quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

José Simão - Uau! Naddad lança Bilhete Úmido!

Jogo de xadrez para crianças devia vir com um aviso: "Cuidado com o Bispo!"

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Pensamento do dia: eleição no Vaticano é conclave, eleição no congresso é conchavo! E na Venezuela, conchávez! E no condomínio, confusão! E prometo ficar um ano sem fazer trocadilho! Rarará!

LEIA AQUI

Contardo Calligaris - Para que serve a tortura?

A tortura tem, no mínimo, três fins não excludentes: 1) tortura-se pelo prazer enjoativo de quem tortura ou de quem assiste à tortura; 2) tortura-se para que um acusado confesse seu crime; 3) tortura-se para que um acusado revele a existência de um complô, os nomes de seus cúmplices etc. Será que a tortura consegue tudo isso?

LEIA AQUI

... e Yoani Sánchez, quem diria, acabou reprimida em Feira de Santana - Malu Fontes

Correio da Bahia - 20/02/2013

 

Cuba, todo mundo sabe, é aquela ilha caribenha governada há décadas por um ditador, que recentemente passou o poder a um irmão menos ancião, mas igualmente ditador. A ilha e seu regime são elogiadíssimos por brasileiros estrelados que, sempre do alto de suas coberturas em Ipanema e no Leblon, não cansam de tecer loas ao castrismo (antes, de Fidel e, agora, de Raul. Mas pergunte se algum deles gostaria de morar lá... Aliás, os comunistas brasileiros mais íntimos de Fidel são vistos sempre nas colunas sociais e políticas em altas rodas: passeios em barcos nababescos de empresários amigos, reveillòn e castelos em Paris e praias paradisíacas cujos spas têm diárias que alimentariam por uma década a família inteira de Yoani. Zé Dirceu e Fernando Morais que o digam. Nas balaustradas do Malecón ninguém aparece.

Aqui, na Bahia, desde o desembarque, segunda-feira, da blogueira cubana Yoani Sánchez, alçada ao posto de inimiga número 1 dos irmãos Castro, armou-se um alvoroço surreal. Um deputado estadual daqui, um líder estudantil dali e uns comunas de pijama dacolá entraram em pé de guerra, mais raivosos que índios quando se pintam de vermelho para a dança da guerra. O palco maior da cena até aqui? Feira de Santana, destino de Yoani imediatamente após desembarcar para participar do lançamento de um documentário sobre Cuba e do qual ela participa. Por pouco, a cubana não recebeu dos comunas de plantão em Feira tratamento semelhante ao dado aos integrantes da banda New Hit, em julgamento no Fórum de uma cidade ali por perto, Ruy Barbosa, acusados da prática de estupro coletivo contra fãs e, por isso, ameaçados de linchamento.

Se os amigos baianos de Fidel e Raul não se levassem tão a sério e não se acreditassem tão ameaçadores, estaríamos diante de uma comédia, com direito, inclusive, à participação coadjuvante do senador paulista Eduardo Suplicy, que se desterrou de suas bandas para dar apoio receptivo à moça. Impagável como sempre, nos telejornais de segunda à noite e terça Suplicy aparecia de dedo em riste e aos gritos, num arremedo do personagem mas recente de Tarantino, o destemido e incontido Django. Como um Django desarmado, Suplicy urrava para os comunistas incontíveis que não deixam Yoani falar nem tampouco entrar na sala de cinema para ver o documentário, cuja exibição foi cancelada. Gritava, com a mãozinha no alto e o dedão indicador chamando os protestantes para a briga retórica: “vem aqui discutir comigo, vem; seja corajoso, vem aqui discutir comigo”. Mais comédia, impossível. Um regime político que considera aquela moçoila uma inimiga que justifica até mesmo o envio de dossiês diplomáticos ao governo brasileiro sobre sua periculosidade ideológica só pode ser objeto de gargalhada.

Para dar à cena o frescor da juventude, estavam também meninos e meninas do movimento estudantil, essa categoria formada em grande parte por alunos que não querem jamais terminar a faculdade e odeiam estudar, justamente para não sair da universidade nem do movimento, pois é graças a este que circulam por aí custeados. Mesmo separado por décadas dos comunas de pijama, os jovens do movimento estudantil têm em comum com aqueles a aversão pelo direito de expressão de quem diverge de suas opiniões quanto às qualidades dos companheiros Lenin e Stálin, e o gosto pelo uso de termos como ‘imperialismo ianque’, para eles uma palavra tão atual quanto byte,  convergência e ziriguidum. A blogueira, por sua vez, de tão acostumada à repressão, está achando tudo lindo e democrático. Se chegasse um pouco antes, corria o risco de levar um pito de Oscar Niemeyer.

Malu Fontes é jornalista e professora de jornalismo da UFBA.

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ITÁLIA EM COMA - HELENA CELESTINO

Nos anos Berlusconi, o jornalista Bill Emmot era persona non grata na Itália, autor de capas da “Economist” que faziam explodir crises no colo do então premier. A menos de uma semana da eleição italiana, ele volta a agitar o conturbado cenário político ao acusar o governo de censurar seu filme, um cáustico retrato do país que - acha ele - vive em estado de negação da realidade. Com o documentário “Girlfriend in a coma”, Emmott, ex-editor-chefe da mais importante revista europeia, conseguiu dar uma sacudidela na deprimente campanha eleitoral, que deixa os italianos entre o apático e o irritado.

Uma nova Europa? - MARCO LUCCHESI

A renúncia papal e as mudanças na Europa exigem uma estética da paciência e uma nova ética da governança

Ouço em Budapeste, e não somente aqui onde me encontro, uma exaltação quase febril pelos profetas que cantaram os últimos dias da Europa. Dentre todos, “A decandência do ocidente”, de Oswald Spengler, lembra um cartório abandonado e coberto de poeira, onde se guarda, nas prateleiras apocalipticas, o certificado de óbito da comunidade europeia, o fim do novo e derradeiro império romano, abatido e cansado, vítima de uma crise de identidade sem precedentes. Como se houvesse uma Roma simbólica, duplamente vazia, nos dias que correm, onde César e o Papa suspiram em estado terminal, habitados pelo silêncio, pela falta de perspectiva. Eis a leitura dos europessimistas, prevendo forças centrífugas, desintegradoras, diante das quais não há quantidade suficiente de paz romana para defender a Europa de seus inimigos e com idêntico vigor.

E Yaoni enfim chegou - Zuenir Ventura

Ela foi alvo em Pernambuco e Bahia
de um pequeno grupo de militantes
de esquerda, que a recebeu
com xingamentos

 Hoje ela é notícia de primeira página, mas há quatro anos, quando perguntei num artigo, “Vocês conhecem Yoani?”, pouca gente aqui sabia que ela já era uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista “Time”. Que seu blog “Geração Y” ganhara prêmio no exterior como um espaço em defesa da livre expressão. E que por isso, e porque tinha quatro milhões de acessos por mês, era perseguido pelo governo de Fidel Castro.

LEIA AQUI


Os desafios da Rede - Cláudio Gonçalves Couto

Mal aquietaram-se os ânimos inflamados pelo julgamento do mensalão e sua presumida profilaxia ética na política nacional, adveio o desalento provocado pela eleição do inefável senador Renan Calheiros à presidência do Senado (e, consequentemente, do Congresso). Nesse cenário consternador, um bafejo de esperança animou a muitos, com a criação do novo partido liderado por Marina Silva, a "Rede Sustentabilidade".


LEIA AQUI

10 Anos X 13 Fracassos: Aécio duela com PT hoje

Enquanto a presidente Dilma e Lula participarão de ato pelos 10 anos do PT no poder, o tucano Aécio Neves falará no Senado sobre os "13 fracassos do PT".

LEIA AQUI

FABRÍCIO CARPINEJAR - O piano da sala

Não fica com dó ao enxergar um piano parado, totalmente sem uso, num apartamento?
 
Não sente um remorso? Não considera um desperdício?
 
Tão caro e tão abandonado. Tão valioso e tão calado.
 

Uma estátua em homenagem a Yoani Sánchez - RICARDO GALUPPO

Em lugar de promover as manifestações que perseguem a blogueira cubana Yoani Sánchez aonde quer que ela pise, a rapaziada do PT e de outros partidos da "base aliada" deveria era erguer uma estátua em homenagem à moça.

LEIA AQUI

Longe da perfeição - TOSTÃO

Há muito tempo, a quarta-feira, e não o domingo, é o dia de futebol. Hoje, mais ainda

O chavão é falar do "espírito de Libertadores". Isso não faltou nas duas últimas péssimas partidas do Grêmio. Faltou futebol. Jogador com vontade é tão óbvio, essencial e uma obrigação, que nem precisaria ser lembrado. Hoje, o Grêmio precisa jogar muito, se quiser ganhar do Fluminense.


LEIA AQUI

Macumba - Roberto DaMatta

Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo
 
Em dias de Quaresma e ressaca carnavalesca, com direito a renúncia de um papa e a passagem de meteoros!, vale pensar na macumba. Na arte da bruxaria ou magia negra. That old black magic that you weave so well (aquela magia negra que você trama tão bem), que, mesmo em tempos de "racionalidade", traz de volta o poder de atingir e ser atingido pelos outros. Tal como faz o amor e, por isso, me vem à mente o verso dessa velha, mas maravilhosa canção de 1942, de Harold Alen e Johnny Mercer.

LEIA AQUI

A linguagem das coisas - Francisco Bosco

No domingo retrasado, em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, Ferreira Gullar argumentou contra a arte contemporânea, questionando o estatuto de arte das obras de alguns dos artistas tidos como dos mais importantes de nosso tempo. Isso porque, para Gullar, a arte contemporânea é “caracterizada por não ter linguagem” e é, no limite, uma “negação dos valores estéticos”. Considero que o grande poeta está, quanto a isso, bastante equivocado. Selecionarei e comentarei as passagens mais decisivas de sua argumentação, quanto ao ponto que me interessa aqui.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Felicidade Facebook - JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS

Sorria, você está na nova Barra da Tijuca espiritual, o novo nirvana de onde quero mandar fotos chutando chapinha em Paris

Ah, quem me dera tamanha glória e júbilo, a felicidade dos que navegam sorridentes no Instagram, no Facebook e no que mais for inventado no decorrer desta semana. Como é bem-sucedida essa gente que carrega um celular em cada bolso, os novos tambores para comunicar aos seus 2,5 mil amigos que vai tudo bem. A comida à mesa é farta, o cenário das férias é paradisíaco, e quando se chega em casa lá está o gatinho balançando o rabo, o cachorro se fingindo de mal-humorado. Todos anunciando em miados, latidos e centenas de fotos que aqui mora uma família bem construída — e, antes que pensem o contrário, antes que o maridão seja pego logo mais no bafômetro, isso precisa ser divulgado nas redes sociais.


LEIA AQUI

Os donos do Senado - MARCO ANTONIO VILLA

A Murici dos Calheiros, em Alagoas, tem vários recordes. O mais triste é o de analfabetismo: mais de 40% da população entre os 26 mil habitantes. O senador é produto desta miséria


A República brasileira nasceu sob a égide do coronelismo. O federalismo entregou aos mandões locais parcela considerável do poder que, no Império, era exercido diretamente da Corte. Isto explica a rápida consolidação do novo regime justamente onde não havia republicanos. Para os coronéis pouco importava se o Brasil era uma monarquia ou uma república. O que interessava era ter as mãos livres para poder controlar o poder local e exercê-lo de acordo com seus interesses.


LEIA AQUI

Janio de Freitas - A explosão de liberdade

Nunca o jornalismo tratou tão livremente um papado, a personalidade de um papa e a própria Igreja

Na amazônia de textos provocada pela renúncia de Bento 16 há algo mais, e não percebido, do que as especulações, apreciações e, às vezes, notícias. Nunca o jornalismo, tanto impresso como por transmissão, tratou com tamanha liberdade um papado, a personalidade de um papa e a própria Igreja Católica. A despeito da sua riqueza de sentidos pregressos e de implicações presentes, a grandiosidade deste fenômeno é sinal e parte de uma grandeza ainda maior, que é a modificação dos costumes, ainda incompreensível na sua real dimensão -como demonstra o insuspeitado transbordamento de liberdade verbal suscitado por Bento 16, sem dúvida, à sua revelia.

LEIA AQUI

Vladimir Safatle - Contra a democracia

Um dos pilares do paradigma liberal é a crença de que livre-mercado e democracia são termos que nunca podem entrar em contradição.

Segundo essa vulgata, por meio do livre-mercado garante-se a liberdade individual de empreender e defender seus próprios interesses.

LEIA AQUI

Carlos Heitor Cony - Nada de novo no papado

RIO DE JANEIRO - Papa virou assunto e vou falar de um deles, Celestino 5º, que sucedeu a Nicolau 4º, em 1294. Houve confusão entre os cardeais e príncipes interessados, até que se lembraram de um beneditino que se tornara eremita, e vivia numa gruta ao pé do monte Morrone. Quase ocorreu um cisma, o candidato mais em evidência era o cardeal Bento Caetani, mas os eleitores escolheram o eremita, Pietro Angeleri, nascido em 1215, filho de camponeses, que recusou o convite.

LEIA AQUI

Helio Schwartsman - Missa em latim

SÃO PAULO - Ao contrário da esmagadora maioria dos comentários que li na imprensa, torço para que o conclave eleja um papa tão ou mais conservador do que Bento 16. Até entendo que as pessoas defendam o que imaginam ser o melhor para a Igreja Católica, mas creio que estejam deixando passar o essencial.

LEIA AQUI

José Simão - Ueba! Marina deita na rede!

Ou como definiu aquele outro: o partido da Marina é um PSD que não come carne! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Socuerro! Todos Para o Abrigo! Toquem as trombetas do apocalipse! O fim está perto! O papa renuncia, o meteoro cai e o Chávez volta!
 

João Pereira Coutinho - Ester

São incontáveis as crônicas em que plagiei a minha avó -os únicos premeditados e conscientes que cometi
 
Disse um dia em entrevista televisiva que, sempre que tinha dúvidas sobre um assunto sobre o qual precisava escrever, telefonava imediatamente à minha avó. Ela resolvia qualquer bloqueio criativo.
A entrevistadora entendeu a frase como "boutade" -a atitude típica de um "dândi", para citar uma crítica altamente elogiosa que um editorialista do "Valor Econômico" atirou sobre mim.

LEIA AQUI

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Despedida - Lúcia Guimarães

Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
 
NOVA YORK - Não existe altruísmo e sim o autointeresse iluminado - adágios como este eram cunhados com naturalidade por Anne Margolis, minha grande amiga e meu norte neste hemisfério. Há duas semanas, Anne decidiu nos deixar com a rapidez com que tomava outras decisões, como abandonar a cerâmica, a escultura ou a poesia. Digo decidiu porque ela não estava acometida por nenhum mal agudo. Anne expirou e deixou um rastro de perplexidade entre os que tiveram contato, mesmo o mais breve, com sua incandescência.

LEIA AQUI

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Preocupado como quê? - SÉRGIO AUGUSTO

 Aquecimento global, chacinas, triunfo da idiocracia: há preocupações
para todos os gostos. Se não tiver nenhuma, comece a se preocupar

Como faz todos os anos desde 1998, o agente literário John Brockman despachou por e-mail uma pergunta provocativa à legião de cientistas, intelectuais, acadêmicos e artistas que lotam sua agenda de amigos e parceiros no site Edge.org., e ficou esperando. Em poucas semanas recebeu 154 respostas, assinadas por notórias figuras do mundo científico e habitués de sua enquete anual (Steven Pinker, Sam Harris, Daniel C. Dennett) e gente do show business (Brian Eno, Terry Gilliam, Richard Foreman). A pergunta de 2013 - "Com o que devemos nos preocupar?" - lhe foi soprada pelo entendido em história da ciência George Dyson.

LEIA AQUI

Pega-rapaz - JULIANA SAYURI

Por que o roteirista das novas Adventures of Superman se transformou em vilão diante do movimento gay

Santa controvérsia, Batman! Querem trancafiar o Superman no armário? Talvez transformá-lo num herói californiano marrento a la Arnold Schwarzenegger? Macho alfa da cultura pop norte-americana, o Superman se tornou alvo de questões polêmicas sobre sexualidade nos últimos dias, após a editora DC Comics divulgar a contratação do escritor Orson Scott Card para redigir histórias para a revista Adventures of Superman a partir de abril, com ilustrações de Chris Sprous e Karl Story. Mas, para o alto e avante, por que tanta discussão sobre as preferências íntimas do homem de aço?

LEIA AQUI

BARROCOS - JOSÉ MARIA MAYRINK

Benedito Lima de Toledo mostra como a escola nascida na Europa foi aprimorada no Brasil 

 

 História, costumes e arte se mesclam, se completam e se explicam nas páginas de Esplendor do Barroco Luso-brasileiro, de Benedito Lima de Toledo, professor titular de História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo. Ao longo dos últimos 50 anos, esse paulistano do bairro da Liberdade fez com dedicação e gosto, no Brasil e em Portugal, estudos e pesquisas de campo para transmitir aos alunos as lições que agora enriquecem este livro em texto, fotos e desenhos.

 

LEIA AQUI

Republicanos indóceis - Lee Siegel

NEW JERSEY - Foi absolutamente surreal ouvir o discurso sobre o estado da União do presidente Obama semana passada. Foi absolutamente surreal ouvir o líder do país mais poderoso do mundo se rebaixar a defender que o governo pode beneficiar a vida das pessoas. E o que Obama pleiteava era o mínimo que um governo pode e deve fazer. Ele pediu permissão ao país, e à fanática oposição republicana, para, por favor, investir mais em educação. Para crianças de baixa e média renda terem acesso à pré-escola. Para elevar o salário mínimo de US$ 7,25 para US$ 9,00. Para reformar a imigração. Para aprovar novas leis de controle de armas. Caramba! Que agenda mais ousada.

LEIA AQUI

MEGALIVRARIAS CRESCEM NO BRASIL, APESAR DA INTERNET



Enquanto nos EUA as grandes redes sucumbem à força das lojas digitais, no Brasil cenário é de expansão e aumento das vendas


NAYARA FRAGA - O Estado de S.Paulo
 
Enquanto nos Estados Unidos as megalivrarias fecham as portas, no Brasil o cenário é de expansão. As grandes redes do País têm ganhado cada vez mais espaço. O aumento do número de lojas que faturam entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões por ano dá a dimensão do fenômeno: elas saltaram de três em cada cem, em 2009, para 17 em cada cem em 2012, segundo pesquisa da consultoria Gfk. E, ao contrário do que se poderia imaginar, boa parte do crescimento está no mundo físico - mesmo diante do avanço das operações online.

LEIA AQUI

O exemplo de José Mindlin

Os cerca de 60 mil volumes doados pela família do bibliófilo José Mindlin à Universidade de São Paulo (USP) finalmente estão acomodados em um edifício construído para esse fim no câmpus do Butantã. A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin é um raro exemplo de generosidade num país em que profissionais e empresários bem-sucedidos não têm o hábito de "devolver" à sociedade parte da riqueza que acumularam. Mas é também um caso paradigmático das imensas dificuldades que filantropos como Mindlin, que não viveu para ver seu sonho realizado, enfrentam para fazer doações a universidades no Brasil.

LEIA AQUI

Cineasta conta como foi conviver com Joãosinho Trinta, mestre do carnaval

  • Paulo Machline fala como foi recriar o desfile do Salgueiro de 1974, o primeiro vencido pelo carnavalesco
Roberto Kaz 

Matheus Nachtergaele interpreta Joãosinho Trinta no filme "Trinta", de Paulo Machline, a ser lançado no segundo semestre
Foto: Divulgação 01/02/2013 / O Globo
Matheus Nachtergaele interpreta Joãosinho Trinta no filme "Trinta", de Paulo Machline, a ser lançado no segundo semestre 
RIO - Se não tivesse lido o jornal num domingo de 2002, o cineasta Paulo Machline talvez nunca se interessasse pela história de Joãosinho Trinta. Machline estava na França, dirigindo um seriado e, num dia de folga, acessou a internet de uma lan house. Foi quando se deparou com o artigo assinado por Carlos Heitor Cony.

Colunista Convidado - HAMILTON VAZ PEREIRA

O GLOBO - 17/02/2013
 A arte liberta

“A imaginação e o pensamento
crítico fortalecem a capacidade
de se colocar no lugar do outro e de
dialogar com o diferente. A arte
prepara para viver a diferença”

O Brasil vive um bom momento, os indicadores sociais e econômicos o
atestam, apesar das encrencas insolúveis. Vivi a juventude na ditadura militar
e o começo da idade adulta na era Collor, épocas em que o Estado não
tolerou a imaginação e o pensamento e resolveu acabar com a raça de artistas,
cientistas e filósofos. Neste domingo, pensando nos filhos e netos daquela
geração, parece que a vida brasileira melhorou em diversos aspectos.
Vamos aproveitar a chance de fazer daqui um bom lugar para viver? Ou depois
da Copa e das Olimpíadas vamos descobrir que os fundamentos da
nossa economia não eram fortes e os últimos anos não foram tão melhores?

Você, na praia dominical, diante de um churrasco memorável ou fazendo
sexo veraneio, concorda que crescimento econômico não é qualidade de vida
e que lucro não é ápice da existência? Pois, então, somos uma megaeconomia,
convivemos com uma concentração de renda tipo Serra Leoa e uma
tragédia social imensa. É assim. Para ser de outra maneira, precisamos de
diversos saberes e trabalhar muito. Não se produz bem-estar sem arte, ciência
e filosofia. O mundo precisa de gente capaz de avaliar o velho problema
e praticar a nova solução. Tratar a arte como supérflua não cola. Em épocas
sombrias, respiramos Chico, bebemos Glauber, devoramos Cacilda. Fala,
Mangueira!

A imaginação e o pensamento crítico, entre outros benefícios, fortalecem
a capacidade de se colocar no lugar do outro e de dialogar com o diferente.
Isso é bom porque o mundo está cheio de intolerância, incapaz de suportar
o que não é semelhante. A arte prepara para viver a diferença. Desde os antigos
festivais gregos, o teatro estimula o cidadão para além do mundo civilizado
e da vida medíocre. O espectador descobre o assunto da cena observando
pontos de vista de diversos personagens. E tudo com a grande vantagem:
ninguém mata ou morre de verdade. Não é o máximo?

Agora que o mundo presta atenção nesta província e a Copa e as Olimpíadas
se aproximam, é legal que o carioca exercite seu dom da hospitalidade
apresentando aos brasileiros e estrangeiros de todas as partes espetáculos
que afirmam diversas maneiras de estar na vida. Há bons motivos para ir ao
balé, ao cinema, às artes plásticas: são atividades que enriquecem a pessoa,
são tônicos para a sociedade, favorecem os negócios da cidade. Mas o público
tem que chegar junto, e os responsáveis precisam reabrir nossos teatros
com segurança e rapidez.

Que tal, agora, escolher o que você vai assistir hoje? Chama o amigo para
ver “Oréstia”, convida a gata para assistir a “O desaparecimento do elefante”,
leva a sogra para ver “Esta criança”. Saíram de cartaz? Mas, já? Torça para
que voltem. O palco estimula o cara a não seguir a manada de búfalos. Se
você não é um pernóstico da existência, uma dorminhoca com coisas mais
importantes para fazer, vai gostar de estar na plateia. Neste verão, verdadeiros
antídotos contra a mediocridade estão nos palcos. Entre vários, “Jacinta”.
O teatro que tem Andréa Beltrão e Aderbal Freire Filho em atividade merece
amor e mais amor. Viva Walmor Chagas e Mané Garrincha. Uma oração
para Santa Maria. E bom domingo a todos!

Após anos de busca pelo papel perfeito, Kevin Bacon estreia na TV em ‘The following’



Thaís Britto 

Kevin Bacon é o protagonista de "The following", nova série da Warner
Foto: Divulgação
Kevin Bacon é o protagonista de "The following", nova série da Warner 
NOVA YORK - Tente se lembrar de um personagem interpretado por Kevin Bacon no cinema. O desafio é facílimo, já que, com 35 anos de carreira, o ator acumula mais de 50 filmes no currículo. Agora, faça um esforço para pensar em um mocinho vivido por ele. À exceção do protagonista de “Footloose” — que, sejamos sinceros, era um tanto rebelde —, foram poucos os rapazes de bom coração defendidos por Bacon em sua trajetória cinematográfica. Mas tudo está prestes a mudar. A partir de quinta-feira, às 23h, o ator não apenas estará do lado bom, mas vai encarar seu primeiro protagonista na TV. Na série “The following”, que será exibida pela Warner, ele é Ryan Hardy, um ex-agente do FBI que precisa voltar à ativa quando um serial killer que prendeu há 10 anos escapa da cadeia.

LEIA AQUI

Disco 'Getz/ Gilberto' completa 50 anos e se mantém influente


  • Álbum que reuniu João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim consolidou a bossa nova no mundo, disputando atenções e prêmios com os Beatles
Leonardo Lichote

João, Tom e Getz no primeiro ensaio para o álbum, no Carnegie Hall
Foto: David Drew Zingg / Divulgação
João, Tom e Getz no primeiro ensaio para o álbum, no Carnegie Hall 
RIO - No bilhete, o baixista Tião Neto mandava notícias (“news quentinhas”, como chamou) dos músicos brasileiros em Nova York: “Estamos gravando dia e noite. Eu, por exemplo, gravei para a Verve um LP de b.n. (bossa nova), em companhia de Stan Getz, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Banana. Embora minha opinião seja suspeita, acho que o disco vai ser o melhor de b.n. internacional gravado até hoje”. O texto, publicado em 11 de abril de 1963 na coluna “O GLOBO nos discos populares”, deste jornal, fazia referência a “Getz/ Gilberto”, gravado um mês antes e lançado no ano seguinte — Tião não citara a participação de Astrud Gilberto. Mais que uma “opinião suspeita”, o relato atestava a sensibilidade de seu autor em identificar no álbum, gravado há 50 anos, um clássico — desde o lançamento, louvado por músicos de jazz e aclamada pelo público em geral, acumulando Grammys e semanas nas parada de sucessos, mantendo-se influente até hoje.

LEIA AQUI

ENTREVISTA - ANDRÉ WAISMANN

Método de carioca promete combater vício em opiáceos


Terapia acena com chance de evitar crise de abstinência

 CH EXCLUSIVO RIO DE JANEIRO (RJ) 07/02/2013 O médico brasileiro que atual em Israel André Waismann. FOTO / DIVULGAÇÃO<252>

-TEL AVIV- Morando em Israel desde 1982, o médico carioca André Waismann, de 54 anos, desenvolveu um tratamento de desintoxicação rápida, à base de naltrexona, que promete curar o vício em opiáceos em 36 horas e suprimir ânsias.

LEIA AQUI

Perfil: Tarcisio Bertone

Secretário de Estado é posto à prova na Santa Sé

  • Cardeal conservador tem seu caráter fortemente exaltado pelo Papa, mas opositores acusam-no de corrupção. E de manipular Bento XVI


Parceria irrestrita. Bertone passa pelo Papa na missa da Quarta-Feira de Cinzas
Foto: AFP/GABRIEL BOUYS
Parceria irrestrita. Bertone passa pelo Papa na missa da Quarta-Feira de Cinzas 
Antes mesmo de terminar a digitação de todos os caracteres de “Tarcisio Bertone”, o buscador Google sugere ao internauta três complementos. O primeiro, “Pedro, o Romano”, se refere à suposta designação do último Pontífice da Igreja Católica, conforme a profecia de São Malaquias. Em seguida, aparecem como sugestões “anticristo” e “próximo Papa”. A antítese da internet reflete a realidade exposta nesta semana pela renúncia de Bento XVI: dentro de uma Cúria fragmentada, o secretário de Estado e camerlengo do Vaticano parece ter defensores apaixonadamente fiéis. E inimigos igualmente ferozes.

LEIA AQUI

Uma Sé nada Santa

  • Cúria Romana é apontada como palco de intrigas que levaram Papa a abdicar
Deborah Berlinck

A cadeira do Papa Bento XVI aparece vaga na Basílica de São Pedro logo antes da missa da Quarta-Feira de Cinzas: disputa pelo novo ocupante do cargo expõe isolamento do Pontífice e brigas internas
Foto: AP/13-2-2013
A cadeira do Papa Bento XVI aparece vaga na Basílica de São Pedro logo antes da missa da Quarta-Feira de Cinzas: disputa pelo novo ocupante do cargo expõe isolamento do Pontífice e brigas internas 
ROMA — O Papa Bento XVI, ao anunciar sua renúncia, provocou um cataclismo no Vaticano. E agora? Seus detratores viram o gesto como a reação de um homem que não teve punho para governar uma Igreja tomada por disputas, carreirismo e escândalos. Mas outros viram um gesto revolucionário. Consciente de seu isolamento, e sentindo o peso da idade, Bento XVI deu o passo impensável para provocar justamente o que buscava: um choque de mudanças na Igreja e na Cúria Romana — o conjunto de órgãos e pessoas que o auxiliam e que, no fundo, governam o Vaticano e a Igreja. Vaticanistas têm apontado o centro de poder da Santa Sé como o palco onde se desenrolou o drama que levou a um desfecho há 600 anos não visto: a abdicação do Pontífice.

PERFIL Luiz Oscar Niemeyer

O cara do rock que colocou o Brasil na rota dos megashows



Astros no currículo. Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe estrelas como Elton John, Paul Simon, Bob Dylan e Stevie Wonder, planeja agora a turnê dos 30 anos do Paralamas do Sucesso
Foto: Ana Branco / O Globo
Astros no currículo. Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe estrelas como Elton John, Paul Simon, Bob Dylan e Stevie Wonder, planeja agora a turnê dos 30 anos do Paralamas do Sucesso 
RIO — Luiz Oscar Niemeyer, que trouxe para o país grandes astros da música internacional, anuncia uma turnê para festejar os 30 anos do Paralamas do Sucesso, que começa dia 20 de abril em São Paulo.
Ele tinha tudo para se tornar um médico grifado, mas acabou se transformando num dos maiores nomes do showbusiness brasileiro. Filho do neurocirurgião Paulo Niemeyer e irmão do também neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, o empresário Luiz Oscar Niemeyer se convenceu cedo que a medicina é um sacerdócio e preferiu seguir outros caminhos. Ponto para a música. Foi ele quem colocou o Brasil na rota dos grandes astros internacionais. Em 1990, trouxe Paul McCartney ao país, uma turnê que marcou a carreira do ex-Beatles e bateu todos os recordes de público. Um dos shows, realizado no Maracanã, foi assistido por mais de 180 mil pessoas e entrou para o livro dos recordes como a maior audiência de todos os tempos de um único artista. Em 2011, ele trouxe Paul novamente para uma série de shows em Porto Alegre, São Paulo e Rio.

Cinzas do vício - Humberto Werneck

Humberto Werneck - O Estado de S.Paulo 
 
Ameacei contar, dois domingos atrás, como foi que cortei, sem um pingo de heroísmo, meus três maços diários de cigarro, no remoto ano 81 do século 20. Mas tiene muchas ramas el árbol de mi conversación (esta é do Pablo Neruda), tantas que, desgarrado, acabei não desembuchando um episódio que pode ser assim resumido: parei de fumar porque fumei demais. Enjoei. Nos últimos tempos, acendia um cigarro sem ver que outro ardia no cinzeiro. Como esses amores vencidos que por inércia vão remanescendo, aquilo já não tinha gosto. De manhã, adiava o instante de acender o primeiro, por conhecer de sobra o mal-estar que me traria; a vontade era começar pelo segundo. 
 

Volta das férias - João Ubaldo Ribeiro

Como alguns - ou muitos, quem sabe - de vocês temiam, não foi ainda desta vez que desapareci em Itaparica, para nunca mais ser visto. Houve a tentação e a oportunidade, mas resisti, desconfiado do que queriam dizer os sorrisos dos interlocutores, quando se inteiravam dessa possibilidade. E aí eis-me de volta, naturalmente trazendo-lhes a narrativa de alguns dos empolgantes acontecimentos que marcaram minhas férias. Como todos os escolares de meu tempo, treinei para isso no colégio. A diferença está em que, nessa época, a maioria de nós contava as piores lorotas sobre as férias, ou com o objetivo de impressionar uma colega e talvez a professora (eu mesmo era suspirosamente apaixonado pela minha professora de português, no antigo ginásio), ou porque as férias de verdade não tinham sido das mais famosas. Mas o que se segue não são lorotas e está aí Itaparica inteira, que não me deixa mentir.

LEIA AQUI

Para a lua de Saturno - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O ESTADÃO - 17/02

A Natureza está finalmente reagindo e pretende nos varrer da face da Terra?

Há momentos na vida em que o Homem (aí subentendida a Mulher também) chega assim a um promontório filosófico, de onde avista o caminho que já percorreu e o caminho que ainda precisa andar ou, se ele tiver sorte e aparecer um táxi, rodar. São momentos de grave introspecção em que o Homem faz um inventário de si mesmo seus sonhos, suas desilusões, suas possibilidades, e onde diabo enfiei o antiácido? e se faz perguntas. Valeu a pena? Devo continuar? Aproveito o promontório e me atiro? Quem sou eu e por que estou aqui falando sozinho? 


 LEIA AQUI

Tostão - História, sorte e acaso

FOLHA DE SP - 17/02/2013

A história do futebol, do mundo e das pessoas costuma ser mal contada e/ou distorcida


No futebol, pelas inúmeras possibilidades de explicar os fatos, a história é, com frequência, mal contada e/ou distorcida. A versão que fica não costuma ser a mais correta, e sim a mais interessante, a que dá mais audiência. Além disso, nossas lembranças afetivas, das quais não temos nenhuma dúvida, estão mais próximas de nossas imaginações e desejos do que da realidade. O ser humano mente muito, com ou sem intenção.


LEIA AQUI

A igreja, o papa e a democracia - CLÓVIS ROSSI

A fé pode sobreviver por outros dois milênios e até mais, mas, sem se abrir, o papado perde força

ROMA - Suzana Singer, a competentíssima jornalista e ombudsman desta Folha, cobrou, na quinta-feira, em sua crítica interna: "Falta tentar mensurar o tamanho do poder do papa. Qual a sua real influe&#770;ncia fora do mundo clerical?".

Coincidência, Suzana, mas eu vinha pensando nisso desde a segunda-feira em que aFolha me cortou as férias para cobrir a renúncia de Bento 16. Só sinto que minha soberba ainda não tenha chegado ao ponto de achar que posso responder.


LEIA AQUI

Deus hipotético - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 17/02/2013

Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição. A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas. Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão do comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo – o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma – seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição. 


LEIA AQUI

Elio Gaspari - Governos espetaculares fazem espetáculos

A seca nordestina exibe a opção dos governos pelas marquetagens para empulhar quem paga imposto
Desde o ano passado o semiárido nordestino atravessa uma grave seca. Na Bahia, Sergipe, Alagoas e Maranhão, 75% dos municípios estão em estado de emergência. No Ceará, são 177 em 184. Lá, as chuvas do ano passado ficaram em metade da média habitual e neste ano estão abaixo do terço (55,1 milímetros contra 161,8). Há 136 municípios dependendo de carros-pipa para atender perto de um milhão de pessoas. Em algumas cidades as escolas dependem do socorro de vizinhos.

LEIA AQUI

Janio de Freitas - Cair na rede

Movimento de Marina pode sistematizar a repulsa intuitiva do eleitor a tudo que leva o nome de partido
Dê no que der como resultado eleitoral, o movimento que Marina Silva começa para constituir um partido seu na disputa pela Presidência tende a cumprir um papel político e social de muita utilidade. A ideia de denominá-lo Rede já é sugestiva, nem tanto por sugerir internet, mas pela identificação com a repulsa tão difundida a tudo que leve o nome de partido.

LEIA AQUI

Ferreira Gullar - Esculhambação

Todos usam o poder que detêm para tirar vantagens. O interesse público é sua moeda de troca
A tragédia de Santa Maria impactou o país pela quantidade de mortes que ocasionou mas também pelo que significa no quadro da realidade brasileira: a denúncia da irresponsabilidade que tomou conta do país.

LEIA AQUI

Corda e cor - Caetano Veloso


Estou longe agora, mas me orgulho de que se precise golpear tanto o carnaval da Bahia

Li com interesse e carinho a entrevista de João Jorge, o fundador e presidente do Olodum e meu amigo, à “Folha de S.Paulo”. A chamada de primeira página dava um gosto tipicamente “Folha” à matéria: Ivete Sangalo seria a única artista do carnaval baiano. Ser esse um carnaval de uma artista só, completava o corpo da reportagem amparado em falas de João, tinha um motivo: a artista era branca. Para um baiano que vive e observa o carnaval de Salvador desde 1960, essas declarações parecem absurdas. Passei uma noite na rua em Ondina, onde culmina o circuito Barra-Ondina do carnaval soteropolitano. Brinquei na pipoca ao som e à luz do Psirico, de Daniela, do 8794 e de um outro cujo nome não lembro mas que tinha a ver com música sertaneja. Psirico e Daniela são estrelas das ruas carnavalescas da Bahia pelo menos tão grandes quanto Ivete.

LEIA EM:

FALA CAETANO

O GLOBO

sábado, 16 de fevereiro de 2013

SABÁTICO

GUERRA E PAZ NA HISTÓRIA AFRICANA

Mayombe e A Geração da Utopia, do angolano Pepetela, radiografam os impasses de um país em busca de identidade

LEIA AQUI

CONFLITO, CHOQUE E FRACASSO

Tema da corrupção conduz a trama de romance do nigeriano Chinua Achebe

LEIA AQUI

À VONTADE ENTRE O ERUDITO E O POPULAR

Toda Poesia, de Paulo Leminski (1944-89), reafirma o legado revolucionário da obra do curitibano – uma mistura de lirismo e rigor que ainda hoje, mais de duas décadas depois de sua morte, desafia a crítica

LEIA AQUI

EXPRESSÕES DO OCIDENTE E ORIENTE

Autor publicou também ensaios, traduções, biografias e ficção, num esforço para assenhorar-se das tradições do fazer literário

LEIA AQUI

PÁGINAS DA MEMÓRIA E DO INCONSCIENTE

Reedição de O Tempo Redescoberto, que encerra o clássico ciclo de romances do francês Marcel Proust, convida à reflexão sobre o original olhar do autor a respeito do homem e da literatura

LEIA AQUI


Poesia transcedental

Tiganá Santana mescla filosofia, candomblé e um violão misterioso em novo álbum
Tiganá usa afinação personalizada em violão de apenas cinco cordas, e não seis - Divulgação
Tiganá usa afinação personalizada em violão de apenas cinco cordas, e não seis
 
Emanuel Bomfim - O Estado de S.Paulo
 
Eis o nó: onde colocar Tiganá Santana? Seria um trovador folk de linguagens afro-brasileiras? Na Escandinávia, onde seu nome já virou manchete de jornal, as comparações o situaram ao lado da melancolia acústica do britânico Nick Drake. No Brasil, do pouco que se disse, há uma evocação a Milton Nascimento, em grande medida, pela ternura da voz médio-grave e o refinamento jazzístico. O discurso do próprio, de apelo existencial-filosófico, corrobora com a falta de rótulos precisos: "Aí está o sentido de criar: provocar alguns setores dentro do outro, e também da gente mesmo, com algo que não pertence à determinada corrente. É sair do comportamento de rebanho", provoca.

LEIA AQUI

A hora de dizer não - Ruth de Aquino

"Chega um momento na nossa vida em que devemos renunciar”, disse na semana passada o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, com vigor e lucidez aos 91 anos. Renunciar a uma ou mais coisas que pareciam essenciais antes. Renunciar a um cargo, a uma paixão, um desamor, uma obsessão, uma disputa, uma vaidade, ao sol a pino, à carne vermelha no jantar, seja lá o que for. Saber dizer não com serenidade pode ser um ato revolucionário e de liberdade individual.


LEIA AQUI

DIOGO OLIVIER - A Copa do Mundo é nossa

Toda vez que o secretário-geral da Fifa cobra agilidade nas obras para a Copa de 2014, um espírito nacionalista ultrapassado e velho brota dos rincões mais profundos. O papel de Jérôme Valcke é este mesmo, o de xerife da organização do Mundial. Se ele não puder exigir tudo dentro dos conformes em um evento patrocinado pela entidade que gerencia, então o melhor a fazer é pedir para sair, como diria o Capitão Nascimento.

LEIA AQUI

ESTAR VIVO, AQUI E AGORA - SILVIANO SANTIAGO

Distantes no espaço e afastadas no tempo, três manifestações da arte de esculpir em cera merecem ser associadas hoje por uma leitura que eu diria pop e artesanal. Proporei como contexto o retorno do hiper-realismo à produção nossa contemporânea. Essa é a proposta da coluna deste sábado, decorrente da anterior em que, com marco inicial nos primórdios da Renascença florentina, fizemos um levantamento do uso da cera de abelha como material escultórico identificado - até no uso metafórico da palavra - com a tonalidade da pele e o aspecto do semblante humano. A não esquecer que a expressão "estar fazendo cera" significa fingir: que se joga futebol de verdade ou se namora para casar. O potencial de verossimilhança da "cera" a favoreceu para se chegar ao naturalismo ilusório em escultura.

LEIA AQUI

A Origem do Mundo,de Courbet - SÉRGIO TELLES

O quadro A Origem do Mundo tem uma história curiosa à qual se acrescentou um novo capítulo semana passada. A tela foi pintada em 1866 por Courbet, a pedido de Khalil Bey, diplomata turco-egípcio e colecionador de quadros eróticos, que a possuiu até o momento em que, arruinado pelo jogo, teve sua coleção leiloada. Em 1889, o quadro foi encontrado num antiquário pelo escritor francês Edmond de Goncourt e, posteriormente, comprado por um nobre húngaro que o levou para Budapeste, onde escapou da pilhagem realizada pelas tropas russas no fim da 2.ª Guerra. Trazido de volta a Paris, foi comprado por Jacques Lacan, que o mantinha em sua casa de campo em Guitrancourt, na qual o exibia ritualisticamente aos seus convidados. Após a morte de Lacan, a família cedeu o quadro ao Museu d'Orsay dentro das negociações com o Estado francês em torno de impostos referentes à transmissão de herança.

LEIA AQUI

2014 à vista - Luiz Werneck Viana

Há algo de estranho no ar, pois essa aceleração do tempo político que presenciamos não é normal. Ainda estamos nos prelúdios de 2013, sem saber o que o resto dos seus dias nos promete, se boa safra ou tempos aziagos. Contudo, bem longe do porto, ainda em alto oceano, já se ouvem vozes anunciando terra à vista e de preparação de desembarque próximo. De um salto estaríamos chegando a 2014, o ano da sucessão presidencial. A tripulação que nos dirige, velha de guerra de dez anos na função, estaria procurando atalhos para encurtar o tempo como manobra para evitar a aproximação de temíveis naves inimigas ou teme motim a bordo na sua coalizão?

A oposição mal começa a reunir forças, não conhece um comando único, nem sequer são enunciadas as linhas gerais do seu diagnóstico sobre o estado social da Nação, sobretudo o seu programa alternativo de governo ao que aí está. Sabe-se, de certo, do seu empenho em elucubrações em matéria de análise econômica, trincheira em que é agente passivo, mera observadora dos fatos que, mantidos na toada atual, principalmente quanto à inflação, poderiam fazer a roda da fortuna girar a seu favor.

LEIA AQUI

(Des)acordo ortográfico

Pesquisador português aponta diferenças entre vocabulários editados no Brasil e em Portugal




Pesquisador português aponta diferenças entre vocabulários editados no Brasil e em Portugal

Por Leonardo Cazes

As dúvidas quanto ao uso dos acentos e hífens no novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa não se resumem aos leigos. O pesquisador Rui Miguel Duarte, do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras de Lisboa, analisou diferentes vocabulários ortográficos editados no Brasil e em Portugal e constatou diversos exemplos de divergência entre eles. Duarte identificou alguns pontos em que as obras não respeitam as próprias normas estabelecidas no texto da reforma. A maioria dos problemas está em publicações portuguesas, como o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), elaborado pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e apontado pelo governo de Portugal como livro de referência; e o Lince, ferramenta de consulta online desenvolvida pelo mesmo instituto. Mas também há erros no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), produzido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).



LEIA AQUI

O futuro dos índios: entrevista com Manuela Carneiro da Cunha

Em “Índios no Brasil: História, direitos e cidadania” (Companhia das Letras), a antropóloga
Manuela Carneiro da Cunha reúne ensaios das últimas três décadas sobre temas como a
demarcação de terras e as mudanças na Constituição. Nesta entrevista, a professora da
Universidade de Chicago, convidada pelo governo federal para desenvolver um estudo sobre
a relação entre os saberes tradicionais e as ciências, critica o ‘desenvolvimentismo acelerado’
da gestão Dilma e defende ‘um novo pacto’ da sociedade com as populações indígenas

LEIA AQUI

O peso de uma herança - Zuenir Ventura

O GLOBO - 16/02/2013

No terreno da moral, houve pouco
avanço. Menos por vontade
de transparência e mais por
vazamentos é que os escândalos
financeiros e sexuais vieram à tona

Sou do tempo em que falar mal do Papa, ou simplesmente criticá-lo, era uma heresia, um pecado, mesmo que ele fosse Pio XII. Coroinha aos nove anos, cresci ouvindo histórias edificantes sobre ele, para só mais tarde descobrir sua omissão em relação ao nazifascismo durante a II Guerra Mundial. De lá para cá, principalmente após o Vaticano II, a Igreja Católica se abriu mais. Por meio do aggiornamento promovido por João XXIII, ela se atualizou e, sem subverter os dogmas, procurou adaptar-se ao mundo moderno, adotando a liberdade religiosa, o ecumenismo e a reforma da liturgia. Mas, no terreno da moral, houve pouco avanço. Menos por vontade de transparência e mais por vazamentos é que os escândalos financeiros e sexuais vieram à tona para comprometer o pontificado de Bento XVI, que sai queixando-se da “hipocrisia religiosa” e das “divisões do corpo eclesiástico, que desfiguram a face da Igreja”.

Nesse ambiente obscuro de intrigas, traições e luta pelo poder, surgem personagens que parecem saídos de Brasília, como esse Roger Mahony, ex-arcebispo ficha-suja de Los Angeles, que durante 25 anos acobertou criminosamente o abuso sexual de mais de 500 meninos e, em vez de ir para a cadeia, vai agora para o Senado, ou melhor, desculpem, para o conclave escolher o novo Pontífice.

Em matéria de herança indesejada, o próprio Joseph Ratzinger tem respingos na sua ficha. Em 2010, diante da explosão de ocorrências de pedofilia na Igreja de vários países, ele teve que enfrentar fortes pressões para que renunciasse, acusado de ter escondido milhares desses casos quando era bispo na Alemanha e cardealchefe da Congregação para a Doutrina da Fé. Resolveu a crise encontrando-se com as vítimas e pedindo desculpas pelos abusos cometidos por membros do clero. O “New York Times” chegou a acusá-lo de ter se recusado a punir em 1996 um sacerdote americano que molestou repetidamente 200 crianças surdas. Essas feridas no corpo e na alma da Igreja Católica ainda não tinham cicatrizado, quando estourou outro escândalo, esse em outra área, o “Vatileaks”, o vazamento das cartas enviadas pelo núncio nos EUA, Carlo María Viganò, denunciando “corrupção, prevaricação e má gestão” na administração vaticana. O mordomo e confidente confessou o roubo, alegando que queriaprovocar um “choque para colocar a Igreja no bom caminho”. Condenado a 18 meses de prisão, acabou recebendo a visita do Papa, que foi pessoalmente anunciar o seu indulto.

Lendo o que foi dito nesses últimos dias por especialistas e teólogos, chega-se à conclusão de que o novo Papa vai precisar de muita disposição e saúde para se desfazer dessa herança maldita.

A cidade se transforma - LUIZ FERNANDO JANOT

Desde as reformas promovidas por
Pereira Passos, muitas obras de urbanização
foram feitas no Rio sem o
aval da população. As atuais precisam
ser debatidas. Não será o poder
público que irá tomar a iniciativa de
reabrir as discussões

 As cidades são organismos vivos sujeitos a transformações ao longo da sua história. Esse processo contínuo decorre de ações do poder público e da iniciativa privada através da ocupação e renovação dos espaços urbanos. Na maioria das vezes, as propostas de intervenção nas cidades são precedidas de estudos, pesquisas e diagnósticos para viabilizar sua implantação. No Rio, podemos citar as aberturas dos túneis Rebouças e Santa Bárbara como exemplos representativos de intervenções transformadoras da estrutura urbana da cidade. Existem, também, as intervenções localizadas para atender, em curto prazo, as necessidades prementes da vida urbana. O Projeto Rio Cidade, implantado em vários bairros cariocas durante a década de 1990, pode ser classificado como um tipo de intervenção localizada. Ele destinava-se a valorizar a ambiência urbana e a requalificação espacial dos principais eixos estruturadores do comércio nesses bairros. O emprego compartilhado dessas duas modalidades de intervenção urbana é perfeitamente compatível e coerente com a natureza das grandes cidades.

LEIA AQUI

ENTREVISTA Mário França

  • Mário França crê que o modelo atual da Santa Sé trai a origem da fé católica
Transição. Bento XVI caminha após sua audiência no Vaticano na quarta-feira: seu sucessor vai herdar uma série de desafios e problemas que o Papa atual não conseguiu resolver, desde escândalos na Igreja à disputas internas por poder na Cúria de Roma Foto: Tony Gentile/Reuters
Transição. Bento XVI caminha após sua audiência no Vaticano na quarta-feira: seu sucessor vai herdar uma série de desafios e problemas que o Papa atual não conseguiu resolver, desde escândalos na Igreja à disputas internas por poder na Cúria de Roma Tony Gentile/Reuters
Por onze anos, Mário França, 76, fez parte da Comissão Teológica do Vaticano, onde conquistou o respeito do então cardeal Joseph Ratzinger. Hoje, professor da PUC-Rio e autor de obras sobre a teologia, defende uma nova Igreja, longe da hierarquia e das ortodoxias de Roma, e com espaço para gays e padres casados.

Queda do número de católicos desafia a Igreja no Brasil

  • Em 10 anos, percentual de adeptos recuou de 73% para 64%
  •  
  • Segundo o IBGE, o Rio é o estado com menor percentual de católicos no país: 45,8%
Marcelle Ribeiro 

De partida, Papa Bento XVI foi criticado por acelerar debate para indicar banqueiro
Foto: MAURIZIO BRAMBATTI / AFP
De partida, Papa Bento XVI foi criticado por acelerar debate para indicar banqueiro 
SÃO PAULO — Com número de fiéis em queda no Brasil, o catolicismo pode ganhar fôlego no país caso o sucessor do Papa Bento XVI adote uma postura menos doutrinária, mais próxima à realidade dos fiéis, e escolha bispos mais dinâmicos. É a avaliação de especialistas ouvidos pelo GLOBO, que toma como base o declínio da população católica nos últimos anos, medido pelos números do último Censo do IBGE.

A Mocidade de Ivo - SÉRGIO PUGLIESE

 As estripulias do filho de dona Cepia para montar seus times

Sempre que Dona Cepia flagrava o filho trocando o Colégio Guarani pelos campinhos de futebol, o castigo era inevitável e ele era obrigado a lavar as próprias cuecas. A notícia espalhou-se pela vizinhança, mas os amiguinhos precisavam ver para crer. E como o moleque matava aula dia sim e o outro também, a missão foi tranquila. Um dia escalaram o muro e deram de cara com Ivo, no tanque, emburrado, cumprindo a pena. Não perderam a chance e de lá mesmo gritaram “Ivo Lavadeira!!!”. O apelido pegou fácil, fácil. Hoje, seria bullying, mas naquela época, década de 40, era encarnação.

LEIA AQUI

Fernando Deeplick, o novo rei do remix nacional

  • DJ, produtor e compositor criou um híbrido dançante com sabor local ao usar conhecimentos de eletrônica na MPB
  •  
  • Paulista ganhou prestígio junto a artistas como Vanessa da Mata, Gabriel O Pensador e Carlinhos Brown


O produtor Fernando Deeplick
Foto: Agência O Globo / Marcos Alves
O produtor Fernando Deeplick 
RIO - Na leitura das fichas técnicas dos discos que são lançados a cada dia no país, o nome Fernando Deeplick tem aparecido com uma notável frequência. Além de ser autor de remixes de grande sucesso, nas pistas e no rádio, para astros como Vanessa da Mata (“Ai, ai, ai”), Seu Jorge (“Burguesinha”, “Mina do condomínio”) e até a colombiana Shakira (que chegou a incluir em seu show elementos da recriação que ele operou na faixa “She wolf”), esse paulista de São Bernardo do Campo, de 36 anos, ainda vem se destacando, nos últimos anos, como produtor e compositor.

A FORÇA DO SOCIAL E DA MULHER

  • Temas relevantes e personagens femininas marcam filmes favoritos aos Ursos de Ouro e de Prata
Carlos Helí de Almeida 

O diretor iraniano Jafar Panahi em cena de seu filme “Closed curtain”, que estabelece uma metáfora sobre a condição do cineasta, proibido de filmar em seu país
Foto: Divulgação
O diretor iraniano Jafar Panahi em cena de seu filme “Closed curtain”, que estabelece uma metáfora sobre a condição do cineasta, proibido de filmar em seu país 
BERLIM - A seleção de filmes da competição do Festival de Berlim deste ano foi marcada por dois elementos poderosos: personagens femininas fortes e temas sociais e culturais relevantes para o momento que atravessamos. E é bem provável que os dois aparecem combinados na cerimônia de premiação marcada para sábado à noite, quando serão revelados os vencedores da 64ª edição da maratona alemã.

A volta de ‘House’ - Arnaldo Bloch


O novo House é inglês, mora em Nova York, e seu Watson é uma chinesa

É possível que os fãs de “House”, a série de TV por cuja extinção, repentina e cruel, mais se chorou nos últimos anos, queiram me crucificar pela analogia feita neste texto, mas vou em frente, destemido, como faria Gregory num de seus palpites nem sempre bem recebidos à primeira vista: “Elementary”, a mais recente adaptação do clássico Sherlock Holmes, desta vez para o terreno dos episódios, cuja primeira temporada passou na virada de 2012 para 2013 no Universal Channel, é, na verdade, a ressurreição do amado personagem interpretado por Hugh Laurie, não por acaso, ou por acaso mesmo, poucos meses depois do fim de “House”, e no mesmo canal. Deixo para os especialistas em estratégias midiáticas as investigações sobre a intencionalidade ou não do advento e vou logo às evidências com as quais pretendo provar minha teoria.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Todas as dores do mundo - LUIZ PAULO HORTA

  • Queremos um mundo perfeito? Nesse caso, seria preciso acabar com o livre-arbítrio — essa glória do ser humano, que lhe permite ser um Hitler ou madre Teresa de Calcutá

Você me diz que passou o fim de ano pensando em histórias de Auschwitz, e que isso bloqueia a ideia de Deus. Mais perto e mais recente, você poderia me jogar na cara a tragédia de Santa Maria. Por que continuamos a acreditar em Deus?

LEIA AQUI

A lição do Papa - Luiz Garcia

A idade avançada, ao contrário
do que muitos acreditam,
nem sempre, ou mesmo
raramente, é uma
garantia de sabedoria

Os mais velhos, quando os tive, sempre me recomendaram que não me metesse a dar palpite em assunto que não fosse de minha alçada ou alcance. Mas, como diz muita gente, há jornalistas que raramente resistem à tentação de entrar em terrenos desconhecidos.

LEIA AQUI

Dez anos de presidência petista - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK

Na próxima semana, o PT deve comemorar em grande estilo dez anos de conquista da Presidência. Não é pouco. A festa é mais do que justa. Foi um decênio marcado por alto grau de continuidade. A junção do governo de Dilma ao de Lula foi sem costura. Em contraste com o slogan “continuidade sem continuísmo”, com que José Serra pretendia disfarçar seu discurso de oposição a FHC, na eleição de 2002, Dilma Rousseff deixou claríssimo, na campanha de 2010, que seu governo teria a marca da continuidade com continuísmo. Para grande orgulho do PT.

LEIA AQUI

Não em meu nome - FERNANDO GABEIRA

Mais de 1 milhão de pessoas assinaram um manifesto contra Renan Calheiros na presidência do Congresso Nacional. Movimentos como esse têm grande valor simbólico. Equivalem às manifestações modernas em que se protesta contra algo vergonhoso ou sanguinário com cartazes que dizem: "Não em meu nome". São bons para mostrar que o País não é homogêneo e que alguns governantes tomam atitudes francamente rejeitadas por milhares de seus conterrâneos.

LEIA AQUI

Oscar, câmeras pela paz - LUCAS MENDES

Em Bilim, um vilarejo palestino com 1.100 habitantes, é fácil achar a casa de Emad Burnat. A porta de madeira é uma bandeira do Brasil. Numa de suas 5 câmeras quebradas há outra. O palestino Emad é cidadão brasileiro por casamento com Soraia, de 42 anos, muçulmana devota, mãe de seus quatro filhos. O português dele é tão quebrado quanto o árabe de Soraia.

A câmera com a minibandeira é uma das cinco usadas no documentário5 Câmeras Quebradas, concorrente ao Oscar neste domingo. Algumas foram quebradas mais de uma vez pelos soldados de Israel e consertadas. Uma delas salvou a vida de Emad. O tiro entrou pela lente quando ele estava rodando. A bala continua dentro da câmera.


LEIA AQUI

Na Moral - Nelson Motta

"Parei minha moto no shopping, roubaram a tampa da válvula do pneu. Tinha uma ótima tesoura Tramontina para tosar cachorros, mas alguém que esteve na minha casa a trocou por uma de pior qualidade. O médico me mandou tirar radiografia desnecessária só para gastar dinheiro do plano de saúde. Minha revista semanal sumiu na portaria do prédio."

LEIA AQUI

Hermano Vianna - Era melhor antes


‘Não é chique gostar das coisas, mas a oferta cultural brasileira atual é muito interessante’

Enquanto eu escrevia sobre a abundância (ver a coluna da semana passada), uma série de artigos decretou “o vazio da cultura” no Brasil. Fiquei me sentindo alienígena. Vivo em um planeta diferente daquele habitado por quem não enxerga nada potente em nosso país. Meu problema é oposto: não dou conta da quantidade de coisas interessantes que considero merecedoras de divulgação/debate neste meu pequeno espaço no jornal. Estou sempre em dívida com uma lista enorme de pautas que não perdem a atualidade. São trabalhos culturais brilhantes, que podem despertar vocações artísticas em muito mais gente se forem conhecidos melhor.

Leonardo Boff - O papa e as tensões internas da Igreja no mundo e na história‏

Há uma tensão sempre viva dentro da Igreja e que marca o perfil de cada papa. Quais são a posição e a missão da Igreja no mundo?

Uma concepção equilibrada deve assentar-se sobre duas pilastras fundamentais: o Reino e o mundo. O Reino é a mensagem central de Jesus, sua utopia de uma revolução absoluta que reconcilia a criação consigo mesma e com Deus. O mundo é o lugar onde a Igreja realiza seu serviço ao Reino e onde ela mesma se constrói. Importa saber articular Reino-mundo-Igreja. Ela pertence ao Reino e também ao mundo. Possui uma dimensão histórica com suas contradições e outra, transcendente.

LEIA AQUI

Michel Laub - Resposta ao apocalipse

Em que tempo, do Descobrimento a 2012, artistas de verdade não o foram?

Faça o teste: digite o nome de qualquer hit brasileiro dos anos 1980 no YouTube. Entre os comentários, 99% de chance de alguém ver ali os vestígios de uma era de ouro. A nostalgia inclui Rádio Táxi, Dr. Silvana, até o ursinho Blau-Blau, e pode ser resumida nas palavras do internauta Xreynato: "A mídia só dá valor para essas porqueiras de hoje".

LEIA AQUI

Barbara Gancia - Bento, o Arregão

Alguém se lembra de que Cristo padeceu na cruz? Que mensagem de resiliência Bento 16 nos deixa?

Fala a verdade: em latim? Mas justo o papa que abriu conta no Twitter, inaugurando uma via direta de comunicação com os fiéis, foi pedir demissão em uma língua morta, para que o menor número possível de pessoas na sala pudesse decifrar o que ele estava dizendo? Do que tinha medo, de que alguém gritasse lá do fundo: "Schettino, torni a bordo!", em alusão ao comandante do Costa Concordia que deu no pé enquanto seu navio naufragava?

Está certo que até o exorcista-chefe do Vaticano, monsenhor Gabriele Amorth (pois é, desdenham de Tupã e têm um espanta chifrudo de plantão), no cargo há 25 anos, andou dizendo que "o Diabo age dentro do Vaticano".

LEIA AQUI

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PMDB vê-se fortalecido com PSB no jogo de 2014

Raymundo Costa e Yvna Sousa
BRASÍLIA - Depois de ter conseguido o comando do Congresso, o PMDB quer mais. A cúpula do partido avalia que a eventual candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, fortalece o poder de barganha do partido para negociar mais cargos no governo. Interlocutores da presidente Dilma Rousseff, no entanto, informaram que o PMDB não precisa "esticar a corda", pois ela e o vice Michel Temer já concordaram que é preciso ampliar os espaços da sigla e as manutenção da aliança na eleição de 2014.
 

O diário do poder, na voz de FHC - GABRIEL MANZANO

Ex-presidente tira do armário centenas de fitas gravadas por ele durante seu governo com decisões tomadas ao longo dos dias de trabalho


GABRIEL MANZANO

 Durante seus oito anos na Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso manteve uma rotina secreta, de que só os muito próximos sabiam: ele fazia gravações diárias, ou quase diárias, no fim do expediente, sobre o que tinha dito, ouvido, pensado e decidido naquelas 10 ou 12 horas.

Dez anos depois de descer a rampa do Planalto, o segredo veio à tona. Numa recente entrevista ao médico Dráuzio Varela, ele falou da sua vasta coleção de fitas e avisou que ela está sendo degravada e organizada por uma colaboradora.

LEIA AQUI

Obama e a “exceção americana” - DEMÉTRIO MAGNOLI

Na sabatina de John Brennan, o indicado de Barack Obama para dirigir a CIA, o Senado dos EUA assistiu a um espetáculo de som e fúria. De um lado, a saraivada de críticas indiscriminadas à política de “assassinatos seletivos” conduzidos por drones não lançou luz sobre um debate vital. De outro, os aliados do governo no Congresso engajaram-se na tentativa de maquiar uma estratégia desastrosa, inspirada pela Doutrina Bush.

LEIA AQUI

PAULO SANT’ANA - Ressuscitação

Anunciaram anteontem na internet que eu morri.

O Nílson Souza me telefonou aflito: “Que coisa boa te ouvir. A internet está bombando, estão dizendo que morreste. Acho melhor tu falares na Gaúcha para desmentir”.

As pessoas telefonavam para a rádio e ficavam sabendo que eu ainda não morrera.

LEIA AQUI

Os peixes e a preservação - Fernando Reinach

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo
 
Santuários marinhos são regiões onde é proibido pescar. Geralmente, a implementação dessas reservas é combatida pelas comunidades de pescadores, que se sentem prejudicadas. Agora, os ecologistas conseguiram um novo argumento para convencer os pescadores a permitir a criação de reservas: elas exportam peixes fáceis de pescar.

Apesar de a maioria dos ecologistas defender a criação de santuários marinhos como uma arma importante para preservar a biodiversidade dos mares, a criação e a manutenção de áreas preservadas têm se mostrado difíceis, quando não impossíveis.


LEIA AQUI

'Drones' e o papa - Luis Fernando Verissimo

Luis Fernando Verissimo - O Estado de S. Paulo
 
 

O "Drone" é um sonho de arma. Realiza o ideal de qualquer soldado, que é o de matar inimigos sem o risco de morrer também. O "Drone" é controlado a distância, sua "tripulação" nunca sai do chão e seus ataques são guiados, imagino, por comandos parecidos com os de um videogame. Foguetes e bombas são disparados dos "Drones" com simples toques dos dedões e os resultados aparecem na tela para serem comemorados. Como nos videogames.

LEIA AQUI

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Dia de bom futebol - TOSTÃO

Atlético-MG x São Paulo e Real Madrid x Manchester United são as duas grandes partidas de hoje

QUANDO UM time, nitidamente superior, com melhores jogadores, com mais força coletiva e com um futebol mais moderno, perde um jogo decisivo, temos de relativizar o resultado, já que existe um grande número de fatores surpreendentes e ocasionais envolvidos no placar, em vez de mudar os conceitos e diminuir as virtudes da equipe favorita.


LEIA AQUI

A irmã de Freud - Eliana Cardoso

Vi a casa: número 20, Maresfield Gardens, Londres. Ali Freud morou um ano até setembro de 1939, quando morreu. Escapara dos nazistas em 1938, levando consigo a mulher, a cunhada, a filha, o filho, o médico com sua própria família, duas domésticas, o cachorrinho, a biblioteca e enorme coleção de objetos comprados de antiquários. Para trás deixou as irmãs, que morreram em campos de concentração.

Li Freud's Sister (Penguin). O escritor macedônio Goce Smilevski dá voz a uma delas, Adolfina. O romance baseia-se em fatos, porém cria no leitor o sentimento desconfortável de que, ao retratar Sigmund Freud como vilão, o autor busca a polêmica. Ao mesmo tempo, ao narrar a vida de Adolfina como cheia de crueldade e loucura, Smilevski inventa uma obra de arte que muitos leitores acharão fascinante e outros, controversa.


LEIA AQUI

PAULO SANT’ANA - Um papa jovem

O que se verifica com a renúncia do Papa não passa de uma singela aposentadoria.

O direito à aposentadoria é universal e humanitarista.

Verifica-se agora um defeito no Direito Canônico por não ter previsto a aposentadoria dos papas.

Muitos papas terminaram seus mandatos caindo aos pedaços.

LEIA AQUI

O monossexualismo - Francisco Bosco


Entrevista que o pastor Silas Malafaia concedeu a Marília Gabriela mostra dialética de civilização e barbárie

A entrevista que o pastor Silas Malafaia concedeu a Marília Gabriela teve grande repercussão nas redes sociais, em especial os trechos em que o pastor trata da homossexualidade. Recomendo que se veja a entrevista na íntegra, pois por meio dela pode-se compreender com clareza a dialética de civilização e barbárie que constitui a experiência das religiões monoteístas e sua relação com a sociedade. Senão, vejamos.

Cinzas e repetições - Roberto DaMatta

Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo
 
Nesta vida todo mundo, querendo ou não, é pautado. Todos somos levados, obrigados, arrolados ou dirigidos a fazer muita coisa. Algumas, impossíveis, como não mentir ou ser pusilânime. No caso do jornal, temos que escrever; no caso da vida, de seguir alguma regra ou viver com ou sem o bom senso.

Os planos para nossas vidas existem antes do nosso aparecimento no mundo. Antes do nosso nascimento, pai e mãe tinham expectativas fulminantes em relação às nossas vidas. Nossas pautas existenciais são os projetos e esquemas que figuram na nossa sociedade e cultura: instruções do tipo como comer, vestir-se, limpar-se e dormir - caminhos simbólicos e reais a serem necessária e precisamente percorridos como a escolha de certas profissões e valores religiosos e políticos; rituais de crise de vida ou de passagem celebrados em nossa honra ou para os outros, os quais temos de - querendo ou não - acompanhar. Do nascimento até a morte, seguimos esquemas precisos e implacáveis e, mesmo depois de termos partido, continuamos a segui-los, porque não há sociedade que abandone seus mortos.

LEIA AQUI

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

PAULO SANT’ANA - O lugar dos bêbados

Não se pode esperar de quem é rasteiro outra coisa que não seja baixeza.

Não se pode esperar erudição de quem é analfabeto.

Do mau-caráter só se pode esperar maus-caratismos.

Grandeza só se pode esperar de quem é grande, erudição só se pode esperar de quem é culto.

Por isso é que se criou o ditado de que “ali de onde menos se espera é que nunca sai nada mesmo”.

LEIA AQUI

Uma coisa leva a outra - Cristovão Tezza

Como sempre vivi preguiçosamente na província, sou um apaixonado por correio. Passei muito tempo na vida escrevendo cartas. Uma boa “História universal dos correios”, se existe, certamente seria uma leitura fascinante. Não estacionei nas cartas, é claro. No meu exílio em Gaivotas, onde não passa carteiro, recorro ao milagre da tabuleta digital. Com o chipezinho que contratei (mesmo lento e caro, à brasileira), consigo comprar livros e revistas do mundo inteiro, sem intermediários. Semana passada, a revista The New Yorker trouxe uma matéria sobre Galileu, considerado o pai da ciência moderna (“Moon man”, por Adam Gopnik), que frisa a importância do correio já há 450 anos.

LEIA AQUI

O novo carnaval das ruas - Arnaldo Jabor

Todo ano minha coluna sai na terça-feira de carnaval. Não há outro assunto que possa suplantar a espantosa festa popular e acabo me repetindo. Eu andava irritado com a folia anual. Cheguei a dizer que o chamado "tríduo momesco" - como falavam os cronistas d"antanho - tinha virado uma calamidade pública. Mas, nos últimos dias, vendo as massas pulando nas ruas de Salvador, Recife e Rio, fiquei pensando: como é que pode? O que faz milhares de foliões se jogarem nas ruas como estouros de boiadas, o que será que provoca tanta fome de samba, de riso, de porres, de sexo em flor? Este ano, há blocos que congregam mais de 400 mil participantes, 400 mil dançando na orla do Rio, em um delirante comício de felicidade.

LEIA AQUI