ser mantida aberta a porta do perdão dos pecados reservados à Santa Sé, ou seja, aqueles que só ela pode conceder o perdão; e o vigário da diocese de Roma.

MARTHA MEDEIROS - Fim de férias

ZERO HORA - 20/02/2013

Passei duas semanas à beira-mar, caminhando, pedalando, rindo com os amigos e mergulhada em boas leituras. Aproveitei o descanso para me extasiar com Os Enamoramentos, de Javier Marias, para conhecer a ironia cativante de David Foster Wallace em seu Ficando Longe do Fato de já Estar meio que Longe de Tudo e voltei a consultar o filósofo Cioran, cuja amargura não deixa de ter um lado divertido. 


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LETICIA WIERZCHOWSKI - Dois livraços

ZERO HORA - 21/02/2013

A minha biblioteca costuma guardar lugar de honra para os romances, mas, neste verão, picada por algum bichinho, curiosamente eu me pus a ler uma série de livros de memórias, e dois deles me emocionaram muitíssimo – A Lebre com Olhos de Âmbar (ed. Intrínseca) e Só Garotos (Cia. das Letras). 


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Encontros de camundongos - Fernando Reinach

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo
 
É comum sentirmos prazer ao retornarmos a um local onde vivemos uma boa experiência. Uma cidade associada a uma paixão ou um restaurante onde começou um romance. Muitas vezes a memória desses lugares é tão forte que temos medo de retornar e nos decepcionarmos, mas é comum voltarmos buscando o prazer sentido no passado. Agora foi demonstrado que os camundongos fazem o mesmo: memorizam os locais onde sentiram prazer e retornam com frequência, buscando renovar a sensação. Mas, se no caso dos humanos são estímulos visuais que identificam o local, no dos camundongos é o cheiro de algumas gotas de urina.

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Para Cuba, com carinho - EUGÊNIO BUCCI

 O ESTADO DE S.PAULO - 21/02/2013

A visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil, esta semana, mobilizou opiniões de todo tipo. Ainda ontem, em Brasília, parlamentares reagiram de modos antagônicos à presença dela no Congresso Nacional. Uns, como o senador petista Eduardo Suplicy, puseram-se de pé para aplaudi-la. Outros torceram o nariz.Representantes de auto denominados" movimentos sociais" esgoelavam-se para xingá-la de "agente da CIA", etc., como já tinham feito no Recife.

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O Estado gerencial e o fordismo tupiniquim - RUDÁ RICCI

O ESTADO DE S. PAULO -21/02/2013


São dois projetos distintos e muito nítidos. A gestão FHC trouxe elementos da lógica e da estrutura organizacional empresarial para o interior do Estado. Não adotou a cartilha neoliberal que, aliás, é extremamente pobre, mas a lógica do Estado gerencial, que se alimentou de alguns elementos neoliberais. Já a concepção lulista estaria mais próxima do que a Escola da Regulação Francesa denominou de "fordismo". Um fordismo tardio, já que seu declínio nos EUA e Europa teve início a partir do choque do preço do petróleo na segunda metade dos anos 1970.

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Eleições unificadas - BETO ALBUQUERQUE

O GLOBO - 21/02/2013

Quase todo líder político tem em mente sua reforma política ideal. O mesmo vale para a imprensa, a academia, os partidos e as organizações representativas. Em cada pauta dentro desse tema, um emaranhado de sugestões se soma. Muitas polêmicas se abrem. Há teses para todos os lados - em grande parte, plausíveis. Porém, essa vastidão de ideias e meandros que o assunto desperta é um dos muitos motivos pelos quais a dita reforma não avança.


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Bilhar - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Luis Fernando Verissimo - O Estado de S.Paulo
 
 
Da série Poesia numa Hora Dessas?!

"E essa agora?

Se o que explodiu sobre a

Rússia mostrou alguma coisa

foi que meteoro não tem hora."

O mais assustador do meteoro que cruzou o céu da Sibéria e explodiu no ar como várias bombas atômicas é que ele chegou sem ser anunciado. Com todas as atenções voltadas para o outro asteroide, o que passou de raspão, o asteroide da Sibéria entrou pela porta dos fundos sem ser detectado. A desculpa é que era pequeno demais para chamar a atenção e por isso os alarmes não funcionaram. Nossa ilusão, até agora, era que qualquer detrito espacial que se aproximasse de nós seria identificado e rotulado, e sua trajetória calculada até o último milímetro com grande antecedência, o que nos daria tempo para preparar o espírito - ou usar nossos cartões de crédito até o limite - no caso da colisão com a Terra ser inevitável. Agora sabemos que qualquer coisa menor do que meio campo de futebol pode chegar de surpresa e explodir sobre nossas cabeças. Só nos faltava essa.


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'Falando de Amor' - Pasquale Cipro Neto

Cá entre nós, a correlação, em segunda pessoa, entre 'Se soubesses' e 'não negavas um beijinho...' é maravilhosa

O incansável Wagner Homem (responsável pelo site de Chico Buarque, autor dos belos "Chico Buarque - Histórias de Canções" e "Toquinho - Histórias de Canções" e coautor, com Luiz Roberto Oliveira, do não menos belo "Tom Jobim - Histórias de Canções") me convida para o show de lançamento da obra relativa ao monumental Tom Jobim (nesta sexta, no Café Paon, em São Paulo).

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Janio de Freitas - Livres e proibidos

Código Penal, bem entendido, é nome fantasia. O verdadeiro é Código de Incentivo à Criminalidade

DE REPENTE, há tanto o que celebrar entre os fatos marginalizados pela renúncia do papa, que só mesmo a conveniente bajulação ao Judiciário sugere por onde começar. É pela original proteção criada, para quem tenha ou venha a ter questões na Justiça, contra a influência de empresas e pessoas endinheiradas sobre as decisões de juízes.

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José Simão - Uau! Naddad lança Bilhete Úmido!

Jogo de xadrez para crianças devia vir com um aviso: "Cuidado com o Bispo!"

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Pensamento do dia: eleição no Vaticano é conclave, eleição no congresso é conchavo! E na Venezuela, conchávez! E no condomínio, confusão! E prometo ficar um ano sem fazer trocadilho! Rarará!

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Contardo Calligaris - Para que serve a tortura?

A tortura tem, no mínimo, três fins não excludentes: 1) tortura-se pelo prazer enjoativo de quem tortura ou de quem assiste à tortura; 2) tortura-se para que um acusado confesse seu crime; 3) tortura-se para que um acusado revele a existência de um complô, os nomes de seus cúmplices etc. Será que a tortura consegue tudo isso?

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... e Yoani Sánchez, quem diria, acabou reprimida em Feira de Santana - Malu Fontes

Correio da Bahia - 20/02/2013

 

Cuba, todo mundo sabe, é aquela ilha caribenha governada há décadas por um ditador, que recentemente passou o poder a um irmão menos ancião, mas igualmente ditador. A ilha e seu regime são elogiadíssimos por brasileiros estrelados que, sempre do alto de suas coberturas em Ipanema e no Leblon, não cansam de tecer loas ao castrismo (antes, de Fidel e, agora, de Raul. Mas pergunte se algum deles gostaria de morar lá... Aliás, os comunistas brasileiros mais íntimos de Fidel são vistos sempre nas colunas sociais e políticas em altas rodas: passeios em barcos nababescos de empresários amigos, reveillòn e castelos em Paris e praias paradisíacas cujos spas têm diárias que alimentariam por uma década a família inteira de Yoani. Zé Dirceu e Fernando Morais que o digam. Nas balaustradas do Malecón ninguém aparece.

Aqui, na Bahia, desde o desembarque, segunda-feira, da blogueira cubana Yoani Sánchez, alçada ao posto de inimiga número 1 dos irmãos Castro, armou-se um alvoroço surreal. Um deputado estadual daqui, um líder estudantil dali e uns comunas de pijama dacolá entraram em pé de guerra, mais raivosos que índios quando se pintam de vermelho para a dança da guerra. O palco maior da cena até aqui? Feira de Santana, destino de Yoani imediatamente após desembarcar para participar do lançamento de um documentário sobre Cuba e do qual ela participa. Por pouco, a cubana não recebeu dos comunas de plantão em Feira tratamento semelhante ao dado aos integrantes da banda New Hit, em julgamento no Fórum de uma cidade ali por perto, Ruy Barbosa, acusados da prática de estupro coletivo contra fãs e, por isso, ameaçados de linchamento.

Se os amigos baianos de Fidel e Raul não se levassem tão a sério e não se acreditassem tão ameaçadores, estaríamos diante de uma comédia, com direito, inclusive, à participação coadjuvante do senador paulista Eduardo Suplicy, que se desterrou de suas bandas para dar apoio receptivo à moça. Impagável como sempre, nos telejornais de segunda à noite e terça Suplicy aparecia de dedo em riste e aos gritos, num arremedo do personagem mas recente de Tarantino, o destemido e incontido Django. Como um Django desarmado, Suplicy urrava para os comunistas incontíveis que não deixam Yoani falar nem tampouco entrar na sala de cinema para ver o documentário, cuja exibição foi cancelada. Gritava, com a mãozinha no alto e o dedão indicador chamando os protestantes para a briga retórica: “vem aqui discutir comigo, vem; seja corajoso, vem aqui discutir comigo”. Mais comédia, impossível. Um regime político que considera aquela moçoila uma inimiga que justifica até mesmo o envio de dossiês diplomáticos ao governo brasileiro sobre sua periculosidade ideológica só pode ser objeto de gargalhada.

Para dar à cena o frescor da juventude, estavam também meninos e meninas do movimento estudantil, essa categoria formada em grande parte por alunos que não querem jamais terminar a faculdade e odeiam estudar, justamente para não sair da universidade nem do movimento, pois é graças a este que circulam por aí custeados. Mesmo separado por décadas dos comunas de pijama, os jovens do movimento estudantil têm em comum com aqueles a aversão pelo direito de expressão de quem diverge de suas opiniões quanto às qualidades dos companheiros Lenin e Stálin, e o gosto pelo uso de termos como ‘imperialismo ianque’, para eles uma palavra tão atual quanto byte,  convergência e ziriguidum. A blogueira, por sua vez, de tão acostumada à repressão, está achando tudo lindo e democrático. Se chegasse um pouco antes, corria o risco de levar um pito de Oscar Niemeyer.

Malu Fontes é jornalista e professora de jornalismo da UFBA.

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ITÁLIA EM COMA - HELENA CELESTINO

Nos anos Berlusconi, o jornalista Bill Emmot era persona non grata na Itália, autor de capas da “Economist” que faziam explodir crises no colo do então premier. A menos de uma semana da eleição italiana, ele volta a agitar o conturbado cenário político ao acusar o governo de censurar seu filme, um cáustico retrato do país que - acha ele - vive em estado de negação da realidade. Com o documentário “Girlfriend in a coma”, Emmott, ex-editor-chefe da mais importante revista europeia, conseguiu dar uma sacudidela na deprimente campanha eleitoral, que deixa os italianos entre o apático e o irritado.

Uma nova Europa? - MARCO LUCCHESI

A renúncia papal e as mudanças na Europa exigem uma estética da paciência e uma nova ética da governança

Ouço em Budapeste, e não somente aqui onde me encontro, uma exaltação quase febril pelos profetas que cantaram os últimos dias da Europa. Dentre todos, “A decandência do ocidente”, de Oswald Spengler, lembra um cartório abandonado e coberto de poeira, onde se guarda, nas prateleiras apocalipticas, o certificado de óbito da comunidade europeia, o fim do novo e derradeiro império romano, abatido e cansado, vítima de uma crise de identidade sem precedentes. Como se houvesse uma Roma simbólica, duplamente vazia, nos dias que correm, onde César e o Papa suspiram em estado terminal, habitados pelo silêncio, pela falta de perspectiva. Eis a leitura dos europessimistas, prevendo forças centrífugas, desintegradoras, diante das quais não há quantidade suficiente de paz romana para defender a Europa de seus inimigos e com idêntico vigor.

E Yaoni enfim chegou - Zuenir Ventura

Ela foi alvo em Pernambuco e Bahia
de um pequeno grupo de militantes
de esquerda, que a recebeu
com xingamentos

 Hoje ela é notícia de primeira página, mas há quatro anos, quando perguntei num artigo, “Vocês conhecem Yoani?”, pouca gente aqui sabia que ela já era uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista “Time”. Que seu blog “Geração Y” ganhara prêmio no exterior como um espaço em defesa da livre expressão. E que por isso, e porque tinha quatro milhões de acessos por mês, era perseguido pelo governo de Fidel Castro.

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Os desafios da Rede - Cláudio Gonçalves Couto

Mal aquietaram-se os ânimos inflamados pelo julgamento do mensalão e sua presumida profilaxia ética na política nacional, adveio o desalento provocado pela eleição do inefável senador Renan Calheiros à presidência do Senado (e, consequentemente, do Congresso). Nesse cenário consternador, um bafejo de esperança animou a muitos, com a criação do novo partido liderado por Marina Silva, a "Rede Sustentabilidade".


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10 Anos X 13 Fracassos: Aécio duela com PT hoje

Enquanto a presidente Dilma e Lula participarão de ato pelos 10 anos do PT no poder, o tucano Aécio Neves falará no Senado sobre os "13 fracassos do PT".

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FABRÍCIO CARPINEJAR - O piano da sala

Não fica com dó ao enxergar um piano parado, totalmente sem uso, num apartamento?
 
Não sente um remorso? Não considera um desperdício?
 
Tão caro e tão abandonado. Tão valioso e tão calado.
 

Uma estátua em homenagem a Yoani Sánchez - RICARDO GALUPPO

Em lugar de promover as manifestações que perseguem a blogueira cubana Yoani Sánchez aonde quer que ela pise, a rapaziada do PT e de outros partidos da "base aliada" deveria era erguer uma estátua em homenagem à moça.

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Longe da perfeição - TOSTÃO

Há muito tempo, a quarta-feira, e não o domingo, é o dia de futebol. Hoje, mais ainda

O chavão é falar do "espírito de Libertadores". Isso não faltou nas duas últimas péssimas partidas do Grêmio. Faltou futebol. Jogador com vontade é tão óbvio, essencial e uma obrigação, que nem precisaria ser lembrado. Hoje, o Grêmio precisa jogar muito, se quiser ganhar do Fluminense.


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Macumba - Roberto DaMatta

Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo
 
Em dias de Quaresma e ressaca carnavalesca, com direito a renúncia de um papa e a passagem de meteoros!, vale pensar na macumba. Na arte da bruxaria ou magia negra. That old black magic that you weave so well (aquela magia negra que você trama tão bem), que, mesmo em tempos de "racionalidade", traz de volta o poder de atingir e ser atingido pelos outros. Tal como faz o amor e, por isso, me vem à mente o verso dessa velha, mas maravilhosa canção de 1942, de Harold Alen e Johnny Mercer.

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A linguagem das coisas - Francisco Bosco

No domingo retrasado, em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, Ferreira Gullar argumentou contra a arte contemporânea, questionando o estatuto de arte das obras de alguns dos artistas tidos como dos mais importantes de nosso tempo. Isso porque, para Gullar, a arte contemporânea é “caracterizada por não ter linguagem” e é, no limite, uma “negação dos valores estéticos”. Considero que o grande poeta está, quanto a isso, bastante equivocado. Selecionarei e comentarei as passagens mais decisivas de sua argumentação, quanto ao ponto que me interessa aqui.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Felicidade Facebook - JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS

Sorria, você está na nova Barra da Tijuca espiritual, o novo nirvana de onde quero mandar fotos chutando chapinha em Paris

Ah, quem me dera tamanha glória e júbilo, a felicidade dos que navegam sorridentes no Instagram, no Facebook e no que mais for inventado no decorrer desta semana. Como é bem-sucedida essa gente que carrega um celular em cada bolso, os novos tambores para comunicar aos seus 2,5 mil amigos que vai tudo bem. A comida à mesa é farta, o cenário das férias é paradisíaco, e quando se chega em casa lá está o gatinho balançando o rabo, o cachorro se fingindo de mal-humorado. Todos anunciando em miados, latidos e centenas de fotos que aqui mora uma família bem construída — e, antes que pensem o contrário, antes que o maridão seja pego logo mais no bafômetro, isso precisa ser divulgado nas redes sociais.


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Os donos do Senado - MARCO ANTONIO VILLA

A Murici dos Calheiros, em Alagoas, tem vários recordes. O mais triste é o de analfabetismo: mais de 40% da população entre os 26 mil habitantes. O senador é produto desta miséria


A República brasileira nasceu sob a égide do coronelismo. O federalismo entregou aos mandões locais parcela considerável do poder que, no Império, era exercido diretamente da Corte. Isto explica a rápida consolidação do novo regime justamente onde não havia republicanos. Para os coronéis pouco importava se o Brasil era uma monarquia ou uma república. O que interessava era ter as mãos livres para poder controlar o poder local e exercê-lo de acordo com seus interesses.


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Janio de Freitas - A explosão de liberdade

Nunca o jornalismo tratou tão livremente um papado, a personalidade de um papa e a própria Igreja

Na amazônia de textos provocada pela renúncia de Bento 16 há algo mais, e não percebido, do que as especulações, apreciações e, às vezes, notícias. Nunca o jornalismo, tanto impresso como por transmissão, tratou com tamanha liberdade um papado, a personalidade de um papa e a própria Igreja Católica. A despeito da sua riqueza de sentidos pregressos e de implicações presentes, a grandiosidade deste fenômeno é sinal e parte de uma grandeza ainda maior, que é a modificação dos costumes, ainda incompreensível na sua real dimensão -como demonstra o insuspeitado transbordamento de liberdade verbal suscitado por Bento 16, sem dúvida, à sua revelia.

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Vladimir Safatle - Contra a democracia

Um dos pilares do paradigma liberal é a crença de que livre-mercado e democracia são termos que nunca podem entrar em contradição.

Segundo essa vulgata, por meio do livre-mercado garante-se a liberdade individual de empreender e defender seus próprios interesses.

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Carlos Heitor Cony - Nada de novo no papado

RIO DE JANEIRO - Papa virou assunto e vou falar de um deles, Celestino 5º, que sucedeu a Nicolau 4º, em 1294. Houve confusão entre os cardeais e príncipes interessados, até que se lembraram de um beneditino que se tornara eremita, e vivia numa gruta ao pé do monte Morrone. Quase ocorreu um cisma, o candidato mais em evidência era o cardeal Bento Caetani, mas os eleitores escolheram o eremita, Pietro Angeleri, nascido em 1215, filho de camponeses, que recusou o convite.

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Helio Schwartsman - Missa em latim

SÃO PAULO - Ao contrário da esmagadora maioria dos comentários que li na imprensa, torço para que o conclave eleja um papa tão ou mais conservador do que Bento 16. Até entendo que as pessoas defendam o que imaginam ser o melhor para a Igreja Católica, mas creio que estejam deixando passar o essencial.

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José Simão - Ueba! Marina deita na rede!

Ou como definiu aquele outro: o partido da Marina é um PSD que não come carne! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Socuerro! Todos Para o Abrigo! Toquem as trombetas do apocalipse! O fim está perto! O papa renuncia, o meteoro cai e o Chávez volta!
 

João Pereira Coutinho - Ester

São incontáveis as crônicas em que plagiei a minha avó -os únicos premeditados e conscientes que cometi
 
Disse um dia em entrevista televisiva que, sempre que tinha dúvidas sobre um assunto sobre o qual precisava escrever, telefonava imediatamente à minha avó. Ela resolvia qualquer bloqueio criativo.
A entrevistadora entendeu a frase como "boutade" -a atitude típica de um "dândi", para citar uma crítica altamente elogiosa que um editorialista do "Valor Econômico" atirou sobre mim.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Despedida - Lúcia Guimarães

Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
 
NOVA YORK - Não existe altruísmo e sim o autointeresse iluminado - adágios como este eram cunhados com naturalidade por Anne Margolis, minha grande amiga e meu norte neste hemisfério. Há duas semanas, Anne decidiu nos deixar com a rapidez com que tomava outras decisões, como abandonar a cerâmica, a escultura ou a poesia. Digo decidiu porque ela não estava acometida por nenhum mal agudo. Anne expirou e deixou um rastro de perplexidade entre os que tiveram contato, mesmo o mais breve, com sua incandescência.

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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Preocupado como quê? - SÉRGIO AUGUSTO

 Aquecimento global, chacinas, triunfo da idiocracia: há preocupações
para todos os gostos. Se não tiver nenhuma, comece a se preocupar

Como faz todos os anos desde 1998, o agente literário John Brockman despachou por e-mail uma pergunta provocativa à legião de cientistas, intelectuais, acadêmicos e artistas que lotam sua agenda de amigos e parceiros no site Edge.org., e ficou esperando. Em poucas semanas recebeu 154 respostas, assinadas por notórias figuras do mundo científico e habitués de sua enquete anual (Steven Pinker, Sam Harris, Daniel C. Dennett) e gente do show business (Brian Eno, Terry Gilliam, Richard Foreman). A pergunta de 2013 - "Com o que devemos nos preocupar?" - lhe foi soprada pelo entendido em história da ciência George Dyson.

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Pega-rapaz - JULIANA SAYURI

Por que o roteirista das novas Adventures of Superman se transformou em vilão diante do movimento gay

Santa controvérsia, Batman! Querem trancafiar o Superman no armário? Talvez transformá-lo num herói californiano marrento a la Arnold Schwarzenegger? Macho alfa da cultura pop norte-americana, o Superman se tornou alvo de questões polêmicas sobre sexualidade nos últimos dias, após a editora DC Comics divulgar a contratação do escritor Orson Scott Card para redigir histórias para a revista Adventures of Superman a partir de abril, com ilustrações de Chris Sprous e Karl Story. Mas, para o alto e avante, por que tanta discussão sobre as preferências íntimas do homem de aço?

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BARROCOS - JOSÉ MARIA MAYRINK

Benedito Lima de Toledo mostra como a escola nascida na Europa foi aprimorada no Brasil 

 

 História, costumes e arte se mesclam, se completam e se explicam nas páginas de Esplendor do Barroco Luso-brasileiro, de Benedito Lima de Toledo, professor titular de História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo. Ao longo dos últimos 50 anos, esse paulistano do bairro da Liberdade fez com dedicação e gosto, no Brasil e em Portugal, estudos e pesquisas de campo para transmitir aos alunos as lições que agora enriquecem este livro em texto, fotos e desenhos.

 

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Republicanos indóceis - Lee Siegel

NEW JERSEY - Foi absolutamente surreal ouvir o discurso sobre o estado da União do presidente Obama semana passada. Foi absolutamente surreal ouvir o líder do país mais poderoso do mundo se rebaixar a defender que o governo pode beneficiar a vida das pessoas. E o que Obama pleiteava era o mínimo que um governo pode e deve fazer. Ele pediu permissão ao país, e à fanática oposição republicana, para, por favor, investir mais em educação. Para crianças de baixa e média renda terem acesso à pré-escola. Para elevar o salário mínimo de US$ 7,25 para US$ 9,00. Para reformar a imigração. Para aprovar novas leis de controle de armas. Caramba! Que agenda mais ousada.

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MEGALIVRARIAS CRESCEM NO BRASIL, APESAR DA INTERNET



Enquanto nos EUA as grandes redes sucumbem à força das lojas digitais, no Brasil cenário é de expansão e aumento das vendas


NAYARA FRAGA - O Estado de S.Paulo
 
Enquanto nos Estados Unidos as megalivrarias fecham as portas, no Brasil o cenário é de expansão. As grandes redes do País têm ganhado cada vez mais espaço. O aumento do número de lojas que faturam entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões por ano dá a dimensão do fenômeno: elas saltaram de três em cada cem, em 2009, para 17 em cada cem em 2012, segundo pesquisa da consultoria Gfk. E, ao contrário do que se poderia imaginar, boa parte do crescimento está no mundo físico - mesmo diante do avanço das operações online.

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O exemplo de José Mindlin

Os cerca de 60 mil volumes doados pela família do bibliófilo José Mindlin à Universidade de São Paulo (USP) finalmente estão acomodados em um edifício construído para esse fim no câmpus do Butantã. A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin é um raro exemplo de generosidade num país em que profissionais e empresários bem-sucedidos não têm o hábito de "devolver" à sociedade parte da riqueza que acumularam. Mas é também um caso paradigmático das imensas dificuldades que filantropos como Mindlin, que não viveu para ver seu sonho realizado, enfrentam para fazer doações a universidades no Brasil.

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Cineasta conta como foi conviver com Joãosinho Trinta, mestre do carnaval

  • Paulo Machline fala como foi recriar o desfile do Salgueiro de 1974, o primeiro vencido pelo carnavalesco
Roberto Kaz 

Matheus Nachtergaele interpreta Joãosinho Trinta no filme "Trinta", de Paulo Machline, a ser lançado no segundo semestre
Foto: Divulgação 01/02/2013 / O Globo
Matheus Nachtergaele interpreta Joãosinho Trinta no filme "Trinta", de Paulo Machline, a ser lançado no segundo semestre 
RIO - Se não tivesse lido o jornal num domingo de 2002, o cineasta Paulo Machline talvez nunca se interessasse pela história de Joãosinho Trinta. Machline estava na França, dirigindo um seriado e, num dia de folga, acessou a internet de uma lan house. Foi quando se deparou com o artigo assinado por Carlos Heitor Cony.

Colunista Convidado - HAMILTON VAZ PEREIRA

O GLOBO - 17/02/2013
 A arte liberta

“A imaginação e o pensamento
crítico fortalecem a capacidade
de se colocar no lugar do outro e de
dialogar com o diferente. A arte
prepara para viver a diferença”

O Brasil vive um bom momento, os indicadores sociais e econômicos o
atestam, apesar das encrencas insolúveis. Vivi a juventude na ditadura militar
e o começo da idade adulta na era Collor, épocas em que o Estado não
tolerou a imaginação e o pensamento e resolveu acabar com a raça de artistas,
cientistas e filósofos. Neste domingo, pensando nos filhos e netos daquela
geração, parece que a vida brasileira melhorou em diversos aspectos.
Vamos aproveitar a chance de fazer daqui um bom lugar para viver? Ou depois
da Copa e das Olimpíadas vamos descobrir que os fundamentos da
nossa economia não eram fortes e os últimos anos não foram tão melhores?

Você, na praia dominical, diante de um churrasco memorável ou fazendo
sexo veraneio, concorda que crescimento econômico não é qualidade de vida
e que lucro não é ápice da existência? Pois, então, somos uma megaeconomia,
convivemos com uma concentração de renda tipo Serra Leoa e uma
tragédia social imensa. É assim. Para ser de outra maneira, precisamos de
diversos saberes e trabalhar muito. Não se produz bem-estar sem arte, ciência
e filosofia. O mundo precisa de gente capaz de avaliar o velho problema
e praticar a nova solução. Tratar a arte como supérflua não cola. Em épocas
sombrias, respiramos Chico, bebemos Glauber, devoramos Cacilda. Fala,
Mangueira!

A imaginação e o pensamento crítico, entre outros benefícios, fortalecem
a capacidade de se colocar no lugar do outro e de dialogar com o diferente.
Isso é bom porque o mundo está cheio de intolerância, incapaz de suportar
o que não é semelhante. A arte prepara para viver a diferença. Desde os antigos
festivais gregos, o teatro estimula o cidadão para além do mundo civilizado
e da vida medíocre. O espectador descobre o assunto da cena observando
pontos de vista de diversos personagens. E tudo com a grande vantagem:
ninguém mata ou morre de verdade. Não é o máximo?

Agora que o mundo presta atenção nesta província e a Copa e as Olimpíadas
se aproximam, é legal que o carioca exercite seu dom da hospitalidade
apresentando aos brasileiros e estrangeiros de todas as partes espetáculos
que afirmam diversas maneiras de estar na vida. Há bons motivos para ir ao
balé, ao cinema, às artes plásticas: são atividades que enriquecem a pessoa,
são tônicos para a sociedade, favorecem os negócios da cidade. Mas o público
tem que chegar junto, e os responsáveis precisam reabrir nossos teatros
com segurança e rapidez.

Que tal, agora, escolher o que você vai assistir hoje? Chama o amigo para
ver “Oréstia”, convida a gata para assistir a “O desaparecimento do elefante”,
leva a sogra para ver “Esta criança”. Saíram de cartaz? Mas, já? Torça para
que voltem. O palco estimula o cara a não seguir a manada de búfalos. Se
você não é um pernóstico da existência, uma dorminhoca com coisas mais
importantes para fazer, vai gostar de estar na plateia. Neste verão, verdadeiros
antídotos contra a mediocridade estão nos palcos. Entre vários, “Jacinta”.
O teatro que tem Andréa Beltrão e Aderbal Freire Filho em atividade merece
amor e mais amor. Viva Walmor Chagas e Mané Garrincha. Uma oração
para Santa Maria. E bom domingo a todos!

Após anos de busca pelo papel perfeito, Kevin Bacon estreia na TV em ‘The following’



Thaís Britto 

Kevin Bacon é o protagonista de "The following", nova série da Warner
Foto: Divulgação
Kevin Bacon é o protagonista de "The following", nova série da Warner 
NOVA YORK - Tente se lembrar de um personagem interpretado por Kevin Bacon no cinema. O desafio é facílimo, já que, com 35 anos de carreira, o ator acumula mais de 50 filmes no currículo. Agora, faça um esforço para pensar em um mocinho vivido por ele. À exceção do protagonista de “Footloose” — que, sejamos sinceros, era um tanto rebelde —, foram poucos os rapazes de bom coração defendidos por Bacon em sua trajetória cinematográfica. Mas tudo está prestes a mudar. A partir de quinta-feira, às 23h, o ator não apenas estará do lado bom, mas vai encarar seu primeiro protagonista na TV. Na série “The following”, que será exibida pela Warner, ele é Ryan Hardy, um ex-agente do FBI que precisa voltar à ativa quando um serial killer que prendeu há 10 anos escapa da cadeia.

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Disco 'Getz/ Gilberto' completa 50 anos e se mantém influente


  • Álbum que reuniu João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim consolidou a bossa nova no mundo, disputando atenções e prêmios com os Beatles
Leonardo Lichote

João, Tom e Getz no primeiro ensaio para o álbum, no Carnegie Hall
Foto: David Drew Zingg / Divulgação
João, Tom e Getz no primeiro ensaio para o álbum, no Carnegie Hall 
RIO - No bilhete, o baixista Tião Neto mandava notícias (“news quentinhas”, como chamou) dos músicos brasileiros em Nova York: “Estamos gravando dia e noite. Eu, por exemplo, gravei para a Verve um LP de b.n. (bossa nova), em companhia de Stan Getz, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Banana. Embora minha opinião seja suspeita, acho que o disco vai ser o melhor de b.n. internacional gravado até hoje”. O texto, publicado em 11 de abril de 1963 na coluna “O GLOBO nos discos populares”, deste jornal, fazia referência a “Getz/ Gilberto”, gravado um mês antes e lançado no ano seguinte — Tião não citara a participação de Astrud Gilberto. Mais que uma “opinião suspeita”, o relato atestava a sensibilidade de seu autor em identificar no álbum, gravado há 50 anos, um clássico — desde o lançamento, louvado por músicos de jazz e aclamada pelo público em geral, acumulando Grammys e semanas nas parada de sucessos, mantendo-se influente até hoje.

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ENTREVISTA - ANDRÉ WAISMANN

Método de carioca promete combater vício em opiáceos


Terapia acena com chance de evitar crise de abstinência

 CH EXCLUSIVO RIO DE JANEIRO (RJ) 07/02/2013 O médico brasileiro que atual em Israel André Waismann. FOTO / DIVULGAÇÃO<252>

-TEL AVIV- Morando em Israel desde 1982, o médico carioca André Waismann, de 54 anos, desenvolveu um tratamento de desintoxicação rápida, à base de naltrexona, que promete curar o vício em opiáceos em 36 horas e suprimir ânsias.

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Perfil: Tarcisio Bertone

Secretário de Estado é posto à prova na Santa Sé

  • Cardeal conservador tem seu caráter fortemente exaltado pelo Papa, mas opositores acusam-no de corrupção. E de manipular Bento XVI


Parceria irrestrita. Bertone passa pelo Papa na missa da Quarta-Feira de Cinzas
Foto: AFP/GABRIEL BOUYS
Parceria irrestrita. Bertone passa pelo Papa na missa da Quarta-Feira de Cinzas 
Antes mesmo de terminar a digitação de todos os caracteres de “Tarcisio Bertone”, o buscador Google sugere ao internauta três complementos. O primeiro, “Pedro, o Romano”, se refere à suposta designação do último Pontífice da Igreja Católica, conforme a profecia de São Malaquias. Em seguida, aparecem como sugestões “anticristo” e “próximo Papa”. A antítese da internet reflete a realidade exposta nesta semana pela renúncia de Bento XVI: dentro de uma Cúria fragmentada, o secretário de Estado e camerlengo do Vaticano parece ter defensores apaixonadamente fiéis. E inimigos igualmente ferozes.

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Uma Sé nada Santa

  • Cúria Romana é apontada como palco de intrigas que levaram Papa a abdicar
Deborah Berlinck

A cadeira do Papa Bento XVI aparece vaga na Basílica de São Pedro logo antes da missa da Quarta-Feira de Cinzas: disputa pelo novo ocupante do cargo expõe isolamento do Pontífice e brigas internas
Foto: AP/13-2-2013
A cadeira do Papa Bento XVI aparece vaga na Basílica de São Pedro logo antes da missa da Quarta-Feira de Cinzas: disputa pelo novo ocupante do cargo expõe isolamento do Pontífice e brigas internas 
ROMA — O Papa Bento XVI, ao anunciar sua renúncia, provocou um cataclismo no Vaticano. E agora? Seus detratores viram o gesto como a reação de um homem que não teve punho para governar uma Igreja tomada por disputas, carreirismo e escândalos. Mas outros viram um gesto revolucionário. Consciente de seu isolamento, e sentindo o peso da idade, Bento XVI deu o passo impensável para provocar justamente o que buscava: um choque de mudanças na Igreja e na Cúria Romana — o conjunto de órgãos e pessoas que o auxiliam e que, no fundo, governam o Vaticano e a Igreja. Vaticanistas têm apontado o centro de poder da Santa Sé como o palco onde se desenrolou o drama que levou a um desfecho há 600 anos não visto: a abdicação do Pontífice.

PERFIL Luiz Oscar Niemeyer

O cara do rock que colocou o Brasil na rota dos megashows



Astros no currículo. Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe estrelas como Elton John, Paul Simon, Bob Dylan e Stevie Wonder, planeja agora a turnê dos 30 anos do Paralamas do Sucesso
Foto: Ana Branco / O Globo
Astros no currículo. Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe estrelas como Elton John, Paul Simon, Bob Dylan e Stevie Wonder, planeja agora a turnê dos 30 anos do Paralamas do Sucesso 
RIO — Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe para o país grandes astros da música internacional, anuncia uma turnê para festejar os 30 anos do Paralamas do Sucesso, que começa dia 20 de abril em São Paulo.
Ele tinha tudo para se tornar um médico grifado, mas acabou se transformando num dos maiores nomes do showbusiness brasileiro. Filho do neurocirurgião Paulo Niemeyer e irmão do também neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, o empresário Luiz Oscar Niemeyer se convenceu cedo que a medicina é um sacerdócio e preferiu seguir outros caminhos. Ponto para a música. Foi ele quem colocou o Brasil na rota dos grandes astros internacionais. Em 1990, trouxe Paul McCartney ao país, uma turnê que marcou a carreira do ex-Beatles e bateu todos os recordes de público. Um dos shows, realizado no Maracanã, foi assistido por mais de 180 mil pessoas e entrou para o livro dos recordes como a maior audiência de todos os tempos de um único artista. Em 2011, ele trouxe Paul novamente para uma série de shows em Porto Alegre, São Paulo e Rio.

Cinzas do vício - Humberto Werneck

Humberto Werneck - O Estado de S.Paulo 
 
Ameacei contar, dois domingos atrás, como foi que cortei, sem um pingo de heroísmo, meus três maços diários de cigarro, no remoto ano 81 do século 20. Mas tiene muchas ramas el árbol de mi conversación (esta é do Pablo Neruda), tantas que, desgarrado, acabei não desembuchando um episódio que pode ser assim resumido: parei de fumar porque fumei demais. Enjoei. Nos últimos tempos, acendia um cigarro sem ver que outro ardia no cinzeiro. Como esses amores vencidos que por inércia vão remanescendo, aquilo já não tinha gosto. De manhã, adiava o instante de acender o primeiro, por conhecer de sobra o mal-estar que me traria; a vontade era começar pelo segundo. 
 

Volta das férias - João Ubaldo Ribeiro

Como alguns - ou muitos, quem sabe - de vocês temiam, não foi ainda desta vez que desapareci em Itaparica, para nunca mais ser visto. Houve a tentação e a oportunidade, mas resisti, desconfiado do que queriam dizer os sorrisos dos interlocutores, quando se inteiravam dessa possibilidade. E aí eis-me de volta, naturalmente trazendo-lhes a narrativa de alguns dos empolgantes acontecimentos que marcaram minhas férias. Como todos os escolares de meu tempo, treinei para isso no colégio. A diferença está em que, nessa época, a maioria de nós contava as piores lorotas sobre as férias, ou com o objetivo de impressionar uma colega e talvez a professora (eu mesmo era suspirosamente apaixonado pela minha professora de português, no antigo ginásio), ou porque as férias de verdade não tinham sido das mais famosas. Mas o que se segue não são lorotas e está aí Itaparica inteira, que não me deixa mentir.

LEIA AQUI

Para a lua de Saturno - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O ESTADÃO - 17/02

A Natureza está finalmente reagindo e pretende nos varrer da face da Terra?

Há momentos na vida em que o Homem (aí subentendida a Mulher também) chega assim a um promontório filosófico, de onde avista o caminho que já percorreu e o caminho que ainda precisa andar ou, se ele tiver sorte e aparecer um táxi, rodar. São momentos de grave introspecção em que o Homem faz um inventário de si mesmo seus sonhos, suas desilusões, suas possibilidades, e onde diabo enfiei o antiácido? e se faz perguntas. Valeu a pena? Devo continuar? Aproveito o promontório e me atiro? Quem sou eu e por que estou aqui falando sozinho? 


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Tostão - História, sorte e acaso

FOLHA DE SP - 17/02/2013

A história do futebol, do mundo e das pessoas costuma ser mal contada e/ou distorcida


No futebol, pelas inúmeras possibilidades de explicar os fatos, a história é, com frequência, mal contada e/ou distorcida. A versão que fica não costuma ser a mais correta, e sim a mais interessante, a que dá mais audiência. Além disso, nossas lembranças afetivas, das quais não temos nenhuma dúvida, estão mais próximas de nossas imaginações e desejos do que da realidade. O ser humano mente muito, com ou sem intenção.


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A igreja, o papa e a democracia - CLÓVIS ROSSI

A fé pode sobreviver por outros dois milênios e até mais, mas, sem se abrir, o papado perde força

ROMA - Suzana Singer, a competentíssima jornalista e ombudsman desta Folha, cobrou, na quinta-feira, em sua crítica interna: "Falta tentar mensurar o tamanho do poder do papa. Qual a sua real influe&#770;ncia fora do mundo clerical?".

Coincidência, Suzana, mas eu vinha pensando nisso desde a segunda-feira em que aFolha me cortou as férias para cobrir a renúncia de Bento 16. Só sinto que minha soberba ainda não tenha chegado ao ponto de achar que posso responder.


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Deus hipotético - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 17/02/2013

Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição. A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas. Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão do comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo – o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma – seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição. 


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Elio Gaspari - Governos espetaculares fazem espetáculos

A seca nordestina exibe a opção dos governos pelas marquetagens para empulhar quem paga imposto
Desde o ano passado o semiárido nordestino atravessa uma grave seca. Na Bahia, Sergipe, Alagoas e Maranhão, 75% dos municípios estão em estado de emergência. No Ceará, são 177 em 184. Lá, as chuvas do ano passado ficaram em metade da média habitual e neste ano estão abaixo do terço (55,1 milímetros contra 161,8). Há 136 municípios dependendo de carros-pipa para atender perto de um milhão de pessoas. Em algumas cidades as escolas dependem do socorro de vizinhos.

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Janio de Freitas - Cair na rede

Movimento de Marina pode sistematizar a repulsa intuitiva do eleitor a tudo que leva o nome de partido
Dê no que der como resultado eleitoral, o movimento que Marina Silva começa para constituir um partido seu na disputa pela Presidência tende a cumprir um papel político e social de muita utilidade. A ideia de denominá-lo Rede já é sugestiva, nem tanto por sugerir internet, mas pela identificação com a repulsa tão difundida a tudo que leve o nome de partido.

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Ferreira Gullar - Esculhambação

Todos usam o poder que detêm para tirar vantagens. O interesse público é sua moeda de troca
A tragédia de Santa Maria impactou o país pela quantidade de mortes que ocasionou mas também pelo que significa no quadro da realidade brasileira: a denúncia da irresponsabilidade que tomou conta do país.

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Corda e cor - Caetano Veloso


Estou longe agora, mas me orgulho de que se precise golpear tanto o carnaval da Bahia

Li com interesse e carinho a entrevista de João Jorge, o fundador e presidente do Olodum e meu amigo, à “Folha de S.Paulo”. A chamada de primeira página dava um gosto tipicamente “Folha” à matéria: Ivete Sangalo seria a única artista do carnaval baiano. Ser esse um carnaval de uma artista só, completava o corpo da reportagem amparado em falas de João, tinha um motivo: a artista era branca. Para um baiano que vive e observa o carnaval de Salvador desde 1960, essas declarações parecem absurdas. Passei uma noite na rua em Ondina, onde culmina o circuito Barra-Ondina do carnaval soteropolitano. Brinquei na pipoca ao som e à luz do Psirico, de Daniela, do 8794 e de um outro cujo nome não lembro mas que tinha a ver com música sertaneja. Psirico e Daniela são estrelas das ruas carnavalescas da Bahia pelo menos tão grandes quanto Ivete.

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