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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Traição na web - Arthur Dapieve


No varejo, a internet nunca deixou de ser o que sonhamos: iluminadora e subversiva

Não, calma, não é nada disso que você está pensando. Não me conectei ontem. No final dos anos 1980, o “Jornal do Brasil” começou a implantar computadores na redação, a princípio como meros processadores de texto. No “Caderno B”, só havia três máquinas. Uma estava comigo. No começo dos 1990, os editores do GLOBO fizeram um curso sobre a então nascente World Wide Web no Departamento de Informática da PUC-Rio. Eu era um deles. Entre 2000 e 2002, trabalhei no primeiro grande site jornalístico independente do país, o “NoPonto”, no qual eu tinha um blog em que indicava e comentava brevemente textos interessantes disponíveis na internet.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Humor terapêutico - Arthur Dapieve


O sucesso do canal Porta dos Fundos no YouTube

Os funcionários de uma firma fazem uma espécie de pausa para o chá, todos os dias, a fim de assistir a seus episódios favoritos no Porta dos Fundos. O taxista liga o computador quando chega em casa para esquecer o caos do trânsito vendo dois ou três vídeos do Porta dos Fundos. Este colunista também encerra suas jornadas de trabalho com doses terapêuticas do Porta dos Fundos. Viciei-me.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A gostosa da estação - Arthur Dapieve


A chegada de um mulherão em busca de fama nas praias do Rio

Ainda não esquentou de verdade quando a gostosa da estação chega à praia. Há mães com filhos pequenos na areia, um grupo de atletas da terceira idade perto do mar, dois ou três surfistas à espera de uma onda que não virá. Ninguém presta muita atenção na mulher musculosa, de blusa e short atochados. Ela olha em volta, mas sabe que está bem adiantada. Marcou com o paparazzo apenas para dali a duas horas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Lensky - Arthur Dapieve


Tchaikovsky pôs ali todo o seu talento melódico, sugerindo que nossa vida é ao mesmo tempo triste e ridícula

Tenho uma certa dificuldade com óperas, confesso. A melodia é tão importante para mim que, quando ela se esconde ou quase some atrás da fala, lá se vai o meu barato. Tenho dificuldades parecidas com o rap e — por favor, não cuspa em mim na rua — com Leonard Cohen cantando, quer dizer, declamando Leonard Cohen. Em vozes alheias, as músicas do poeta canadense podem ser gloriosas. Na própria, monocórdia, nunca me entusiasmaram. Não ajudam, claro, os vocais de apoio e arranjos cafonas.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Arthur Dapieve - Epifania roqueira


Existem entidades poderosas demais para terem seus nomes mencionados impunemente. Elas se materializam. Na coluna passada, sobre o LP de estreia do Barão Vermelho, citei “o primeiro padrinho da banda, o saudoso crítico Ezequiel Neves”. Pois no mesmo dia fui brindado com o pequeno vislumbre de uma epifania ezequieliana.

Antes, um pouco de contexto. O verbete dedicado a Ezequiel na Wikipedia é minúsculo. E ele foi membro do que eu ficaria tentado a chamar de meu “Sexteto Fantástico”. Quando estudante, eu não gostava apenas de música, gostava de ler sobre música. Eram sobretudo seis os críticos que eu acompanhava: Ana Maria Bahiana, Ezequiel Neves, Jamari França, José Emílio Rondeau, Luiz Antônio Mello e Tárik de Souza. Cada qual ao seu estilo, todos me ensinaram a ouvir e a escrever melhor.

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