quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Fernando Rodrigues - Políticos fora do lugar

BRASÍLIA - Entrevistei uma vez, nos anos 80, um amigo de infância de Ulysses Guimarães. Soube que o pequeno Ulysses, na faixa dos dez anos de idade, já falava em ser presidente da República.

O sonho durou 60 anos. Virou obsessão. Quando estava ao alcance da mão, era tarde demais. O Brasil era outro. Queria outros nomes. Qualquer observador atento sabia das poucas chances de Ulysses na eleição presidencial de 1989. Menos ele. Nas urnas, ficou num humilhante sétimo lugar, com meros 4,4% dos votos.

A história me veio à memória depois de assistir aos discursos recentes de outros dois peemedebistas obcecados. Renan Calheiros e Henrique Alves. Eles foram eleitos para comandar o Senado e a Câmara dos Deputados, respectivamente.

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Helio Schwartsman - Guerra à distância

SÃO PAULO - A Folha publicou anteontem editorial em que criticou a crescente utilização, pelos EUA, de aviões não tripulados, os temíveis drones, para eliminar suspeitos de terrorismo. Não há dúvida, como frisou o editorial, que a disseminação de tal prática se configura como aplicação da pena de morte sem o devido processo legal -uma aberração jurídica-, mas existe um outro aspecto que eu quero destacar.

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José Simão - Ueba! Dilma cria o Bolsa Abadá!

O Carnaval mais animado do planeta é em Curitiba e com a namorada menstruada. E chovendo!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Oba! Faltam três dias pro Carnaval! E a manchete do Piauí Herald: "Dilma distribui abadás para a base aliada".

E a oposição? A oposição fica na pipoca mesmo! Já imaginou o Aécio todo mauricinho pulando na pipoca? E a marchinha oficial? "Mamãe, eu quero/ Mamãe, eu quero/ Mamãe, eu quero mamar/ Dá ministério/ Dá ministério/ Pro PMDB não chorar."

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

‘Cosmococas’ e Plutão - CRISTINA RUIZ-KELLERSMANN


Apesar do frio e da neve, o ano em Berlim começa em alta, com três momentos que marcam o calendário de inverno da cidade: a Fashion Week, a Transmediale/CTM e o Festival de Cinema de Berlim

Apesar do frio e da neve, o ano em Berlim começa em alta, com três momentos que marcam o calendário de inverno da cidade: a Fashion Week, a Transmediale/CTM e o Festival de Cinema de Berlim. Estes eventos acontecem na sequência trazendo novas caras, novos ares e muitos visitantes talentosos à cidade.


O que é que a favela tem?

Levantamento inédito, que vai virar livro
e guia, mapeia a rica e desconhecida produção
cultural de cinco comunidades pacificadas


Mauro Ventura 

Gilberto Vieira (à esquerda) e Jorge Barbosa, do Observatório de Favelas, na Maré, estão à frente da pesquisa cultural
Foto: Mônica Imbuzeiro
Gilberto Vieira (à esquerda) e Jorge Barbosa, do Observatório de Favelas, na Maré, estão à frente da pesquisa cultural Mônica Imbuzeiro
Tem o Chorando à Toa, grupo de choro da Rocinha. E o Teatro Trevo, companhia de dança de rua da Cidade de Deus. Tem ainda a RT Pipas, do Complexo do Alemão, que, como o nome indica, fabrica e vende pipas. Já a Unidos de Manguinhos ensina a tocar instrumentos e a sambar na quadra da escola de Manguinhos.

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Congresso exige mais negociação de Dilma - Raymundo Costa

A nova formatação das Mesas da Câmara e do Senado, definida no fim de semana, vai exigir da presidente Dilma Rousseff mais negociação com deputados e senadores. É certo que tanto Renan Calheiros quanto Henrique Eduardo Alves, respectivamente, assumem as presidências das duas Casas fracos em virtude das acusações de malfeitos feitas contra eles no período que antecedeu as eleições. Mas as pressões e interesses em jogo, no último biênio do mandato de Dilma Rousseff, vão muito além do PMDB, e podem ter reflexos sobre a economia e a atividade empresarial.

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Bombeiro que deu o alvará à boate Kiss diz ter feito "tudo dentro das normas"

Bombeiro que deu o alvará à boate Kiss diz ter feito "tudo dentro das normas" Lauro Alves/Agencia RBS
Coronel da reserva garante que boate tinha plano de prevenção a incêndio Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
 
Francisco Amorim e Lizie Antonello*

A boate Kiss só foi aberta em 2010 porque o então major Daniel da Silva Adriano considerou o local seguro para o público. Mesmo sem um Plano de Prevenção e Combate a Incêndio — fato que ele nega —, o oficial assinou o alvará do Corpo de Bombeiros, permitindo que a casa noturna fosse autorizada a funcionar pela prefeitura. Conhecido na sociedade santa-mariense, Adriano, que chegou a ser chefe regional da Defesa Civil, agora é coronel da reserva.

Em entrevista ao Diário de Santa Maria e Zero Hora (veja abaixo) afirmou ter feito "tudo dentro das normas" ao assinar o alvará que chancela segurança na Kiss — palco da maior tragédia da história gaúcha, que vitimou, até agora, 237 jovens. Outros personagens, citados no fim desta página, ajudam a entender o papel de cada órgão e servidor na concessão do alvará de funcionamento da boate.

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Sob velha direção: Os novos donos do Congresso

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Com Renan Calheiros na presidência do Senado e Henrique Alves na da Câmara, o PMDB se consolida no comando do Congresso e se fortalece na negociação para as eleições de 2014. Porém, assim como os novos presidentes das duas Casas, vários integrantes das duas Mesas Diretoras e líderes de bancada são investigados ou citados em escândalos. Ao chegar para tomar posse, Renan enfrentou protestos.
Tudo dominado
Com vitória de Henrique Alves, PMDB lidera Congresso e ocupa linha sucessória de Dilma
Isabel Braga, Cristiane Jungblut
BRASÍLIA - Favorito e com o apoio de 20 partidos, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) foi eleito ontem novo presidente da Câmara dos Deputados com 271 votos, um placar que ficou aquém da vitória acachapante que os peemedebistas esperavam. Cacique do partido e com 11 mandatos como deputado federal, Alves venceu outros três candidatos no primeiro turno, mas com apenas 22 votos além dos 249 exigidos regimentalmente. Os peemedebistas apostavam em adesão de pelo menos 300 deputados. A avaliação foi que a traição partiu principalmente do PT, do PSD e até mesmo do PMDB.

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Rumo ao interior - XICO GRAZIANO

O Brasil está interiorizando seu desenvolvimento. Basta averiguar um traço espacial da economia brasileira em 2012: o PIB da Região Centro-Oeste apresentou crescimento de 3,3%. Apesar de modesto, esse valor foi sete vezes maior do que o verificado na Região Sudeste, que subiu apenas 0,5%. Rumo ao interior.

É muito interessante perceber tal fenômeno, apontado pela consultoria Tendências. Onde impera o setor industrial - em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, parte também no Espírito Santo - anda capengando o País. Já onde domina a agropecuária - nos Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e até no Distrito Federal - instala-se um círculo virtuoso de prosperidade. Embora sofrendo as deficiências da infraestrutura logística e, de certa forma, amargando o descaso do governo, os agronegócios têm animado a economia brasileira.

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PAULO SANT’ANA - Ainda o desarmamento

O governo de São Paulo, encabeçado por Geraldo Alckmin, fez uma intensa campanha dirigida aos cidadãos.

O lema da campanha: “Proteja sua família. Desarme-se”.

O governador pensa, pois, que, quanto menos armas portarem os paulistas, menos eles serão atingidos pela criminalidade.

É um curioso raciocínio. Porque não está provado que as armas usadas pelos bandidos sejam arrecadadas através de furtos e roubos sobre os cidadãos.

Pelo contrário, o que se sabe é que a maioria das armas usadas pelos bandidos é contrabandeada.


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Malditos preços, benditos preços - Ilan Goldfajn

Os preços atraem muita emoção quando se mexem. É natural, alguns ganham e outros perdem. Mas os preços fazem parte do funcionamento das economias. Há preços dos bens e serviços, mas também do trabalho (salário), do dinheiro e do tempo (juros), das empresas (ações) e até da nossa moeda em relação às outras (câmbio). A tentação dos governos é mantê-los sob mira curta, por diversas razões. Certamente para combater a inflação e evitar excessos derivados de monopólios, porém, em alguns casos, para tentar influenciar os rumos da economia.

A questão é que os preços têm um papel público também: eles sinalizam quando sobra ou falta algo. Afinal, a lei mais conhecida da economia é a da demanda e oferta, em que os preços sobem quando falta o produto e caem quando sobra. Um preço subindo pode não ser apenas sinal de injustiça ou inflação, mas de escassez ou ineficiência que mereça atenção. A liberdade dos preços traz a transparência necessária para ajudar na correção de rumos, muitas vezes de forma natural, quando eles sobem para reduzir o consumo e aumentar a oferta (ou vice-versa).

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Hegemonia? - Fabiano Santos

Duas questões relevantes e interligadas surgem deste início de ano legislativo: que impacto o controle das duas Casas legislativas pelo PMDB pode causar sobre a dinâmica política? Mais especificamente, em que medida ver-se-iam alterados os fundamentos das relações entre o Executivo e o Legislativo?

É importante assinalar, antes de mais nada, que o cenário que desponta é o de continuidade. As escolhas de Renan Calheiros e Henrique Alves não resultam de um realinhamento de forças na base governista nem de movimentos inesperados do chamado "baixo clero". Tratou-se, nos dois casos, da consagração de entendimentos entre as lideranças do Legislativo a respeito de como conduzir o processo político intramuros.

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Depois, o show continua - Luiz Garcia

O noticiário dos jornais sobre as consequências do incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, tem um tema predominante: as providências que estão sendo tomadas em outros estados para evitar tragédias semelhantes.

Ainda bem: é sempre sensato correr na frente do prejuízo. Aqui, por exemplo, o governo estadual e a prefeitura carioca decidiram suspender os espetáculos em 49 espaços culturais, que incluem 13 teatros, que funcionam sem autorização dos bombeiros. A plateia agradece. Mas os cidadãos mais sensatos não podem evitar a pergunta óbvia: porque isso só acontece ante o impacto de uma tragédia?

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O Congresso saiu do armário - Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo
O congressista bateu no peito e me disse, em alto e bom som:

"Vocês não sabem o que é a mente de um deputado ou senador. Durante muito tempo, fomos criticados como os mais corruptos soldados do atraso nacional, porque os brasileiros vivem angustiados, com sensação de urgência. Problema deles: apressadinhos comem cru. Nosso conceito de tempo é outro. É doce morar lentamente dentro dessas cúpulas redondas, não apenas para 'maracutaias' tão "coisas nossas", mas porque temos o direito de viver nosso mandato com mansidão, pastoreando nossos eleitores, sentindo o 'frisson' dos ternos novos, dos bigodes pintados, das amantes nos contracheques, das imunidades para humilhar garçons e policiais. Detestamos que nos obriguem a 'governar'.

Inventaram as tais 'fichas limpas', nos xingavam de tudo, a ponto de nossa credibilidade ficar realmente abalada. Pensamos muito no que fazer para limpar o nome do Congresso. Mas a pecha de traidores colou em nós. Não podíamos ficar expostos à chacota da opinião pública, nem ser admoestados pelo Supremo Tribunal Federal, que resolveu se meter em política, principalmente depois que aquele negão pernóstico (bons tempos em que chamávamos mulatos cultos de 'pernósticos'), resolveu pegar em nosso pé. 


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Janio de Freitas - Um trio inovador

Renan Calheiros, Henrique Alves e Eduardo Cunha oferecem uma síntese do estado das instituições

É uma situação sem precedente na história parlamentar brasileira: o eleito para a presidência do Senado, o eleito para a presidência da Câmara dos Deputados e o eleito para a importante, quando não decisiva, liderança na Câmara do partido-chave para o governo, estão pendentes de inquéritos e decisões judiciais. Por diferentes motivos, mas não por coincidência, os três já foram ou estão investigados em improbidades financeiras.

A coincidência se dá no Judiciário: os processos de Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha entram em ano após ano, mas em pautas de julgamento jamais são chamados a entrar.

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Joel Silveira - Carlos Heitor Cony

RIO DE JANEIRO - Emocionante o documentário de Geneton Moraes Neto exibido pelo canal Globo News no último sábado, sobre Joel Silveira, apresentado como o "maior repórter brasileiro". Pessoalmente, duvido sempre de expressões como "o maior" isso ou aquilo. O próprio Joel considerava João do Rio como o maior repórter, e eu sempre discordei dessa escolha. Conheço uns cinco que foram melhores do que ele, o Joel inclusive.

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Eliane Cantanhêde - As palavras e os atos

BRASÍLIA - Renan Calheiros, presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, têm muito em comum.

Os dois são do PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer. Vêm de Estados menores, Renan de Alagoas e Henrique do Rio Grande do Norte. Estão às voltas com o Ministério Público por práticas públicas heterodoxas.

São também parlamentares muito experientes, que conhecem cada canto e cada segredo do Congresso e ascenderam a cargos nacionais sendo essencialmente políticos regionais, que poderiam ser de São Paulo, do Rio ou de qualquer outro Estado, mas sempre com teto regional.

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Helio Schwartsman - A ética como meio

SÃO PAULO - Em seu discurso ao plenário do Senado, na sexta, Renan Calheiros levantou uma questão interessante. Disse que a ética é um meio, e não um fim em si mesmo. Vale explorar mais a afirmação.
 
Num sentido muito trivial, o novo presidente do Senado tem razão. Exceto por alguns kantianos patológicos, ninguém sustenta que a ética é a meta final da humanidade. As pessoas costumam escolher outros objetivos para dar significado às suas existências, como a salvação, no caso de religiosos, ou apenas viver uma boa vida, como preferimos os incréus

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João Pereira Coutinho - É proibido proibir?

Mas como responder aos direitos das "mães de aluguel"? Ou até dos "filhos comprados"?

É um dos vícios do mundo moderno: a crença patética de que tudo é possível, tudo é permissível. Ou, como diziam os filhos do maio de 68, é proibido proibir.
Um caso ilustra esse vício com arrepiante precisão: as "barrigas de aluguel".

Li a excelente matéria de Patrícia Campos Mello publicada nesta Folha no domingo. E entendo a pergunta que anima o negócio: se um casal não pode ter filhos por infertilidade da mulher, por que não contratar os serviços de uma "mãe de aluguel", que terá o seu óvulo fecundado pelo espermatozoide do pai adotivo?

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José Simão - Ueba! O Pato virou coelho!

A gente cria apego. Eu cresci vendo o Sarney pela televisão. O Sarney e a Xuxa! Rarará!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Adorei a charge do Paixão! Sabe o que o Sarney falou pro Renan? "Cuida bem, que eu volto já!" Saudades do Sarney! A gente cria apego. Eu cresci vendo o Sarney pela televisão. O Sarney e a Xuxa! Rarará!

E olha o e-mail que recebi de um baiano: "O Carnaval tá quase acabando e você não veio!". É que hoje, no Nordeste, se você ligar um liquidificador, sai todo mundo correndo atrás pensando que é trio elétrico!

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Solução geral - ANDRÉ KFOURI

 O LANCE - 04-02-2013

André Kfouri - akfouri@lancenet.com.br


AVALANCHE

A diretoria do Grêmio promete preservar a área da geral de seu novo estádio, onde aconteceu um desagradável acidente na semana passada. A grade de proteção não suportou o peso da avalanche
após o gol de Elano contra a LDU, o susto deixou uma dezena de feridos. O fato de o primeiro jogo oficial da casa gremista não ter sido marcado por um desastre é um alívio, por diversos motivos. O principal é o óbvio. Outro é a possibilidade de discutir a questão com tranquilidade.

Vozes se levantaram contra a proibição do tipo de comemoração que parte da torcida do Grêmio gosta de fazer. Um tanto precipitadas, talvez, e condicionadas pela reação típica dos poderes a situações dessa natureza. Proíbe-se, nesses casos, apenas para dar uma satisfação. Passa-se ao largo da solução, por mais trabalhosa. O clube gaúcho agiu corretamente ao interditar o local para, primeiro, entender o que houve. Coleta de informações.

Desnecessário acrescentar que a grade em questão não poderia ter cedido. Não apenas porque o estádio é zero quilômetro. No projeto da Arena, a geral foi desenhada para acomodar o grupo de torcedores que faz a avalanche. Aquele é o lugar deles. Não é exagero dizer que a comemoração característica é tão parte da obra quanto os camarotes. Agrade estava ali para aguentar a avalanche. Foi feita para tanto.

A decisão sobre o futuro da geral passa por conversas com as autoridades em Porto  Alegre. A capacidade do local (cerca de 10 mil pessoas) foi reduzida para 8 mil torcedores para os jogos do final do ano passado, justamente por questões de segurança. Pelo mesmo motivo, foram instaladas barras antiesmagamento que diminuíram o espaço da avalanche. É necessário que se encontre uma configuração que permita que os gols do Grêmio e a avalanche convivam sem que as pessoas se machuquem. A opção mais fácil de todas é liberar e expôr os torcedores.A segunda mais fácil é proibir. A solução está no meio do caminho.

O pior resultado possível do acidente da quarta-feira não é o fim da avalanche. É a instalação de cadeiras num setor popular do estádio. A capacidade total cairia em cerca de 4 mil pessoas, privando o time
de apoio. E o torcedor perderia a chance de ver o Grêmio pagando menos pelo ingresso. A descaracterização da geral da Arena seria um equívoco do clube e um golpe para a torcida.

Volto ao exemplo do Borussia Dortmund, citado em coluna recente. A chamada Muralha Amarela” do Signal Iduna Park (o velho, histórico e espetacular Westfalenstadion) é um espaço de 25 mil pessoas atrás de um dos gols, que o clube reserva para torcedores de baixo poder aquisitivo, especialmente os jovens. Carnês para todas as rodadas em casa do Campeonato Alemão, e as três partidas da fase de grupos da Liga dos Campeões, custam 11 euros por jogo. Com cadeiras, o Dortmund lucraria mais 5 milhões de euros por ano, mas prefere “proteger” o torcedor que lota o setor.

Estádios, modernos ou não, devem ter lugares para todos os bolsos. No futebol brasileiro, não há missão mais importante do que ocupá-los. Que o Grêmio acerte em sua decisão.

Fábrica de sonhos e burgers - DANIEL GALERA


Descobri que havia um histórico perturbador de processos por causa de menções a marcas, empresas ou produtos em contexto negativo dentro de livros de ficção

Em meu livro “Até o dia em que o cão morreu” há um diálogo em que o narrador, um sujeito um tanto amargo e formado em Letras, informa à nova namorada que “deu aula em um desses cursos falcatrua de inglês, tipo Yázigi”. A namorada defende a escola de idiomas, dizendo que estudou lá durante sete anos e fala inglês muito bem. O narrador retruca: “É isso, eles levam sete anos pra ensinar inglês pra alguém.”
Isso está na edição original de 2003, uma publicação independente. Quando o livro foi reeditado pela Companhia das Letras, em 2007, a menção ao Yázigi precisou ser cortada, depois de uma, digamos, recomendação enfática dos editores. Descobri que havia um histórico perturbador de processos por causa de menções a marcas, empresas ou produtos em contexto negativo dentro de livros de ficção. A editora quase sempre perde. Também acontece de advogados oportunistas caçarem nomes de empresas fictícias para encontrar uma empresa real que tenha o mesmo nome e tentar descolar uma graninha.

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MAZZAROPI CULT

  • Documentário mostra importância de um dos maiores atores e campeões de bilheteria do Brasil

Mazzaropi
Foto: Marcio Arruda/08.06.1977
Mazzaropi 
RIO - Mito supremo do cinema rural no Brasil, capaz de enfileirar um blockbuster atrás do outro numa carreira de 32 filmes, Amácio Mazzaropi (1912-1981) morreu aos 69 anos rodeado por folclores das mais variadas espécies. O repertório de causos a seu respeito vai de (supostas) aventuras sexuais com galãs estreantes a maquinações (nem sempre generosas com seus funcionários) como homem de negócios, passando a hipóteses improváveis acerca da dilapidação de sua fortuna, estimada por alguns em R$ 30 milhões e por outros em R$ 300 milhões, mas nunca devidamente quantificada.

A mais recorrente das lendas é que apenas com os habitantes de Taubaté — cidade paulista onde construiu casa, produtora (PAM Filmes) e um império comercial — seus longas-metragens já pagavam seu custo de produção. O que vinha do resto do país, portanto, era lucro. Muitas dessas histórias — as mais saborosas — são relembradas (e algumas delas comprovadas) no documentário “Mazzaropi”, primeiro longa-metragem do crítico Celso Sabadin, já finalizado e à espera de uma data de estreia.

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A nova juventude - Carlos Alberto Di Franco

A Europa continua sob o fogo cerrado de uma crise econômico-financeira sem precedentes. Os números do desemprego na Espanha, por exemplo, são assustadores. Dados divulgados recentemente apontam que 26% da população está sem trabalho, totalizando quase 6 milhões de pessoas. Mais da metade dos jovens está sem emprego. Assiste-se ao comprometimento de toda uma geração. O país vive uma fuga crescente de jovens talentos. Em um ano, a população de 20 a 24 anos diminuiu em 100 mil pessoas; de 25 a 29 anos a queda foi de 150 mil. O impacto da crise entre os jovens preocupa as autoridades e suscita análises sociológicas.

A juventude europeia não foi preparada para a adversidade. A frustração apresenta uma pesada fatura: violência, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, aids e drogas. A ausência de cenários promissores compõe a trágica equação que ameaça destruir o sonho juvenil e escancarar as portas para uma explosão de contestação.

O quadro brasileiro é bem diferente. Felizmente. Temos, é certo, muitos problemas - violência, drogas, corrupção, desigualdade, baixa qualidade da educação -, todavia somos um país de gente alegre, com capacidade de sonhar. Expectativa de futuro define a vida das pessoas e o rumo das sociedades. "O Brasil", dizia-me um conhecido jornalista espanhol, "tem muitas coisas que não funcionam." Mas acrescentou: "Vocês têm problemas, porém têm alegria, fé, futuro. Nós, europeus, perdemos a esperança".

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ENTREVISTA Mary Sue Coleman

Reitora da Universidade de Michigan vê riscos para instituições com maior produção científica


Em aula. Estudantes em auditório na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos <252> Foto: Terceiro / Divulgação Universidade de Michigan
Em aula. Estudantes em auditório na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos 
Na metade do século passado, o estado de Michigan vivia seu apogeu econômico, impulsionado pela indústria automobilística sediada em Detroit, até então a quarta maior cidade dos Estados Unidos, com dois milhões de habitantes. Naquela época, a Universidade de Michigan, a principal do estado, era mantida basicamente com recursos públicos, fonte de 70% de sua receita. A chegada dos carros japoneses, no entanto, foi um duro golpe na hoje decadente indústria automobilística local. Detroit, maior símbolo dessa crise, viu sua população encolher para 700 mil habitantes. Em muitas áreas, mais parece uma cidade-fantasma.

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A miragem do mensalão - Cláudio Gonçalves Couto

A condenação de importantes quadros políticos no julgamento do mensalão talvez tenha suscitado a miragem de uma revolução ética em curso no País, gerando uma redução drástica dos graus de tolerância com a corrupção, desvios de conduta e atitudes mal explicadas. Some-se a isto o sucesso da Lei da Ficha Limpa, que nas últimas eleições barrou País afora centenas de candidatos condenados em órgãos colegiados do Judiciário.

Imaginar-se-iam extintos episódios como a eleição de um Renan Calheiros para a presidência do Senado - ele que, há poucos anos, renunciou a esse cargo ao ser colhido num escândalo de pagamentos de pensão por lobista e notas fiscais obscuras em negócios com gado.

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PAULO SANT’ANA - O grilo e a abelha

Tenho ressaltado nos últimos dias a importância da fatalidade ao redor dos fatos humanos.

Notem bem o caso da jovem Mariana Lucher, com 23 anos, que sábado passado dirigia seu carro pela estrada, em Rosário do Sul, quando o veículo saiu da pista e foi se chocar contra um barranco.

Ocorre que havia uma colmeia de abelhas no barranco, que foi atingida pelo carro.

Não sei se a jovem estava dentro do carro ou foi despejada dele pelo choque quando as abelhas a atacaram.


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KLEDIR RAMIL - Outros carnavais

Bebia-se muito. Naquele tempo, éramos todos muito jovens, e o corpo aguentava coisas que não gosto nem de lembrar. Eu mesmo, hoje um abstêmio convicto e radical, fui parar duas vezes no pronto-socorro em coma alcoólico. Um deles durante o desfile do Carnaval de Pelotas, em que eu fazia o papel de Princesa do Bloco das Almôndegas.

Modéstia à parte, eu estava belíssima, enfiada num peignoir azul que minha mãe tinha usado na noite de núpcias. Arranquei suspiros na avenida e, máximo dos máximos, conquistei o coração de um velho bêbado. A ponto de ter que pedir ajuda aos amigos para me livrar do admirador que não largava do meu pé, ou melhor, da minha cintura.

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Paulo Brossard - Presidente negro no país de Lincoln

Cabe ao poder público fazer a sua parte. Mas fazer mesmo, sem escamoteações. Diminuiu muito a margem para os governantes lenientes e para os servidores relapsos.


Passada a primeira semana de comoção pelo dramático episódio de Santa Maria, o país precisa transformar a dor, a revolta e a indignação em ações pragmáticas destinadas a efetivamente assegurar um futuro melhor para seus jovens. Talvez precisemos de décadas ou mesmo de séculos para alcançarmos o estágio cultural de povos orientais que priorizam a educação, a ética e o cumprimento rigoroso das normas sociais, mas, enquanto isso não ocorre, podemos adotar medidas pontuais que assegurem avanços na segurança, na ordem pública e na preservação dos valores da vida _ independentemente da investigação policial em curso e das propostas de mudanças na legislação.

A questão mais premente no momento é a vistoria geral das casas noturnas e dos locais de grande afluência de público, para que não se repitam as condições de negligência que provocaram o desastre do dia 27 de janeiro. Entre as medidas esperadas e indispensáveis, está o cumprimento pelos empresários de todas as exigências da legislação e dos órgãos públicos responsáveis pela autorização de funcionamento de tais casas. Como diz o antigo ditado, quem não tem competência que não se estabeleça. Chega de tapeação, de puxadinhos, de transformar locais de diversão em armadilhas. Tais atitudes, invariavelmente motivadas pela ganância, tornaram-se ainda mais intoleráveis depois dos traumáticos acontecimentos de Santa Maria. E são criminosas _ não há mais como relevar isso.

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“A ética é meio, não é fim” - RENAN CALHEIROS

Conselhos que dou de graça ao recém-eleito presidente do Senado, Renan Calheiros  (PMDB-AL). Nada de voar em avião de carreira a não ser para o exterior. E sob a condição de ser o último passageiro a embarcar na primeira  classe, discretamente. Assim evitará o risco de ser  - ofendido pelos demais passageiros da econômica. Pelo mesmo motivo, nada de frequentar  shoppings. Em Maceió, talvez seja possível.

CUIDADO REDOBRADO quando estiver em Brasília. Aqui todo mundo conhece todo mundo. Nem mesmo disfarçado dá para bater perna à beira do Lago Paranoá. Matricular-se em academias? Nem pensar. Lembre-se: Brasília sediou as maiores manifestações pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor em 1992. E do ano passado para cá, passeatas e comícios contra a corrupção.

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Regulação da publicidade de alimentos - Luís Roberto Barroso

Valor Econômico - 04/02/2013


Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo impunha restrições à publicidade de alimentos e bebidas, consumidos pelo público infantil, que contivessem alto teor de açúcar, gordura ou sódio. O projeto foi fundamentadamente vetado pelo governador. Dentre outras razões, a disciplina da publicidade é reservada à lei federal (Constituição, art. 22, XXIX). Vale dizer: leis estaduais ou municipais não podem proibir publicidade, por determinação constitucional expressa. Essa regra aumenta a visibilidade e a abrangência do debate, evita a multiplicidade de regimes jurídicos e reduz o risco de restrições arbitrárias.

O precedente de São Paulo assume uma importância ainda maior pelo fato de a mesma discussão estar sendo desenvolvida em outros Estados e até mesmo em alguns municípios. Em quatro deles - Belo Horizonte, Florianópolis, Goiás e Rio de Janeiro - já houve projetos igualmente vetados com fundamentação semelhante. Segundo os defensores desse tipo de iniciativa, o objetivo central é a proteção das crianças, que seriam mais vulneráveis ao efeito persuasivo da mídia e acabariam sendo induzidas ao consumo exagerado. Um propósito certamente legítimo e desejável. No entanto, o maniqueísmo é quase sempre uma representação precária e distorcida da verdade. Ninguém é contra a promoção da saúde infantil. A questão é definir como isso deve ser feito e de que forma esse objetivo deve ser conciliado com outros, também relevantes.

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A felicidade é prisioneira da má administração - Paulo Delgado

O Brasil é um país espinhoso e impreciso. A felicidade é prisioneira da má administração das cidades onde a autoridade, flagrada em omissão, clama pela redundância das leis. Entre nós, a esperança se escandaliza e vira pó. Em qualquer família estão os pais dos jovens triturados em Santa Maria. Tragédias evitáveis e arbitrariedades são manifestações replicantes do terror na vida cotidiana.

O plenário da Câmara dos Deputados não tem habite-se e reúne mais deputados do que o Brasil precisa. Superlotado, o lúgubre vespeiro que é seu interior não resiste ao pânico. Se houver sincera agitação, por medo ou violência metade dos deputados morre esmagada, para alegria de quem não vê seriedade na política. Não há janelas, saída de emergência, tudo é carpete, pelas portas não passam duas pessoas às pressas. Até recentemente, nos ministérios não havia escadas contra fogo. Quem rumina mórbidas fantasias da destruição dos três poderes fique sabendo que a maioria das prefeituras, fóruns e câmaras de vereadores funciona sem alvará.

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Um brasileiro na OMC, para que, afinal? - Sergio Leo

Valor Econômico - 04/02/2013
 

Quem se pergunta qual a importância, para o Brasil, de um candidato do país à direção-geral da Organização Mundial do Comércio deveria refletir sobre outra pergunta, mais relevante: qual a importância da OMC para o Brasil? É a resposta para essa indagação que justifica o lançamento do diplomata Roberto Azevedo como candidato ao comando dessa instituição multilateral. É também essa questão que permite situar mais corretamente certas críticas fora de foco à estratégia de negociação comercial adotada nos últimos anos pelo Brasil.

É frequente e equivocada a comparação entre o Brasil e países como Chile e México, os brasileiros atrelados ao Mercosul, com uma rede medíocre de acordos de livre comércio, e os outros dois (com Colômbia, Peru e outros) ligados a uma rede em expansão de acordos de redução de barreiras comerciais. O primeiro equívoco é atribuir a falta de acordos exclusivamente ao governo e à suposta influência do "lulopetismo" na estratégia comercial, como se não fosse o influente setor privado brasileiro um dos maiores opositores, no passado e mais ainda agora, à derrubada de tarifas e barreiras que orienta toda negociação de comércio.

A Ucrânia e o Paquistão são aqui - Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico - 04/02/2013

Justiça ganha poder graças à corrupção política

Em 2012 as paixões se exaltaram no Brasil, com o julgamento de um caso que até no nome mostrou uma divisão política acentuada: mensalão, diziam uns, Ação Penal 470, diziam outros. O Judiciário condenou o líder petista que foi o principal ministro do primeiro governo Lula. A discussão do assunto tem-se confinado ao Brasil. Mas a experiência do maior país da América Latina encontra paralelos numa potência regional da Ásia, o Paquistão, e num dos principais Estados que saíram da ex-União Soviética, a Ucrânia.


Yulia Tymoshenko ficou famosa pela imagem e pela ação. Ela é a loura de cabelos trançados que em 2004 liderou a Revolução Laranja, contra o governo da Ucrânia, que teria fraudado as eleições. Depois de intensas manifestações, com a simpatia da mídia internacional e o apoio dos governos ocidentais, ela chegou ao poder. Com idas e vindas foi primeira-ministra da Ucrânia até 2010, quando perdeu as eleições - e logo foi condenada à prisão. Responde a outros processos.

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Cachorro louco - José de Souza Martins

Devo a vida ao Instituto Pasteur de São Paulo. Minha tia Sebastiana me dizia: "Ocê nasceu porque vossa mãe foi mordida por um cachorro louco". Minha mãe, ainda solteira, morava na roça, no bairro do Arriá, no Pinhalzinho, quando foi mordida por um cão hidrófobo, aí por 1936. Morto o animal a tiros, teve a cabeça cortada e colocada num saco de estopa. Meu tio Pedro desceu a Serra das Araras a cavalo, levando o embrulho e, em outro cavalo, minha mãe e sua irmã mais velha para que tomassem o trem em Bragança e viajassem para São Paulo. Da Estação da Luz foram para o Instituto Pasteur, na Avenida Paulista. Entregaram a cabeça do cachorro, para confirmar a hidrofobia. 

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Tragédia pastelão - Lúcia Guimarães

Um bunker subterrâneo abriga, no começo do fim de semana, enquanto escrevo, um menino de 5 anos que chora pelos pais. O bunker foi construído por Jimmy Lee Dykes, de 65 anos, conhecido num município rural do Alabama por se trancar lá dentro por vários dias. Tem eletricidade, comida e TV. Por um tubo de ventilação, a policia passou remédios para o menino refém, que sofre de autismo. O garoto foi arrancado por Dykes do ônibus escolar, depois que seu captor executou o motorista do ônibus que se havia se recusado a entregar dois outros meninos.

O captor armado é possivelmente doente mental. Mas, na narrativa fronteiriça americana, pode se passar por um excêntrico com temperamento violento, exercitando seus direitos fantasiosos sob a segunda emenda da Constituição. Ele estava intimado a comparecer a um tribunal depois de ter feito disparos contra uma vizinha, o filho e o neto da mulher, aborrecido com uma disputa por um quebra-molas na estrada de terra batida onde vive.


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Entrevista da 2ª Zeca Pagodinho

Não tem mais Carnaval, acabaram com o que é da cultura, roubaram tudo


Sambista diz que não há mais bailes nem enfeites pelas ruas do rio e arma sua própria festa em xerém
ROBERTO DIASENVIADO ESPECIAL AO RIO Zeca Pagodinho acaba a entrevista, cantarola Bezerra da Silva ("Favela quando é favela, não deixa morar delator") e conta logo qual é a boa: "Vou no jogo [do bicho] ali um bocadinho. Todo dia vou para o maldito daquele jogo. Ah, mas é ali que eu sei de tudo: que barracão que está pronto, quem vai sair. Sambista, jogo, futebol e bicheiro: está todo mundo junto."

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Aécio Neves - Ladeira abaixo

Além do aumento do preço da gasolina, anunciado pelo governo federal, a Petrobras voltou a entrar em evidência, semana passada, ao perder o posto de maior empresa da América Latina.

O jornal "Financial Times", um dos mais respeitados no mundo na área financeira, colocou a colombiana Ecopetrol no topo do ranking das empresas de maior valor de mercado. As ações da Petrobras perderam 45% do valor ao longo dos últimos três anos, de acordo com a publicação britânica.

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Luiz Felipe Pondé - Relojoeiro cego

Vejo mesmo o comercial: "Dê a seu filho o que você tem de melhor, Bradesco Biotecnologia"
Você vai ao médico, ele pede um exame de sangue e você descobre que seu filho terá síndrome de Down. O que você faria?

Pensará nos custos? Você não é uma pessoa excepcionalmente egoísta, mas, em meio a sua agenda, como conseguirá lidar com uma criança assim? A agenda já é pesada com trabalho, sexo top (lembre-se: gostosa sempre!), estudos na pós-graduação (afinal, hoje em dia é imperativo agregar valor à vida profissional e pessoal), férias...

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Que saudade da presença...- Renato Janine Ribeiro

Representar é tornar presente o ausente, é trazer para perto o distante; o problema é a falsificação


Paulo Liebert/AE
Que saudade da presença...
Quem está fisicamente perto pode estar muito longe
Renato Janine Ribeiro É comum se discutir que mudanças a internet trouxe para as relações humanas. Como é este mundo pós-pós-moderno, diferente de tudo que antes existiu? Uma imagem ilustra o que uns chamam de perplexidade, uma imagem frequente, hilariante - e banal: cinco ou seis pessoas juntas, mas cada uma mergulhada em seu laptop ou celular. Parecem ser um grupo, só que não são, cada uma fechada em seu virtual.

Mas isso é mesmo uma novidade? Porque o distanciamento de quem fisicamente está próximo é um tema antigo na filosofia. Ele remonta pelo menos a Platão, no século 5º antes de Cristo.

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TOMIE,100

Tomie Ohtake relembra sua trajetória e celebra seu centenário com exposição em São Paulo


Audrey Furlaneto


A artista, que faz 100 anos em novembro, segue produtiva e pinta três vezes por semana: “Agora só se fala em centenário. É engraçado. Nunca senti os anos...”, diz, sorrindo
Foto: Marcos Alves

A artista, que faz 100 anos em novembro, segue produtiva e pinta três vezes por semana: “Agora só se fala em centenário. É engraçado. Nunca senti os anos...”, diz, sorrindo
SÃO PAULO - Desde que trocou o Japão pelo Brasil, Tomie Ohtake nunca aprendeu a pronunciar a letra “l”. Há 77 anos no país e consagrada como uma das maiores pintoras brasileiras, para ela, galeria ainda é “gareria” e tela vira “tera”. Às vésperas de iniciar as celebrações de seus 100 anos (dia 21 de novembro), ela ri do próprio sotaque:



— Nunca “aprendeu” a falar português. Agora não “aprende” mais, né?
Mas Tomie fala com parcimônia. Como sua obra, ela é rigorosa, suave e de poucos elementos. Se um poema haikai trata do mundo em 17 sílabas, afirma, por que ela deveria usar mais?

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A vida sob quatro milhões de normas - JOÃO LUIZ MAUAD

Desde a Constituição de 1988 foram editadas, em média, 788 novas normas a cada dia útil para reger a vida dos cidadãos brasileiros 

 

 As causas técnicas da tragédia de Santa Maria ainda são imprecisas e certamente serão objeto de vasta perícia. Uma conclusão, no entanto, parece inescapável. Negligência, imprudência e desrespeito à lei caminharam de mãos dadas naquela noite.

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As velhas baianas somem da passarela - LUIZ ANTONIO SIMAS

Elas estão sendo arrancadas das fileiras de suas escolas por igrejas evangélicas, que demonizam o samba e o carnaval

Em um samba belíssimo, que embalou o carnaval de 1984 da Unidos de Vila Isabel, Martinho da Vila fala dos sonhos da velha baiana, “que foi passista/brincou em ala/dizem que foi o grande amor do mestre-sala”.Poucos versos abordam com mais felicidade a ideia da escola de samba como uma instituição comunitária, forjadora de elos entre segmentos populares que, à margem das benesses do poder instituído, inventaram mundos e, desta maneira, se apropriaram da vida e produziram cultura. A moça passista, que desfilou como componente de ala, chegou ao final da trajetória ungida baiana, matriarca do samba e de sua gente simples.

Seis vozes tonitruantes - Dorrit Harazim

 Não falam alto, não usam
frases de efeito, não representam
o que não são. Até
porque o que são, ou foram,
basta: todos comandaram
o Shin Bet, o serviço de
segurança de Israel, o mais
reservado do mundo

Para quem é chegado a uma boa cabala, dois fatos ocorridos esta semana só poderiam ser atribuídos a algo além da coincidência. Em Genebra, o Conselho de Direitos Humanos da ONU produziu um duro relatório de condenação a Israel por sua política de assentamentos na Cisjordânia; é sugerida, pela primeira vez, a adoção de sanções políticas e econômicas contra o país. Poucos dias antes, em Beersheba, principal cidade do deserto de Negev, o Centro Médico da Universidade de Soroka anunciou que Ariel Sharon, que se encontra em estado vegetativo desde o AVC hemorrágico sofrido sete anos atrás, reagira a estímulos externos com “significativa atividade cerebral”.

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A cada vez mais desnecessária reforma agrária

O avanço do capitalismo no campo acaba com o ‘latifúndio improdutivo’, ajuda a agricultura familiar e , assim, recolhe uma bandeira de exploração ideológica

EDITORIAL O GLOBO
A concentração de terras em poucas mãos, herança do Brasil colonial, alimentou, e ainda alimenta, muita luta política — embora hoje, menos. O latifúndio é parte da história do país, seja como força política no Império e na República Velha ou peça de exploração ideológica principalmente na segunda metade do Século XX.

O termo “reforma agrária” se tornou cativo de programas de governo, sempre encontrado em discurso políticos. Mesmo sendo de uso corrente nas pregações de esquerda, constou dos planos da ditadura militar. Espaço político em que forças extremadas se aliaram a representantes da Igreja, a reforma agrária emergiu na redemocratização como uma das bandeiras mais fortes. E com as liberdades civis restauradas, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), entre outras organizações, puderem agir sem cerceamentos autoritários, como deve ser na democracia.

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Perfil:Very Well - O fim de uma carreira com 12 presidentes

Conhecido no Planalto como Very Well, José Henrique Nazareth encerrou na última semana uma jornada de 51 anos de trabalho no centro do poder

Luiza Damé e Catarina Alencastro


José Henrique Nazareth, conhecido como Very Well
Foto: Agência O Globo / Gustavo Miranda

José Henrique Nazareth, conhecido como Very Well Agência O Globo / Gustavo Miranda
BRASÍLIA — De contínuo a secretário do Comitê de Imprensa da Presidência, Very, como é carinhosamente chamado, acompanhou a trajetória de 12 presidentes. Começando por Jânio Quadros (1961), passou pelos presidentes da ditadura e encerra a carreira no serviço público com a presidente Dilma Rousseff, última mandatária do país a apertar a mão do folclórico funcionário.
O jeito expansivo e alegre do mineiro de Brazópolis, hoje com 78 anos, já lhe rendeu entrevistas em jornais e até no programa de Jô Soares na TV. Para Very, as repórteres são sempre Mary, e os repórteres, Johnny. É casado com a carioca Mirian, servidora aposentada da Justiça, com quem tem sete filhos e 15 netos. O apelido vem do interesse por outras línguas.

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Pedro Bial e seu biografado falam do documentário ‘Jorge Mautner - o filho do Holocausto’

No pique da estreia do filme, jornalista e músico se encontram em entrevista regada a vinho da Galileia e discordam, em harmonia, sobre a viabilidade da política e o futuro da civilização

Arnaldo Bloch


Pedro Bial e Jorge Mautner
Foto: Leonardo Aversa

Pedro Bial e Jorge Mautner
Leonardo Aversa
RIO - Pedro Bial chega ao local do encontro, o Baixo Alto Leblon, pontualmente. Munido de um relógio de mão atado às calças, por causa de reações alérgicas a relógios de pulso, avisa que tem hora marcada para voltar ao Projac. Jorge Mautner, por sua vez, está atrasado. Bial provoca:
— Pro Jorge, compromisso ao meio-dia é a mesma coisa que madrugar.
Dez minutos depois, Mautner chega suado: apesar de morar a 200 metros do local, ele desceu a ladeira em vez de subir e teve que subir de novo, como uma partícula incerta de Heisenberg, viciado que é em física quântica: todos os caminhos levam a Roma.

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Ditos - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Dos ditos populares, o mais irônico — pra não dizer cínico — é “Pra baixo todo santo ajuda”. O dito não discute a existência de santos e sua influência em nossas vidas, mas os divide em duas categorias, os poucos que nos ajudam nos momentos difíceis, de grande esforço, como subir uma ladeira, e a maioria que só se apresenta na hora da descida, quando nem precisaríamos de ajuda. Seriam os santos oportunistas, atrás de uma glória que não merecem.

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Expectativa e frustração - TOSTÃO

Ganso é um excelente jogador. Mas parece que isso não basta. Ele tem que ser um gênio

A atuação do Grêmio contra a LDU foi muito ruim. O time se limitou a dar chutões, guerrear, correr e jogar a bola na área, para se livrar dela. Não existiu futebol coletivo. Isso é muito frequente no futebol brasileiro.

As vitórias acontecem em lances isolados, como o belo gol de Elano, e porque o adversário pode ser, individualmente, muito mais fraco.

Quando os times perdem, sem um jogo coletivo, colocam a culpa na falta de comprometimento dos jogadores, como ocorreu com a seleção brasileira sub-20.

Pior, contratam Bebeto para diretor técnico, sem nenhum preparo para o cargo. Além disso, Bebeto é deputado estadual pelo Rio, membro do comitê da Copa, embaixador do Mundial, sempre com um sorriso de submissão ao poder.


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Vale a pena ver de novo? - FABRÍCIO CARPINEJAR

Vale a pena ver de novo? Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS
Fabrício Carpinejar Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

“Querido Fabrício! Amor tem reprise? Vale a pena ver de novo? Estou apaixonada pelo ex. Depois de três anos longe e muitos relacionamentos de ambos, nos reencontramos há dois meses numa festa. O beijo foi da primeira vez, uma loucura! Porque não tivemos recaídas antes, jamais tínhamos ficado. Agora a paixão veio com tudo, acrescidas das neuras que fizeram o término da união. O que fazer? Beijo Catherine”

Querida Catherine,

Há uma morte separando vocês. Uma morte emocional. Por isso você o chamou de fantasma. Para uma relação funcionar pela segunda vez, é necessário absorver o que falhou na primeira vez.

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A cor - Ugo Giorgetti

Neymar teve um gesto bonito ao acusar de racismo o treinador do Ituano, Roberto Fonseca, na quarta-feira. Não o gesto de acusar, mas o fato de se colocar como negro.

A rigor, do modo como as tonalidades de pele são classificadas através de usos e costumes do povo brasileiro, Neymar não pode ser considerado negro. Faz parte, é claro, daqueles caprichosos cruzamentos que originaram uma nova raça, legítima e inesperada contribuição brasileira para o desenvolvimento da espécie humana, esperança, aliás, pelo seu frescor e sua mistura consentida, de estudiosos de vários matizes, Darcy Ribeiro entre os mais entusiasmados.

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Prefeito, para que 'te quiero'? - Suely Caldas

A tragédia que matou 236 jovens em Santa Maria (RS) leva a indagar: afinal, para que servem as prefeituras? Os donos da boate e os músicos que provocaram o incêndio tiveram culpa e, espera-se, serão punidos pela Justiça, mas a responsabilidade maior foi da prefeitura, justamente porque a ela cabe a ação preventiva de criar normas de segurança, exigir seu cumprimento, fiscalizar e proteger a população. Levar conforto e bem-estar para os habitantes da cidade é o foco central da ação do prefeito. E proporcionar conforto é assegurar qualidade em saúde e educação, eficiência em segurança, manter a cidade limpa, levar água limpa e esgoto onde não há, enfim, cuidar das pessoas.

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Pessoas e estórias - Fernando Henrique Cardoso

Após os dias tórridos da passagem do ano, São Paulo tornou-se mais amena. As férias escolares, o trânsito menos atormentado, os cinemas mais vazios e a temperatura agradável convidavam ao lazer. Assisti a um filme admirável, Amour, no qual dois atores, Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, dirigidos por Michael Haneke, desenvolvem a trama do relacionamento de um casal de velhos músicos que leva uma vida confortável para os padrões europeus, embora sem serviços domésticos e isolado dos familiares. Além do mais, contratempos na velhice podem ser sofridos. O derrame da senhora não abala a ternura do marido. Mas o cotidiano é duro: ela tem de ir ao banheiro carregada, o marido tem de lhe dar de comer na boca, etc. Diante da piora da saúde da mãe a filha tem dificuldades para entender e lidar com a situação, denotando mais angústia do que afeição e, quiçá, alguma preocupação material com o que possa sobrar. O genro é insuportável e os netos nem aparecem. Resultado: os dois velhos vão se consumindo num mundo que é só deles, entre boas recordações e desespero, até um derradeiro gesto de amor.

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Insensatez sem filtro - Humberto Werneck

Se você não leu, sugiro que recupere e leia a crônica em que Ruy Castro, na Folha de S. Paulo, dia 25 de janeiro, registrou seus 25 anos sem álcool. Não vou recontar aqui o que esse baita escritor e jornalista contou lá, num depoimento capaz de encorpar ainda mais a admiração não só literária e jornalística que por ele tenho. Digo apenas que em lugar de trombetas, a que o Ruy teria direito, o que se ouve ali é a surdina da humildade de quem, depois de tanta luta, não dá a fatura por liquidada.

Além de me emocionar, a crônica avivou em mim a lembrança de outro aniversário, bem mais modesto, no mesmo 25 de janeiro: meus 32 anos sem cigarro. Se o Ruy não o fez por vitória tão maior, não sou eu quem vai posar de herói. Até porque, confesso, não me custou tanto assim cortar de uma hora para outra o hábito insensato de acender 60 cigarros por dia. Não foi penoso como alguns anos antes, quando, fumando a metade disso, parei por nove meses, num daqueles rompantes em que, sobranceiro, o insuspeitado paladino da temperança entrega o maço para um e o isqueiro para outro.

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Apostas arriscadas - Lee Siegel

NOVA JERSEY - Certa tarde, em uma reunião de família durante as férias, em San Diego, a cunhada de minha mulher mencionou, de passagem, que alguns anos antes tinha ido a Tijuana comprar drogas, para aumentar a fertilidade quando teve dificuldade de engravidar de um segundo filho. As drogas eram muito mais baratas ao sul da fronteira, ela explicou. A sala ficou em silêncio. Depois daquilo, ela tivera gêmeos, um menino e uma menina, e a menina nascera com um tumor cerebral. Hoje, com 10 anos, a menina sobreviveu. Mas cada dia seu é uma dádiva.

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Igualzinha, igualzinha - Luis Fernando Verissimo

Margô voltou de Paris com uma bolsa Vuitton. Contou para as amigas o que passara para comprar sua bolsa Vuitton. Entrara numa fila enorme em frente à loja Vuitton do Champs Elysées. No frio! Chegara a brigar com uma japonesa ("Ou chinesa, sei lá") que tentara cortar a sua frente na entrada da loja. Lá dentro, custara a ser atendida. Uma multidão. Mas finalmente conseguira.

- E aqui está ela - disse Margô, mostrando a bolsa Vuitton como um troféu.

Foi quando aconteceu uma coisa que a Margô jamais esperaria. A Belinha mostrou a sua bolsa e disse:

- Igual à minha.

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Elio Gaspari - O Congresso pode desengarrafar o STJ

Quem tem dinheiro para pagar advogado congestiona a Justiça, e a conta vai para a patuleia
Tramita na Câmara um projeto de emenda constitucional preparado pelo Superior Tribunal de Justiça criando um filtro para a admissibilidade de litígios junto à corte.

A adoção de um critério semelhante no Supremo Tribunal baixou o número de litígios aceitos de 116 mil, em 2007, para 38 mil, em 2011. O STJ tem 33 cadeiras e em 2012 recebeu 276 mil recursos (contra 6.100 em 1989). A emenda constitucional pretende usar o conceito de relevância, desobrigando a corte de aceitar recursos irrelevantes ou simplesmente protelatórios.

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Janio de Freitas - Riscos no ambiente cinzento

Intenção do procurador-geral para momento de apresentar denúncia contra Calheiros é insondável em um inquérito de tipo corriqueiro
Pela segunda vez em meio ano, parte significativa do Congresso pode acusar interferência do Judiciário. A anterior foi atribuída ao Supremo Tribunal Federal, ao marcar o julgamento do mensalão coincidindo com a campanha eleitoral. Agora é do Ministério Público, também vista como desrespeito à independência dos Poderes.

No caso atual, a acusação refere-se à denúncia criminal feita ao Supremo pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra o senador Renan Calheiros.

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Não basta ter razão - Ferreira Gullar

O capitalismo é o regime da desigualdade. Se deixarmos, ele suga a carótida da mãe
Entendo que alguém, que durante toda a vida tenha tido o marxismo como doutrina e o comunismo como solução dos problemas sociais, se negue, a esta altura da vida, a abrir mão de suas convicções. Entendo, mas não aprovo. Tampouco lhe reconheço o direito de acusar quem o faça de "vendido ao capitalismo." Aí já é dupla hipocrisia.

Tornei-me marxista por acaso, ao ler o livro de um padre católico sobre a teoria de Marx. É verdade que o Brasil daquela época estava envolvido na luta pela reforma agrária e pelo repúdio ao imperialismo norte-americano, que se assustara com a Revolução Cubana.

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O redemoinho -Caetano Veloso


Godard disse, numa entrevista pouco feliz, que você pode amar pessoas que gostem de livros ou músicas, quadros ou edifícios diferentes daqueles de que você próprio gosta, mas que é impossível amar alguém que gosta de filmes que você desaprova

Nunca recebi tantos comentários de leitores desta coluna (pelo visto são mais do que 17) como quando saiu o artigo em que falei do “Redemoinho”, o vídeo doméstico que me pareceu maravilhoso no YouTube. De um desembargador que eu não conheço a um diretor de filmes experimentais de quem sou amigo, recebi, através do GLOBO ou diretamente em meu box de e-mail, várias observações (quase todas desaprovando meu entusiasmo). Uma amiga queridíssima me disse (não usando essas palavras) que toda aquela beleza estava em meus olhos. Um amigo não menos querido (e unido a ela) reconhecia (com minúcias de observação pictórica que eu próprio não cheguei a ressaltar) muitas das virtudes a que eu me referira, mas deixando claro que o meu texto é que o tinha levado a chegar a valorizar coisas que o vídeo por si só não teria a força de impor (isso num tom semelhante ao da sua companheira, em que um “ah, Caetano…” parecia me alertar para o fato de que eu viajara demais num vídeo sem tanta substância). Esse amigo é muito inteligente e muito articulado, de modo que conseguiu escrever elogios ao filmeco que eram até mais bem desenvolvidos do que os meus — ao mesmo tempo em que quase me repreendia por ter supervalorizado algo que poderia passar despercebido.


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FALA CAETANO


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Calor que provoca arrepio

Ao lado do filho Pedro, Baby do Brasil canta sucessos de quando era Baby Consuelo para celebrar 60 anos


Fabio Motta/AE
Calor que provoca arrepio
'Não tomo droga, não queimo fumo, mas sou muito mais louca do que todo mundo pensa', diz Baby
 
Lauro Lisboa Garcia, Especial para o Estado

No canto do olho de Baby do Brasil, tinindo, trincando, a menina Baby Consuelo ainda dança. Para alegria dos fãs da cantora do período pré-evangélico, ela voltou aos palcos para comemorar os 60 anos de idade - completados em julho de 2012 - com um show recheado de clássicos dos Novos Baianos e do auge da carreira solo, como Menino do Rio (Caetano Veloso), Ele Mexe Comigo (Baby/Galvão/Pepeu Gomes), A Menina Dança (Morais/Galvão) e Todo Dia Era Dia de Índio (Jorge Ben).

Dirigido pelo filho Pedro Baby, guitarrista integrante da banda que a acompanha, Baby Sucessos - que chega amanhã a São Paulo em apresentação única, depois do Rio, da Bahia e outras praças em que fez balançar o chão - separa bem a Baby Consuelo da fase de O Que Vier Eu Traço e Pra Enlouquecer (álbuns antológicos de 1978 e 1979 recém-lançados em CD pela Discobertas) da Baby do Brasil "popstora" evangélica, embora uma seja indissociável da outra. A voz continua poderosa e o cabelo mantém as cores vivas (atualmente violeta), como ela mesma brinca em entrevista por telefone, mas aqui não tem muito lugar para louvores ao Deus que ela tanto menciona durante toda a conversa.

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Entrevista Juca Ferreira

A largada de Juca

Secretário de Cultura fala sobre busca por políticas de investimento, hip hop e planos para o Municipal


Ernesto Rodrigues/AE
A largada de Juca
Secretário defende um novo protagonismo para hip-hop e para o carnaval de rua
 
 
Jotabê Medeiros, de O Estado de S.Paulo "Haddad precisa importar um baiano?" A pergunta no título da coluna de um jornalista paulistano provocou polêmica quando o novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou o nome do seu secretário Municipal de Cultura, Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura do governo Lula. Na tarde da última quinta-feira, dia em que festejava 64 anos, Ferreira falou à reportagem do Estado em seu novo gabinete na Avenida São João. Tinha acabado de receber o jornalista autor do artigo, para discutir apoios a programas de sua ONG. É um retrato de sua nova disposição: tem se dedicado a abrir diálogos em todas as direções, segundo conta nesta conversa, em que trata de temas como a nomeação do maestro John Neschling para a direção do Teatro Municipal de São Paulo e modificações na Lei de Fomento.

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Não choro mais - Arnaldo Bloch


Lágrimas represadas num Brasil de tragédias

Não chorei quando soube da tragédia de Santa Maria, e até agora não houve pranto. Meu choque foi um choque mudo, frio, escaldado, choque maior até por constatar que o incêndio no Sul é apenas o mais recente horror de uma fileira que remonta à infância, desde que me entendo por gente, quando ouvia Gil cantar “Aquele abraço” no rádio Transglobe de meu pai.

Com ele, o pai, passei, de carro, sob o viaduto Paulo de Frontin horas antes de sua queda, em 1971. Fiquei dias e noites, menino de 6 anos, tentando reconstituir o momento da queda, não havia infográficos, era só a mente mesmo a criar o horror e a imaginar-se nele: eu e meu pai, se estivéssemos lá, como seria nossa morte? Choraria, décadas depois, com a tarde que caía como um viaduto na letra de Aldir Blanc.

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PERFIL: Carlos Henrique Escobar

A transparência de um REVOLUCIONÁRIO

Um dos intelectuais mais provocativos do Brasil nos anos 1960 e 70, o filósofo, dramaturgo e professor Carlos Henrique Escobar, hoje radicado em Portugal, ressurge no documentário ‘Os dias com ele’, premiado na recém-encerrada Mostra de Cinema de Tiradentes

Rodrigo Fonseca 

Carlos Henrique Escobar. Aos 79 anos, filósofo é homenageado com documentário
Foto: Divulgação
Carlos Henrique Escobar. Aos 79 anos, filósofo é homenageado com documentário Divulgação
RIO - Corre pelo campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) da Praia Vermelha um folclore de que toda uma ninhada de gatos abandonada lá, pelos corredores da Escola de Comunicação (ECO), hoje mora em Aveiro, Portugal, no apartamento do professor (hoje aposentado) Carlos Henrique Escobar. Pode ser que o bichano felpudo refestelado em seu colo numa sequência do documentário “Os dias com ele” — eleito melhor filme na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes, semana passada, em Minas Gerais — seja um dos felinos da ECO. Mas nada assegura. Sabe-se apenas que todo mundo que fala sobre Escobar, seja de sua trajetória polêmica como filósofo de orientação antistalinista, seja de sua carreira premiada como dramaturgo, ou mesmo de sua experiência como pai (por vezes ausente), traz seus gatos à tona — talvez por ele mesmo frisar sua devoção pela espécie.
“Quero ser enterrado num cemitério de animais”, diz o pensador paulistano, hoje com 79 anos, numa cena de “Os dias com ele”, dirigido por sua filha Maria Clara Escobar, 24.

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Cultura da irresponsabilidade - ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA

Se a tragédia de Santa
Maria não nos convencer
de uma vez por todas que
a irresponsabilidade é
assassina, preparemo-nos
para mais dor e desespero

A dor não cabe nas três letras de uma palavra. A dor é indizível e só cada um conhece a sua. A dor alheia se respeita no silencio e na compaixão.

A revolta, ela sim, comporta muitas palavras e outros tantos gestos que não devem ser poupados. Do que aconteceu em Santa Maria se deve falar à exaustão, discutir em cada sala de jantar, escola, em cada gabinete, da Presidente aos prefeitos, até que se chegue às raízes da tragédia. Não apenas procurar os responsáveis e puni-los mas também combater os irresponsáveis, desentranhar de nossa maneira de viver comportamentos aberrantes que, tidos como normais, cedo ou tarde desembocam em desastre. Porque o que está em causa não é só a responsabilidade específica, localizada em Santa Maria, mas a irresponsabilidade invisível porem generalizada que alimenta no país uma cultura assassina.

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Memórias de um OUTRO SAMBA

Paulinho da Viola e Nelson Sargento
celebram o reencontro no bloco que sai
amanhã homenageando o espetáculo ‘Rosa
de Ouro’, onde se conheceram, em 1965

SILVIO ESSINGER
silvio.essinger@oglobo.com.br




Aos 88 anos, Nelson Sargento contempla o “garoto” Paulinho da Viola, de 70: os dois farão participações especiais no Timoneiros
Foto: Leonardo Aversa
Aos 88 anos, Nelson Sargento contempla o “garoto” Paulinho da Viola, de 70: os dois farão participações especiais no Timoneiros Leonardo Aversa
RIO - Em casa, Paulinho da Viola guarda em estantes uma boa quantidade de LPs, muitos dos quais arrematados em sebos ou de comerciantes de discos usados. Alguns, ele admite com orgulho, comprou só pelas capas mui singulares — belezuras com lugar garantido em qualquer antologia do tipo “Worst album covers of all time”, com artistas em trajes escalafobéticos ou em poses inacreditáveis e cantoras com o buço por raspar. Outros, porém, são relíquias do samba, que ele se delicia em pôr para tocar na presença dos amigos que vão visitá-lo. E, na tarde de terça-feira, lá estão Zeca Pagodinho (que passara só para dar um alô) e Nelson Sargento, com quem Paulinho se encontrará novamente domingo, no desfile do Bloco Timoneiros da Viola, que, em seu segundo ano, relembra o espetáculo “Rosa de Ouro”, no qual os dois se conheceram, há quase 50 anos.

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FERIDA QUE NÃO FECHA

Oitenta anos após a ascensão de Hitler, Alemanha revê papel das antigas elites e de Hindenburg

GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER
Correspondente em Berlim
ciencia@oglobo.com.br



Museu do Holocausto. Judeus ortodoxos observam bandeiras nazistas Foto: Amir Cohen/Reuters
Museu do Holocausto. Judeus ortodoxos observam bandeiras nazistas Amir Cohen/Reuters
Berlim. Oitenta anos depois, a Alemanha lembra com novas publicações e exposições o início do período mais sombrio de sua História, iniciado no dia 30 de janeiro de 1933, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder.

- Nós queremos lembrar, nós não esqueceremos - enfatizou o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, ao abrir um programa de eventos que vão se estender pelo ano inteiro na capital alemã, cujo tema é “a diversidade destruída”.

Em pontos centrais da cidade, como no Portão de Brandemburgo e na Avenida Kurfürstendamm, exposições de fotografia ao ar livre mostram como o tema está onipresente em Berlim. Também é lembrado o 75º aniversário do pogrom, o ataque contra os judeus, que ficou conhecido como “a Noite dos Cristais”, primeira manifestação oficial de ódio coletivo, com prisões, destruição de lojas e assassinato dos integrantes da minoria, no dia 9 de novembro de 1938. As exposições destacam a lista de intelectuais obrigados a deixar a Alemanha, banidos pelos nazistas. Entre eles, o físico Albert Einstein, o dramaturgo Bertolt Brecht e o filósofo Walter Benjamin.

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Google pagará € 60 milhões a veículos jornalísticos da França

Acordo inédito livra empresa de taxa para exibir trechos de notícias


O presidente francês Francois Hollande (à direita) assina o acordo com o presidente da Google, Eric Schmidt
Foto: PHILIPPE WOJAZER / AFP

O presidente francês Francois Hollande (à direita) assina o acordo com o presidente da Google, Eric Schmidt PHILIPPE WOJAZER / AFP
PARIS – A Google, em acordo inédito, vai ajudar os veículos jornalísticos franceses a aumentar sua receita com publicidade on-line e também criará um fundo de € 60 milhões para impulsionar a inovação na área de mídia digital. O acordo — assinado nesta sexta-feira pelo presidente francês Francois Hollande e pelo presidente do conselho de administração da Google, Eric Schmidt — alivia a polêmica sobre a exibição de links de notícias nos resultados de buscas feitas no Google, pela qual os jornais queriam ser remunerados.

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De oito a oitenta - SÉRGIO MAGALHÃES

Depois de fatos negativos de grande repercussão, leniências dão lugar a alto rigor. Vai-se de proibido a compulsório sem transição

Coerente com a ideia de que a sociedade brasileira trata o improviso com muita consideração, nossas ações ora vão em um sentido, ora pegam sentido em contrário, ambos assumidos com igual ênfase e convicção. Costumamos ver as regras se alterarem de oito a oitenta com grande rapidez e leveza.Talvez esteja nessa nossa característica uma das explicações para o relativo fracasso dos sistemas de planejamento, não apenas os edilícios ou urbanísticos, mas também os econômicos, os políticos e demais. Infelizmente, quase nunca com resultado inócuo.

Por que só agora? - ZUENIR VENTURA

 Para aumentar o desânimo,
mais um baque, esse moral:
a eleição de Renan Calheiros
para presidente do Senado

Por mais otimista que a gente seja em relação ao Brasil e ao Rio, e eu sou, há momentos em que pessimismo e desânimo baixam sobre nós, como agora. Diante do sofrimento dos parentes e amigos das vítimas de Santa Maria e em face das irregularidades e transgressões que reinam no Rio, onde poderia ter acontecido o mesmo, como manter viva a esperança?

Se o estado e a prefeitura não conseguem fiscalizar suas próprias casas, como foi mostrado aqui pelo repórter Luiz Felipe Reis, imagina a dos outros. No levantamento solicitado pelo jornal às autoridades, foi constatado que, dos 56 espaços culturais do município, 36 estão funcionando sem autorização do Corpo de Bombeiros, e, dos 23 estabelecimentos de responsabilidade estadual, 13 não possuem o certificado da corporação.

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Fusão é imposta no mundo fashion

Antigos desafetos, os empresários Eloysa Simão e Paulo Borges cedem às pressões e aceitam unir os salões de negócios Rio-à-Porter e Fashion Business

Thamine Leta 
Eloysa Simão e Paulo Borges: fusão imposta Foto: Divulgação
Eloysa Simão e Paulo Borges: fusão imposta Divulgação
RIO — O circo da moda nunca foi conhecido exatamente pela humildade de seus protagonistas. Egos exaltados e gênios intempestivos chegam muitas vezes a afetar o desempenho da indústria até que alguém mais pragmático resolva colocar todo mundo em seus lugares. Foi o que se viu na sexta-feira no Rio quando uma discreta nota anunciou a união dos salões de negócios Rio-à-Porter e Fashion Business, que aconteciam separadamente duas vezes por ano na cidade. O primeiro evento é criação do empresário Paulo Borges, que em 2009 assumiu o comando do Fashion Rio após anos de gestão de Eloysa Simão. Na época, a saída de Eloysa causou mal-estar entre os gigantes da moda brasileira.

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De volta, a ética de Renan

Denunciado ao STF, senador retoma cargo 5 anos após renúncia para evitar cassação

MARIA LIMA, FERNANDA KRAKOVICS
E JÚNIA GAMA
opais@oglobo.com.br

-BRASÍLIA- Cinco anos depois de renunciar ao cargo sob acusações de corrupção, Renan Calheiros (PMDB-AL) foi reconduzido ontem à presidência do Senado, por voto secreto, dizendo que “ética é obrigação de todos”. Sem surpresas e com votos inclusive da oposição, que havia anunciado apoio à candidatura de Pedro Taques (PDT-MT), o peemedebista foi eleito por larga maioria: 56 a 18, com dois votos brancos e dois nulos. Aliados de Renan contabilizaram sete traições no PSDB, o que garantiu a vaga da 1ª Secretaria da Mesa Diretora para o tucano Flexa Ribeiro (PA).

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Cidades sem alvarás - Marcelo Rubens Paiva

Sexta-feira, dia 25, aniversário de São Paulo. A Prefeitura soltou um longo anúncio exaltando as qualidades da cidade. Inseriram, lógico, imagens da vida noturna. Nos telejornais, repórteres nas ruas entrevistaram pessoas na cidade de gastronomia e baladas reconhecidas internacionalmente.

Madrugada de sábado para domingo, mil quilômetros ao sul. Um músico irresponsável com um sinalizador, numa boate sem qualquer segurança, cujo teto rebaixado foi revestido por um material inflamável, de uma cidade cuja prefeitura pelo visto é ineficiente, detona o horror, o absurdo, a revolta, a morte.

E o que aconteceu depois, a perseguição ultraconservadora movida pela resposta imediata, revelou que a irracionalidade não estava apenas dentro da boate coberta pela fumaça tóxica.

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'Amor', de Haneke - Sérgio Telles

Velhice, deterioração do corpo e proximidade da morte são dolorosos aspectos da realidade que preferimos esquecer, assuntos desagradáveis e evitados sempre que possível. Quando, vencendo a resistência, eles se impõem à nossa atenção, logo são contrarrestados por considerações lenitivas ou substituídas por itens mais tranquilizadores.

O que pensar de um filme como Amor, de Michael Haneke, centrado exatamente nesses temas? Pois embora o título aponte para a relação amorosa do idoso casal de músicos, cuja rotina é destruída pela irrupção de um acidente vascular cerebral, o verdadeiro protagonista do filme é a degradação do corpo e da mente trazida pelo envelhecimento.

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Maravilhas em cera de abelha - Silviano Santiago

Os que amam a história da Renascença florentina estão a par dos acontecimentos que cercam o atentado contra Lourenço de Médici, em abril de 1478. Durante missa na Catedral metropolitana, os dois irmãos Médici são apunhalados. Juliano, seu colaborador no governo, é assassinado por Francisco Pazzi. Refugiando-se na sacristia, Lourenço sai apenas ferido. No atentado, os banqueiros da família Pazzi, inimigos dos Médici, contaram com a cumplicidade do arcebispo de Florença e até do papa Sisto IV, figura já suspeita por ter formalizado tanto a Inquisição espanhola quanto as descobertas de terra pelos portugueses. Também estão a par da repressão levada a cabo pelos aliados dos Médici, que fecha o conflito sangrento entre banqueiros rivais pelo poder em Florença.

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André Singer - Por uma cabeça

Quando, em dezembro último, a "Economist" pediu a demissão de Guido Mantega, brasileiros cordatos se perguntaram se a vetusta revista britânica teria perdido o senso. A sequência dos acontecimentos iria mostrar que havia método naquela loucura, pois, na véspera do Natal, o também inglês "Financial Times" iniciou uma série de ataques à condução da economia pátria.

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Helio Schwartsman - O dilema do parlamentar

SÃO PAULO - A escolha de figuras, digamos, controversas para comandar o Legislativo configura um curioso caso de dilema social, que são aquelas situações em que há um descompasso entre os interesses coletivos ou de longo prazo do grupo e os interesses individuais ou de curto prazo de seus membros.

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Entrevista Juca Ferreira

É importante que São Paulo se assuma como parte do Brasil
NOVO SECRETÁRIO DA CULTURA DA CIDADE DEFENDE ABERTURA A MANIFESTAÇÕES DE TODO O PAÍS, SE DIZ FAVORÁVEL A ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E PLANEJA MUDAR VIRADA CULTURAL
 

José Simão - Ueba! É o Renan Escandalheiros!

E a gasolina aumentou porque a gente não tem posto, só tem levado! Rarará! É mole?

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Acabei de receber um release de Olinda: "O bloco Já Que Tá Dentro, Deixa completa dez anos". Dez anos? Então não deixaram, esqueceram! Muda o nome do bloco pra "Já Que Tá Dentro, Esquece!".


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Álvaro Pereira Júnior - Em frente à Kiss

Da ampla avenida Rio Branco, que tem canteiro central arborizado com muitos bancos de concreto, sai, em declive, apontando para o leste, a rua dos Andradas. A calçada do lado direito de quem desce tem uma agência bancária na esquina, depois o consultório de uma vidente, logo ao lado uma academia de ginástica, em seguida uma empresa grande de fotos para formaturas.

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Django e Lincoln - José Miguel Wisnik


A combinação dos dois filmes, que tratam de maneiras muito diferentes da mesma coisa, parece dizer em linguagem cifrada e óbvia de carta enigmática: um negro na Casa Branca

Que “Django livre”, de Tarantino, e “Lincoln”, de Spielberg, estejam ao mesmo tempo em cartaz deve ser uma dessas coincidências sintomáticas em que, por obra do acaso objetivo, uma questão ao mesmo tempo muito atual e muito antiga vem à tona. A questão atual é a polarização da sociedade norte-americana, que a divide e paralisa em impasses políticos agudos. A questão antiga é o correspondente histórico dessa polarização e seus fantasmas: a escravidão e a Guerra Civil, que se ligam na origem e no fim (acabar com a guerra acabando com a escravidão, diz o filme de Spielberg, foi uma obra de manipulação política, pura e suja, suja e pura, de Lincoln). A combinação dos dois filmes, que tratam de maneiras muito diferentes da mesma coisa, parece dizer em linguagem cifrada e óbvia de carta enigmática: um negro na Casa Branca.